O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 acontece neste domingo (23), às 20h, em um cenário diferente do que muitos eleitores esperavam.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois líderes nas pesquisas mais recentes, não devem participar do encontro. Com isso, o primeiro grande confronto televisionado da campanha terá como protagonistas candidatos que aparecem atrás dos dois principais nomes da corrida eleitoral.
O debate será realizado pela Band, em parceria com outras emissoras, e abre a sequência de confrontos entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
QUEM DEVE PARTICIPAR?
Quatro candidatos confirmaram presença no debate:
- Augusto Cury (Avante)
- Renan Santos (Missão)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Romeu Zema (Novo)
O encontro será dividido em três blocos, com perguntas de jornalistas e confrontos diretos entre os candidatos.
A ausência de Lula e Flávio, portanto, altera completamente a dinâmica esperada para a estreia dos debates.
POR QUE LULA NÃO VAI?
Lula decidiu não participar do debate depois de questionar a composição dos convidados. A campanha do presidente argumentou que haveria um desequilíbrio ao colocar no mesmo palco candidatos que, segundo a avaliação da equipe petista, não estariam submetidos às mesmas condições previstas para outros concorrentes.
A decisão também ocorre em um momento de forte polarização na corrida presidencial. Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21), Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 33%. Os demais candidatos estão bem atrás.
E FLÁVIO BOLSONARO?
A ausência de Flávio está diretamente ligada à decisão de Lula. O senador havia indicado que sua participação estaria condicionada à presença do petista. Sem Lula no palco, Flávio também decidiu não comparecer.
A estratégia evita que ele fique sozinho no centro dos ataques dos demais candidatos, especialmente dos nomes que disputam o mesmo eleitorado de direita.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA OS OUTROS CANDIDATOS?
É justamente aí que o debate ganha importância. Sem Lula e Flávio, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury terão mais espaço para apresentar propostas e atacar os principais adversários da corrida presidencial, mesmo que eles não estejam no palco.
Para candidatos com índices menores nas pesquisas, o debate representa uma oportunidade de ganhar exposição nacional e tentar ampliar o conhecimento do eleitor sobre seus nomes.
Renan Santos, por exemplo, terá sua primeira grande exposição em televisão durante a campanha e pretende usar o encontro para apresentar suas propostas e se diferenciar de outros candidatos de direita.
A AUSÊNCIA PODE VIRAR TEMA DO DEBATE
Mesmo sem Lula e Flávio no estúdio, é difícil imaginar que os dois fiquem fora das discussões.
A tendência é que os candidatos presentes sejam questionados sobre as propostas dos líderes e também aproveitem o espaço para criticar a decisão dos dois de não participar.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já criticou a ausência e afirmou que os eleitores deveriam ter a oportunidade de conhecer diretamente as propostas dos principais candidatos.
A discussão, portanto, pode ganhar um segundo eixo:
o debate entre os candidatos que estão no palco e o debate político sobre quem decidiu não estar nele.
QUANDO SERÃO OS PRÓXIMOS DEBATES?
O encontro deste domingo é apenas o primeiro de uma sequência prevista para o primeiro turno.
O calendário divulgado prevê outros três debates:
- 14 de setembro: consórcio de veículos de comunicação;
- 27 de setembro: Record;
- 1º de outubro: Globo.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
ENTENDA O CONTEXTO
A eleição presidencial de 2026 entra agora em uma fase de maior exposição pública dos candidatos.
O debate da Band, marcado para 20h deste domingo (23), seria uma oportunidade para colocar frente a frente os principais nomes da disputa. Porém, as decisões de Lula e Flávio Bolsonaro deixaram os dois líderes fora do primeiro confronto.
Com isso, Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury terão o palco praticamente para si.
A ausência dos líderes também cria uma situação estratégica: os candidatos podem tentar conquistar espaço justamente falando sobre aqueles que não estarão presentes.
E o calendário eleitoral será apertado. Depois do debate deste domingo, haverá outros três confrontos antes da votação de 4 de outubro.