A crise política entre o governador Mateus Simões (PSD) e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (31). Um dia após anunciar o rompimento com o antigo aliado, Simões exonerou o secretário de Governo, Castellar Guimarães Neto, considerado um dos principais nomes ligados a Aro dentro da administração estadual.
A exoneração foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais e ocorre menos de 24 horas depois de Marcelo Aro comunicar ao governador que deixará seu grupo político e poderá disputar o Governo de Minas em 2026.
Exoneração amplia crise no governo
Além da saída de Castellar Guimarães Neto, o governo estadual promoveu uma ampla reformulação na Secretaria de Governo.
Ao todo, 20 servidores comissionados ligados à pasta foram exonerados nesta sexta-feira. Somando outras áreas da administração estadual, as mudanças atingem dezenas de cargos de confiança.
Para ocupar o comando da Secretaria de Governo, Mateus Simões nomeou Juliano Fisicaro Borges, que passa a assumir uma das principais pastas da articulação política do Executivo mineiro.
As exonerações reforçam o movimento de reorganização da equipe após o rompimento entre o governador e Marcelo Aro.
Entenda a crise
A relação entre Mateus Simões e Marcelo Aro se rompeu oficialmente na quinta-feira (30), após uma reunião entre os dois.
Em seguida, o governador divulgou um áudio à imprensa informando que Aro havia comunicado estar negociando uma candidatura ao Governo de Minas.
Segundo Simões, o ex-secretário também demonstrou insatisfação com a presença do senador Carlos Viana (PSD) na chapa governista para o Senado.
Na ocasião, o governador afirmou que recebeu a decisão com decepção e disse que Marcelo Aro estava “virando as costas” para o projeto político construído ao lado do ex-governador Romeu Zema (Novo).
Marcelo Aro virou plano B para o Republicanos
Marcelo Aro deixou a Secretaria de Governo em março deste ano para preparar uma candidatura ao Senado na chapa de Mateus Simões.
Nas últimas semanas, porém, seu nome passou a ser citado como uma alternativa para disputar o Governo de Minas diante das indefinições envolvendo o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Após meses de dúvidas, o Republicanos chegou a divulgar uma nota colocando em xeque a candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes. Horas depois, o senador respondeu publicamente e afirmou que pretende disputar a eleição.
Com esse cenário ainda indefinido, Marcelo Aro passou a ser tratado nos bastidores como um possível “plano B” para a legenda.
Governo reorganiza articulação política
A troca no comando da Secretaria de Governo é vista como a primeira consequência prática do rompimento entre Mateus Simões e Marcelo Aro.
Responsável pela articulação política do Executivo com deputados, prefeitos e lideranças partidárias, a pasta é considerada estratégica para a construção da base de apoio do governador às vésperas da campanha eleitoral de 2026.
A expectativa agora é de que novas mudanças ocorram nos próximos dias, à medida que o governo redefine sua equipe e reorganiza a base política após o rompimento com um dos principais articuladores da gestão.