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Valdemar Costa Neto trava decisão de Michelle Bolsonaro no PL DF

Decisão de Michelle Bolsonaro sobre candidatura ao Senado pelo DF depende de articulação interna no PL e apoio de Jair Bolsonaro.
Redação NC News
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Michelle Bolsonaro mantém em suspenso a própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e devolve ao marido, Jair Bolsonaro, a palavra final sobre seu futuro político imediato. A indefinição, assumida em reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reorganiza forças no partido às vésperas da convenção em Brasília.

Decisão nas mãos de Bolsonaro e relógio eleitoral em contagem

Valdemar deixa claro, em público, quem manda. “Quem vai decidir é o Bolsonaro, se ela sai candidata ou não. Porque ela está lá com ele, cuidando dele, e ela tem esse problema pela frente. É muito difícil fazer campanha”, afirma, após cerca de uma hora de conversa com a ex-primeira-dama em uma doceria em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.

Segundo o dirigente, Michelle se compromete a bater o martelo até domingo, data da convenção do PL no Distrito Federal. “Se ela é candidata ao Senado, ela falou que vai resolver com o marido dela, porque tem que cuidar do marido. Ela vai decidir isso provavelmente até domingo”, diz. O encontro, discreto e fora de sedes partidárias, simboliza a tentativa de Valdemar de segurar a principal aposta do partido no DF sem romper com a rotina de cuidados de Michelle com Bolsonaro.

O cronômetro eleitoral pressiona. O diretório distrital do PL prepara a convenção que deve formalizar apoio à reeleição da governadora Celina Leão, do PP, e ajustar o tabuleiro para o Senado. No desenho em discussão, a sigla trabalha com a deputada Bia Kicis como nome certo e reserva a segunda vaga a Michelle, caso ela aceite entrar em campo.

Conflitos familiares, comando do PL Mulher e disputa de poder

A dúvida sobre a candidatura não nasce apenas da saúde de Jair Bolsonaro. Michelle chega a este fim de semana depois de um rompimento público com o enteado Flávio Bolsonaro, hoje candidato à presidência do PL. Em junho, ela abandona a presidência do PL Mulher e avalia, segundo aliados, até sair do partido. A crise escancara uma disputa de influência sobre a base bolsonarista e sobre o eleitorado feminino, segmento tratado como estratégico pelo PL.

A trégua entre madrasta e enteado, anunciada na semana passada, ainda não produz uma foto conjunta. Michelle grava um vídeo para a convenção nacional do partido, aceita desculpas de Flávio, mas os dois seguem sem dividir palanque. O primeiro teste público dessa reconciliação deve ocorrer justamente na convenção de domingo, em Brasília, se ambos confirmarem presença. O reencontro promete medir o grau real de pacificação na família que domina a política do partido.

Enquanto o impasse se arrasta, o PL redesenha a vitrine feminina. Michelle abriu mão da presidência do PL Mulher e não volta ao posto agora. Valdemar formaliza uma solução provisória. “A Michelle vai definir até domingo se vai ser candidata ao Senado, ela vai debater e decidir com o marido. Ela tem dificuldades para viajar, por causa dos cuidados com a saúde dele e, em princípio, não volta imediatamente à presidência do PL Mulher. Vamos tentar que ela volte depois das eleições”, diz. No intervalo, quem assume a coordenação é Ana Munhoz, secretária nacional do PL Mulher e pessoa de confiança da ex-primeira-dama.

PL tenta preservar capital político feminino e base no DF

A maneira como o partido administra a ausência de Michelle na cúpula feminina indica que o PL não pretende abrir mão do capital político construído nos últimos anos. A ex-primeira-dama, natural de Ceilândia, transforma-se em uma das principais pontes da sigla com o eleitorado evangélico e com mulheres conservadoras, sobretudo no Distrito Federal. Sua estreia numa disputa majoritária ao Senado é tratada internamente como oportunidade de consolidar essa ligação e testar o alcance do bolsonarismo feminino nas urnas.

O cálculo, porém, esbarra na realidade doméstica. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e concentra ao redor de si a vida da família e uma parte da operação política da direita. Michelle circula menos, viaja pouco e dedica tempo à rotina do marido. Valdemar verbaliza o dilema: conciliar essa rotina com a maratona de viagens, agendas e exposição que uma candidatura ao Senado exige. Em privado, dirigentes admitem que uma campanha pela metade, limitada ao DF, poderia reduzir o trunfo eleitoral que ela representa.

Dentro do partido, a indefinição gera desconforto. Grupos bolsonaristas e lideranças da ala feminina cobram uma resposta para organizar alianças, chapas proporcionais e palanques regionais. Se Michelle confirmar a candidatura, Bia Kicis ganha uma parceira de alto apelo simbólico, e o PL reforça o discurso de que lidera a resistência conservadora em Brasília, mesmo com o ex-presidente impedido de concorrer. Se recuar, o partido terá de inflar alternativas ou negociar apoios com outras siglas, o que pode abrir espaço para fissuras no diretório local.

Risco de fragmentação e o peso de Valdemar na equação

Valdemar equilibra essas forças com pragmatismo. À frente do partido que abriga a família Bolsonaro, ele precisa preservar a relação com o clã, acalmar disputas internas e manter a máquina eleitoral azeitada. O presidente do PL sabe que o nome de Michelle, associado à instituição religiosa que frequenta, ao carisma em eventos e à imagem de esposa devota, ajuda a blindar o partido das denúncias e da rejeição acumulada por Jair Bolsonaro e por ele próprio ao longo de décadas na política.

A indecisão de agora também expõe os limites dessa aliança. Ao afirmar publicamente que “quem vai decidir é o Bolsonaro”, Valdemar admite que o comando político do PL continua, na prática, submetido ao ex-presidente, mesmo afastado da direção formal. A mensagem mira a base bolsonarista, que vê no dirigente um articulador essencial, mas desconfia de sua trajetória, de suas alianças passadas com partidos de centro e de sua relação antiga com governos petistas.

Até domingo, Brasília acompanha um jogo de expectativa. Se Michelle subir ao palco da convenção como candidata ao Senado, o PL ganha um rosto forte para disputar o voto feminino e um gesto concreto de unidade em torno da família Bolsonaro. Se ela optar por ficar em casa, cuidando do marido, o partido terá de explicar à militância por que abriu mão de sua principal estrela no DF. Em qualquer cenário, a cena na doceria em frente ao condomínio de Jair Bolsonaro, com Valdemar à espera de uma resposta, resume o momento: o partido mais forte da direita no país aguarda, de portas entreabertas, a decisão de uma família e o cálculo de um ex-presidente que continua a ditar o rumo da legenda.

Michelle Bolsonaro já confirmou candidatura ao Senado?

Não. Ela promete decidir até domingo, durante a convenção do PL no Distrito Federal, após discutir o assunto com Jair Bolsonaro.

Quem comanda o PL Mulher durante as eleições?

A coordenação da ala feminina do PL fica com Ana Munhoz, secretária nacional do PL Mulher e aliada de confiança de Michelle, até o fim das eleições.

O que acontece se Michelle desistir da disputa?

O PL deve reforçar o protagonismo de Bia Kicis na corrida ao Senado ou buscar novas alianças no DF, redesenhando sua estratégia para manter espaço político.


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