Dino endurece regras e anula emendas com interferência de ex-parlamentares e presidentes de partidos

Ministro do STF afirma que pessoas sem mandato não podem indicar ou controlar a destinação de emendas parlamentares.
Redação NC News
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que sejam consideradas nulas as emendas parlamentares que tenham recebido interferência de ex-congressistas, presidentes de partidos ou outras pessoas sem mandato no momento da indicação ou definição dos recursos.

A decisão faz parte das medidas adotadas pelo Supremo para aumentar a transparência, a rastreabilidade e o controle sobre a utilização das emendas parlamentares, especialmente diante de investigações e auditorias que apontaram problemas na destinação de recursos públicos.

Segundo o entendimento de Dino, a indicação de emendas é uma atribuição relacionada ao exercício do mandato parlamentar. Dessa forma, dirigentes partidários ou antigos deputados e senadores não podem assumir, por conta própria, o papel de definir quais municípios, estados ou entidades receberão os recursos.

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Emendas terão de seguir regras de transparência

A determinação estabelece que documentos, planilhas, ofícios, atas ou outros registros que indiquem a participação de pessoas sem mandato na escolha ou distribuição das emendas poderão ser utilizados para identificar irregularidades.

Para o ministro, não basta que posteriormente um parlamentar em exercício assuma formalmente uma indicação que tenha sido feita anteriormente por alguém sem competência para isso.

A medida busca evitar que pessoas que não ocupam mais cargos eletivos continuem exercendo influência sobre bilhões de reais destinados por meio do orçamento público.

Presidentes de partidos entram no radar

A decisão também aumenta a pressão sobre as estruturas partidárias. Presidentes de legendas não poderão utilizar a posição dentro do partido para controlar diretamente a distribuição das emendas destinadas aos parlamentares.

O STF já havia solicitado esclarecimentos de partidos políticos sobre possíveis mecanismos internos utilizados para definir a aplicação dos recursos.

A preocupação da Corte é evitar que as chamadas “emendas parlamentares” sejam utilizadas sem transparência ou que a indicação dos recursos fique concentrada nas mãos de pessoas que não possuem mandato.

Medida ocorre em meio a investigações

A decisão de Dino ocorre em um momento de forte discussão sobre o funcionamento das emendas parlamentares e sobre a necessidade de identificar quem efetivamente escolhe o destino do dinheiro público.

Órgãos de fiscalização e investigação vêm analisando possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados a municípios e estados.

A determinação do ministro reforça que a origem da indicação e o caminho percorrido pelo dinheiro precisam estar devidamente registrados, permitindo que órgãos de controle acompanhem a utilização dos recursos.

O que pode acontecer agora?

Na prática, emendas que apresentem evidências de interferência irregular poderão ser questionadas e até anuladas.

Os órgãos responsáveis pela execução dos recursos também deverão observar as regras de transparência e comprovar quem fez a indicação e qual foi o destino do dinheiro.

A decisão representa mais um capítulo da disputa envolvendo Congresso, partidos políticos, órgãos de controle e o Supremo Tribunal Federal sobre a utilização das emendas.

O objetivo declarado é garantir que os recursos públicos sejam distribuídos de acordo com as regras legais e que a população consiga identificar quem indicou, quanto foi destinado e onde o dinheiro foi aplicado.

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