O processo que investiga a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, entrou em uma etapa decisiva. A Justiça de São Paulo marcou para 28 de agosto, às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, o interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a própria esposa e de tentar alterar a cena do crime.
O depoimento do oficial será o último ato da fase de instrução do processo, momento em que acusação e defesa apresentam provas, documentos e testemunhas. Depois dessa etapa, caberá ao juiz analisar todo o material reunido ao longo da investigação para decidir se o réu será submetido ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
O militar responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Segundo a investigação, ele teria provocado a morte da esposa e modificado elementos da cena para sustentar a versão de suicídio. A defesa, por outro lado, nega as acusações e afirma que Gisele tirou a própria vida. Até o momento, não há condenação no caso.
Por que o interrogatório foi adiado?
Inicialmente, o interrogatório estava previsto para o início de julho, após uma série de audiências com dezenas de testemunhas. No entanto, a defesa solicitou a complementação de um laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística, argumentando que ainda havia questionamentos técnicos importantes a serem respondidos pela perícia. Diante do pedido, a Justiça remarcou o depoimento para o fim de agosto.
Ao longo da instrução do processo, foram ouvidos familiares da vítima, policiais civis e militares, peritos, vizinhos, agentes que atenderam a ocorrência e outras pessoas ligadas ao caso. O conjunto desses depoimentos servirá de base para a decisão judicial sobre o prosseguimento da ação penal.
O que diz a investigação
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, a hipótese inicial de suicídio perdeu força após a realização de perícias e da reconstituição dos acontecimentos dentro do apartamento onde o casal vivia, na região do Brás, em São Paulo.
Os investigadores concluíram que a dinâmica encontrada na cena do crime não era compatível com a versão apresentada pelo tenente-coronel. Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou sua prisão preventiva, e ele passou a responder formalmente por feminicídio e fraude processual.
Durante a investigação, o oficial também prestou depoimentos considerados contraditórios em diferentes momentos, segundo os investigadores. A acusação sustenta que essas inconsistências reforçam a necessidade de julgamento pelo Tribunal do Júri. Já a defesa afirma que as conclusões da investigação são equivocadas e insiste que a morte da policial foi um suicídio.
Relembre o caso
Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida com um disparo de arma de fogo na cabeça, em fevereiro deste ano, dentro do apartamento onde morava com o marido. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
No início, a ocorrência foi registrada como um possível suicídio. Porém, conforme as investigações avançaram, a Polícia Civil identificou elementos que colocaram essa hipótese em dúvida. A partir da análise pericial e da reconstrução da cena, o caso passou a ser tratado como feminicídio, resultando na prisão preventiva do tenente-coronel.
O que acontece agora?
Com o interrogatório marcado para 28 de agosto, a expectativa é que seja encerrada a fase de produção de provas do processo. Em seguida, o juiz avaliará se existem indícios suficientes para que Geraldo Leite Rosa Neto seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Caso seja pronunciado, o oficial será julgado por um conselho de jurados, que decidirá sobre sua responsabilidade criminal. Se a Justiça entender que não há elementos suficientes para essa etapa, poderá adotar outro encaminhamento previsto na legislação. Enquanto isso, o tenente-coronel permanece preso preventivamente e continua negando qualquer participação na morte da esposa.
Entenda o contexto
A morte da soldado Gisele Alves Santana ganhou grande repercussão após a investigação apontar que a versão inicial de suicídio não seria compatível com as evidências encontradas pela perícia. O caso levou à prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que passou a responder por feminicídio e fraude processual. A audiência marcada para o fim de agosto representa uma das etapas mais importantes do processo, pois antecede a decisão da Justiça sobre o envio ou não do caso ao Tribunal do Júri, onde poderá ocorrer o julgamento definitivo do oficial.