A Caixa Econômica Federal começa a pagar, nesta terça-feira (27), um novo lote de valores esquecidos no antigo fundo PIS/Pasep para trabalhadores e servidores que pediram ressarcimento.
Os recursos pertencem a quem teve carteira assinada ou atuou como servidor entre 1971 e 1988 e não sacou o saldo à época. Agora, esse dinheiro volta para as mãos dos titulares e de seus herdeiros, após décadas parado em uma conta única do Tesouro Nacional.
Dinheiro parado há décadas volta para os trabalhadores
O antigo PIS/Pasep foi criado para formar uma espécie de poupança do trabalhador. O fundo deixou de receber novos depósitos quando o modelo atual de abono salarial entrou em vigor, mas muitos saldos permaneceram intocados. Esses valores migraram para o Tesouro e ficaram fora do alcance imediato dos beneficiários.
O governo federal calcula que o ressarcimento movimenta uma cifra bilionária. “A estimativa, segundo o governo federal, é que mais de 10 milhões de pessoas sejam contempladas, totalizando R$ 26,3 bilhões.” Para cada beneficiário, “o saldo médio de saque é de R$ 2,8 mil”, informa a mesma fonte.
Na prática, trata-se de um reforço financeiro importante num cenário de orçamento apertado para a maioria das famílias. Em muitos casos, são valores que o trabalhador nem lembrava ter ou que os herdeiros desconheciam completamente.
Como funciona o ressarcimento pela Caixa
O pagamento deste novo lote alcança quem fez o pedido de ressarcimento até 31 de julho de 2026. O dinheiro é liberado exclusivamente pela Caixa, que usa canais digitais para tentar simplificar o acesso. O crédito cai em conta já existente no banco ou em uma conta poupança social digital aberta gratuitamente.
Para saber se há valores a receber, o caminho principal é o REPIS Cidadão, plataforma do governo dedicada ao antigo PIS/Pasep. O interessado entra com a conta gov.br, informa o Número de Identificação Social (NIS) e confere na tela se existe saldo disponível. O sistema indica, passo a passo, o que fazer para concluir o pedido ou acompanhar o pagamento.
Quem prefere o celular pode usar também o aplicativo do FGTS, que passou a concentrar diversos serviços ligados a direitos trabalhistas. A consulta é gratuita em todos os canais, e não há necessidade de intermediários ou despachantes.
Quem ganha, quem perde e até quando é possível sacar
O principal grupo beneficiado é formado por trabalhadores da iniciativa privada e servidores que atuaram entre 1971 e 1988 e não resgataram o saldo na época. Em caso de morte do titular, herdeiros podem pedir o repasse, mediante comprovação de vínculo e documentação específica exigida pela Caixa.
O impacto recai também sobre o setor público. A Caixa precisa reforçar atendimento e infraestrutura digital para dar conta da demanda, enquanto o Tesouro Nacional devolve parte dos recursos que mantinha em conta única. Cada saque representa dinheiro que deixa definitivamente os cofres da União para retornar ao bolso de quem tem direito.
O programa tem prazo definido. O pedido de ressarcimento precisa ser apresentado até 31 de julho de 2026. O saque do dinheiro liberado pode ser feito até setembro de 2028. Depois disso, os valores remanescentes voltam de forma definitiva ao Tesouro, sem possibilidade futura de resgate.
Pressa, desinformação e o risco de perder o prazo
A experiência recente com outros “dinheiros esquecidos” mostra que uma parte expressiva do público demora para buscar seus direitos. A combinação de burocracia antiga, regras pouco conhecidas e mudanças ao longo dos anos ajuda a explicar por que tantos saldos ficaram esquecidos.
O desafio do governo agora é transformar um direito em benefício concreto. A comunicação precisa chegar a aposentados, trabalhadores mais velhos e famílias de segurados já falecidos, muitas vezes distantes dos canais digitais oficiais. Sem essa ponte, uma fatia dos R$ 26,3 bilhões corre o risco de nunca sair do Tesouro.
Nos próximos meses, a tendência é que campanhas oficiais, sindicatos e entidades de classe intensifiquem a divulgação. Até setembro de 2028, a porta permanece aberta. Encerrado o prazo, o capítulo do antigo PIS/Pasep se fecha, com o fim definitivo da possibilidade de ressarcimento e a incorporação do que restar aos cofres da União.