Dois homens foram presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeitos de envolvimento no incêndio de uma viatura do programa Rio Mais Seguro, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo as investigações, o ataque teria sido uma represália às ações da Operação Tolerância Zero, realizada pela Prefeitura para combater o comércio irregular na orla.
O incêndio aconteceu no dia 23 de julho, na Rua Hilário de Gouveia. O principal suspeito de colocar fogo no veículo, Juan do Nascimento Silva, foi preso uma semana depois e confessou o crime. Outro investigado, Alexsandro Cosmo Nunes, apontado como responsável por levar Juan até o local, também foi preso. Já Fernando dos Santos Feliciano, conhecido como “Gordinho” e indicado pela polícia como o suposto mentor da ação, continua foragido.
Câmeras registraram preparação e fuga após ataque
De acordo com a investigação, imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar a dinâmica do crime. Os policiais analisaram registros que mostram um grupo de cinco homens deixando a comunidade Pavão-Pavãozinho, em bicicletas elétricas, momentos antes do incêndio.
Segundo a polícia, Juan teria descido da bicicleta em frente ao ponto onde a viatura estava estacionada e esperado a saída de uma van da Guarda Municipal antes de agir.
Em seguida, ele teria usado uma garrafa com líquido inflamável, com características semelhantes às de querosene, para iniciar o fogo. Após incendiar o veículo, o suspeito fugiu pela Avenida Atlântica.
Durante a fuga, as imagens mostram uma tentativa de despistar os investigadores. Segundo a polícia, Juan trocou de roupa: no momento do ataque, ele usava roupas escuras e depois apareceu com uma camiseta colorida.
Suspeito diz que recebeu R$ 50 para cometer o crime
Em depoimento, Juan afirmou que recebeu R$ 50 para realizar o ataque. Segundo a investigação, o pagamento teria sido feito por Fernando, apontado como responsável por planejar a ação.
Ainda de acordo com a polícia, Fernando teria fornecido o combustível usado no incêndio e orientado como o crime deveria ser executado.
Juan também relatou que foi levado até Copacabana por Alexsandro. Com base no depoimento e nas provas reunidas, a Justiça autorizou a prisão temporária dos três investigados.
Alexsandro foi encontrado e preso no dia 31 de julho, na Praia de Copacabana. Fernando segue sendo procurado.
Polícia investiga plano para novos ataques
A investigação aponta que o grupo pretendia realizar novos ataques em resposta às operações de fiscalização realizadas pela Prefeitura do Rio na orla da Zona Sul.
O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), afirmou que as imagens analisadas mostram que parte dos envolvidos teria participado, depois do incêndio, de uma manifestação contra a Operação Tolerância Zero.
O delegado destacou, porém, que manifestações são um direito garantido, mas precisam ocorrer dentro da legalidade.
Os dois presos vão responder inicialmente pelos crimes de dano qualificado ao patrimônio público e associação criminosa.
Entenda o contexto
A Operação Tolerância Zero foi criada pela Prefeitura do Rio para intensificar a fiscalização contra irregularidades na orla da Zona Sul, como comércio sem autorização e outras atividades proibidas. A ação gerou reações entre grupos afetados pelas medidas e passou a ser alvo de protestos.
O incêndio da viatura do Rio Mais Seguro virou alvo de investigação da Polícia Civil, que busca identificar todos os envolvidos e esclarecer se havia uma articulação para novos ataques contra equipes de fiscalização e segurança.