BH cria data para lembrar mulheres vítimas de feminicídio

Nova lei estabelece 17 de outubro como data anual de homenagem às vítimas; medida também prevê ações de conscientização, prevenção e apoio às famílias
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Belo Horizonte agora tem uma data oficial para lembrar as mulheres vítimas de feminicídio e cobrar o fortalecimento da rede de proteção. A Lei 12.106/2026 criou o Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio na capital.

A norma foi publicada no Diário Oficial do Município na quarta-feira (12) e já está em vigor. A data será lembrada todos os anos em 17 de outubro.

Memória das vítimas

A lei prevê ações para preservar a memória das mulheres assassinadas e prestar solidariedade aos familiares.

Também estão entre os objetivos garantir às famílias e às sobreviventes o direito à memória e à verdade, além de ampliar a divulgação de informações sobre canais de denúncia e serviços de apoio.

O poder público poderá promover atividades presenciais ou digitais para lembrar as vítimas, suas histórias e também trajetórias de mulheres que sobreviveram à violência.

A proposta é de autoria das vereadoras Iza Lourença, Juhlia Santos, Luiza Dulci e Professora Nara.

Segundo as parlamentares, a criação da data também deve ajudar a identificar falhas na rede de proteção e transformar os casos de feminicídio em ações de prevenção.

Por que 17 de outubro?

A escolha da data tem relação com um dos crimes que mais chamaram a atenção do país.

Em 17 de outubro de 2008, Eloá Cristina Pimentel foi assassinada pelo ex-namorado, após permanecer mantida em cárcere durante um sequestro que durou dias.

O caso teve ampla repercussão nacional e levantou discussões sobre a forma como situações de violência contra a mulher eram tratadas.

Para as autoras da lei, a data carrega um significado histórico e simbólico e deve servir como momento de reflexão sobre a violência contra as mulheres.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

A criação da nova data ocorre justamente no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legislação, sancionada em agosto de 2006, estabeleceu mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Data também quer prevenir novos crimes

Além da homenagem, a nova lei busca fazer com que a memória das vítimas seja transformada em política de prevenção.

A proposta prevê a divulgação de informações sobre canais de denúncia e apoio e ações que ajudem mulheres em situação de violência e seus familiares.

A intenção é que o 17 de outubro não seja apenas uma data no calendário, mas um momento anual para lembrar as vítimas, acolher as famílias e discutir formas de evitar que novos casos de feminicídio aconteçam.

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