Vale-refeição acaba antes da metade do mês e deixa trabalhador no prejuízo. Entenda

Levantamento mostra que benefício cobre, em média, apenas 9 dias úteis de alimentação no Brasil; refeição ficou mais cara enquanto crédito das empresas subiu menos
Redação NC News
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O vale-refeição está rendendo cada vez menos no bolso do trabalhador brasileiro. Em 2026, o benefício passou a cobrir, em média, apenas nove dias úteis de alimentação por mês, segundo levantamento da Pluxee. O resultado representa uma queda de 4,4% em relação aos 10 dias registrados no ano anterior.

Na prática, quem recebe o benefício precisa colocar mais dinheiro do próprio bolso para conseguir bancar as refeições fora de casa durante o restante do mês. E os números mostram que essa diferença vem aumentando ao longo dos anos.

Vale-refeição perdeu força nos últimos anos

O cenário atual está bem distante do registrado alguns anos atrás. Em 2019, o vale-refeição tinha capacidade média para cobrir 18 dias úteis de alimentação.

Desde então, o número caiu sucessivamente. Em 2022, o benefício cobria 13 dias. Em 2023, eram 11. Em 2024 e 2025, a média ficou em 10 dias. Agora, no primeiro semestre de 2026, chegou a apenas nove dias.

Os dados de 2020 e 2021 não foram calculados no levantamento por causa das mudanças provocadas pelo período de isolamento social durante a pandemia de Covid-19.

A queda significa que o trabalhador está conseguindo comprar cada vez menos refeições com o mesmo benefício.

Por que o dinheiro acaba tão rápido?

Um dos principais motivos está na diferença entre o aumento do preço das refeições e o reajuste do vale.

Segundo a pesquisa, o preço médio de uma refeição chegou a R$ 44,69, alta de 4,3% no período. Enquanto isso, o valor médio do vale-refeição concedido pelas empresas aumentou apenas 1,5%, chegando a R$ 583,75.

Ou seja: a comida ficou mais cara em um ritmo superior ao crescimento do benefício.

O levantamento também aponta que a inflação da alimentação fora do domicílio chegou a 6,22%, enquanto o valor do vale subiu apenas 1,5%.

É justamente essa diferença que reduz o poder de compra do trabalhador.

Trabalhador precisa completar o valor do próprio bolso

Com o benefício cobrindo uma parcela cada vez menor das refeições, o trabalhador acaba precisando complementar o pagamento com dinheiro do salário.

De acordo com os dados apresentados pela Pluxee, esse complemento já ultrapassa 100% do valor recebido em vale-refeição. A estimativa apontada no levantamento é de um desembolso médio de aproximadamente R$ 589 do próprio bolso para cobrir os gastos com alimentação.

Isso ajuda a explicar por que o vale, que deveria funcionar como um auxílio para a alimentação durante a jornada de trabalho, tem perdido capacidade de acompanhar o custo real das refeições.

Estados têm diferenças grandes

A situação também muda bastante de acordo com o estado onde o trabalhador mora.

Roraima aparece com a menor duração média do benefício, com apenas seis dias úteis de cobertura. Maranhão vem na sequência, com sete dias. Acre e Rondônia registram oito dias.

No outro extremo estão estados do Sudeste.

Minas Gerais lidera o levantamento, com 13 dias úteis, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo aparecem logo depois, com 12 dias de cobertura.

Mesmo nos estados com os melhores resultados, porém, o benefício ainda não cobre todo o mês de trabalho.

Restaurante ou aplicativo: onde o dinheiro rende mais?

O levantamento também mostra uma diferença no comportamento de consumo.

Em restaurantes e lanchonetes, o gasto médio por transação ficou em R$ 43,44. Já nas compras realizadas por aplicativos e serviços online, o valor médio chegou a R$ 58,61.

A diferença pode indicar uma tentativa do trabalhador de buscar alternativas para fazer o benefício durar mais.

Com o preço das refeições pressionando o orçamento, escolhas mais econômicas podem fazer a diferença entre o saldo acabar nos primeiros dias ou durar um pouco mais.

O que explica a perda do poder de compra?

A combinação de dois fatores ajuda a entender o cenário: aumento do preço da alimentação e reajustes menores no benefício.

O vale-refeição médio de R$ 583,75 pode parecer suficiente quando analisado isoladamente. Mas, considerando o preço médio de uma refeição e a quantidade de dias trabalhados, o valor perde força rapidamente.

É por isso que a análise da duração do benefício é mais reveladora do que olhar apenas para o valor depositado pelas empresas.

Em 2019, o benefício conseguia cobrir 18 dias úteis. Agora, cobre nove.

Na prática, o trabalhador perdeu aproximadamente metade da capacidade de cobertura registrada naquele período.

O que pode acontecer daqui para frente?

A diferença entre o custo da alimentação e o reajuste do vale coloca pressão sobre as empresas para reverem os valores oferecidos aos funcionários.

O diretor executivo de Estabelecimentos da Pluxee, Antônio Alberto Aguiar, afirmou que os números representam um sinal de alerta para a alimentação do trabalhador e defendeu uma revisão das políticas de benefícios.

A discussão, portanto, não envolve apenas o valor depositado no cartão. O ponto central é saber se o benefício continua acompanhando o custo real de uma refeição durante a jornada de trabalho.

Enquanto os preços sobem em ritmo maior que os créditos, o trabalhador acaba assumindo uma parcela cada vez maior da conta.

Entenda o contexto

O vale-refeição perdeu poder de compra nos últimos anos. Em 2019, cobria em média 18 dias úteis de alimentação. No primeiro semestre de 2026, essa cobertura caiu para nove dias.

Ao mesmo tempo, o preço médio de uma refeição chegou a R$ 44,69, enquanto o benefício médio ficou em R$ 583,75.

A combinação faz com que o dinheiro recebido pela empresa termine antes do fim do mês e obrigue o trabalhador a complementar as refeições com recursos próprios.

O problema também varia de acordo com a região. Enquanto Roraima registra apenas seis dias de cobertura, Minas Gerais chega a 13, com Rio de Janeiro e São Paulo em 12 dias.

O resultado é um cenário em que o vale-refeição continua sendo um benefício importante, mas já não acompanha, na mesma velocidade, o custo da alimentação fora de casa.

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