O mercado brasileiro de alimentos para cães e gatos acaba de alcançar uma marca que ajuda a dimensionar o tamanho da paixão dos brasileiros pelos animais de estimação: mais de 1 milhão de toneladas de ração foram consumidas apenas no primeiro trimestre de 2026.
O número aparece na primeira prévia do setor divulgada pelo Sindirações e reforça a força de um mercado que deixou há muito tempo de ser considerado apenas um nicho.
A projeção para todo o ano é ainda mais impressionante: o segmento de alimentos industrializados para cães e gatos deve chegar a aproximadamente 4,15 milhões de toneladas.
Um mercado que movimenta bilhões
O tamanho desse mercado também aparece no faturamento.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abempet), o segmento de pet food movimentou R$ 41,4 bilhões em 2025.
O valor representou 53% de todo o mercado pet brasileiro, mostrando que a alimentação é, de longe, uma das principais engrenagens dessa indústria.
O crescimento acompanha uma mudança no comportamento dos donos de animais. Cães e gatos passaram a ocupar um espaço cada vez maior dentro das famílias, enquanto produtos específicos para diferentes idades, portes e necessidades nutricionais ganharam espaço nas prateleiras.
O que explica o avanço da ração para pets?
A expansão do setor ocorre dentro de um movimento maior da indústria de nutrição animal.
Entre janeiro e março de 2026, o Brasil produziu 22,6 milhões de toneladas de rações para diferentes espécies, alta de 5,4% na comparação com o mesmo período.
O resultado foi puxado principalmente pelas cadeias de produção de proteína animal.
A avicultura de corte respondeu por cerca de 10 milhões de toneladas, enquanto a suinocultura alcançou aproximadamente 5,5 milhões de toneladas no período.
No segmento pet, porém, o avanço tem uma característica própria: o consumidor está cada vez mais atento à alimentação dos animais e à oferta de produtos específicos.
Indústria ainda enfrenta obstáculos
Apesar dos números robustos, o mercado não cresce sem dificuldades.
Empresas do setor apontam obstáculos como a carga tributária sobre alimentos industrializados para animais, a variação do câmbio e a perda de poder de compra das famílias.
A alta do dólar pode pressionar os custos de matérias-primas utilizadas na fabricação dos alimentos, enquanto o orçamento mais apertado dos consumidores pode dificultar a migração para produtos de maior valor agregado.
Isso cria um desafio para a indústria: crescer sem afastar consumidores pelo preço.
Brasil deve produzir quase 100 milhões de toneladas
O mercado de cães e gatos faz parte de uma indústria de nutrição animal muito maior.
Para 2026, o Sindirações projeta que a produção brasileira de rações para todas as espécies ultrapasse 98 milhões de toneladas.
Para Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, o desempenho demonstra a capacidade de resistência do setor, sustentada por ganhos de produtividade e pelo avanço da chamada nutrição de precisão.
A ideia é utilizar informações cada vez mais específicas para ajustar a alimentação às necessidades dos animais, reduzindo desperdícios e melhorando os resultados da produção.
A conta dos pets não para de crescer
O avanço do mercado de alimentação mostra como a relação entre brasileiros e animais de estimação também movimenta uma cadeia econômica gigantesca.
Não se trata apenas de ração. A indústria envolve fabricantes, distribuidores, clínicas veterinárias, pet shops, serviços de banho e tosa, medicamentos, acessórios e uma série de produtos voltados ao bem-estar dos animais.
Dentro desse universo, porém, a alimentação continua sendo o coração do negócio.
Com a projeção de 4,15 milhões de toneladas de alimentos industrializados para cães e gatos em 2026, o segmento deve continuar entre os principais motores do mercado pet brasileiro.
Entenda o contexto
O mercado brasileiro de alimentação para animais de estimação faz parte de uma indústria que ganhou escala e sofisticação nos últimos anos.
A expansão da oferta de produtos específicos para cães e gatos acompanha a maior presença desses animais dentro das famílias e a preocupação crescente dos tutores com alimentação e saúde. Ao mesmo tempo, fabricantes enfrentam desafios relacionados à tributação, ao câmbio e ao poder de compra dos consumidores.
No primeiro trimestre de 2026, o segmento pet superou 1 milhão de toneladas consumidas e a projeção do Sindirações é chegar a aproximadamente 4,15 milhões de toneladas no ano.
Em 2025, o mercado de pet food movimentou R$ 41,4 bilhões, equivalente a 53% de todo o setor pet brasileiro. A tendência é que a alimentação continue ocupando posição central nessa indústria nos próximos anos.