Uma nova mudança de comportamento entre jovens está chamando a atenção: cada vez mais integrantes da chamada Geração Z estão reduzindo ou abandonando o consumo de álcool.
O movimento, conhecido como “geração sóbria”, poderia representar uma escolha mais saudável. O problema é que, segundo reportagem do g1, alguns jovens estão recorrendo a medicamentos para ansiedade para buscar efeitos semelhantes aos da embriaguez, o que preocupa especialistas.
MENOS ÁLCOOL, MAS OUTRO RISCO
A relação dos jovens com o álcool vem mudando. Parte dessa geração demonstra maior preocupação com saúde, bem-estar, produtividade e os efeitos do consumo de bebidas. Em vez de beber durante festas, alguns preferem permanecer sóbrios.
Mas existe uma diferença importante entre não beber e substituir o álcool por medicamentos sem indicação ou com finalidade diferente daquela para a qual foram prescritos. É justamente esse comportamento que acende o alerta.
REMÉDIO PARA ANSIEDADE NO LUGAR DA BEBIDA
Segundo o g1, alguns jovens estão usando medicamentos contra ansiedade em festas para tentar alcançar uma sensação semelhante à provocada pelo álcool.
O problema é que esses medicamentos foram desenvolvidos para tratamentos específicos e devem ser utilizados de acordo com orientação médica.
O uso inadequado pode provocar efeitos imprevisíveis e, dependendo do medicamento, levar à dependência, intoxicação e outros problemas de saúde.
POR QUE ISSO PREOCUPA?
O risco está justamente na falsa impressão de que “se não tem álcool, não faz mal”.
Medicamentos que atuam no sistema nervoso central podem alterar o estado de consciência, a coordenação motora e a capacidade de julgamento.
Além disso, a utilização sem acompanhamento profissional pode esconder ou agravar problemas relacionados à ansiedade, estresse e outros transtornos.
Por isso, especialistas defendem que a redução do consumo de álcool não seja acompanhada por uma nova forma de uso inadequado de substâncias.
UMA GERAÇÃO QUE BEBE MENOS
O movimento da chamada “geração sóbria” faz parte de uma mudança maior na maneira como muitos jovens enxergam festas e bebidas.
Para parte deles, ficar sóbrio significa ter mais controle, evitar ressacas, economizar dinheiro e manter uma rotina considerada mais saudável.
A mudança também aparece em conteúdos nas redes sociais, onde jovens compartilham experiências relacionadas à redução ou interrupção do consumo de álcool.
Mas o fenômeno não significa que toda a Geração Z tenha abandonado a bebida.
NÃO É UMA TROCA SEGURA
Especialistas fazem uma distinção importante: reduzir ou abandonar o álcool não é o problema. O alerta está em substituir a bebida por medicamentos usados sem indicação ou com objetivo recreativo.
A orientação é que medicamentos para ansiedade sejam utilizados apenas quando houver indicação e acompanhamento profissional. Em caso de ansiedade ou sofrimento emocional, o caminho mais seguro é buscar avaliação adequada, em vez de tentar controlar os sintomas por conta própria.
ENTENDA O CONTEXTO
A relação da Geração Z com o álcool vem sendo observada em diferentes países e está associada a uma mudança nos hábitos de lazer e bem-estar.
O termo “geração sóbria” ganhou força para descrever jovens que optam por beber menos ou não consumir álcool.
A tendência, por si só, pode representar uma mudança positiva. O novo alerta aparece quando a busca pela sensação provocada pela bebida leva algumas pessoas a experimentar medicamentos de forma inadequada.
A reportagem do g1 chama atenção justamente para esse paradoxo: uma geração que quer se afastar dos efeitos negativos do álcool pode acabar encontrando outro risco ao buscar alternativas sem orientação médica.