A Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público firmaram nesta terça-feira (25) um convênio para usar o Smart Sampa na localização de homens acusados de violência contra mulheres que ainda não foram encontrados para receber notificações de medidas protetivas. Mais de 2 mil agressores estão nessa situação, segundo a Prefeitura.
Como o sistema vai funcionar
O Ministério Público vai fornecer as fotos dos homens que ainda não foram localizados. As imagens serão inseridas no sistema de videomonitoramento da capital, que poderá identificar os suspeitos por meio das câmeras espalhadas pela cidade.
Quando houver uma identificação, a Guarda Civil Metropolitana poderá fazer a abordagem para comunicar oficialmente a decisão judicial sobre a medida protetiva.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os mais de 2 mil homens representam cerca de 37% dos agressores que deveriam ter sido notificados pela Justiça e que ainda não foram encontrados pelos oficiais de Justiça.
Parceria poderá ser ampliada
A primeira etapa da iniciativa será realizada entre a Prefeitura e o Ministério Público. A previsão é que, posteriormente, o sistema seja integrado também ao Governo do Estado.
A expansão deverá envolver as polícias Civil e Militar e o programa Muralha Paulista, ampliando o cruzamento de informações e o alcance das ferramentas de monitoramento.
Tecnologia como ferramenta de proteção
A Prefeitura afirma que o uso do Smart Sampa faz parte de uma estratégia mais ampla de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres.
O sistema de videomonitoramento passa a ser utilizado não apenas para ocorrências criminais, mas também como ferramenta de apoio ao cumprimento de decisões judiciais relacionadas à proteção de mulheres.
A iniciativa foi apresentada durante o VII Seminário de Enfrentamento à Violência Doméstica, que também reuniu ações voltadas à prevenção, acolhimento e atendimento às vítimas.
São Paulo registra alta nos feminicídios
O acordo ocorre em um momento de preocupação com a violência contra mulheres no estado.
Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública citados pela Folha, São Paulo registrou 141 ocorrências de feminicídio no primeiro semestre de 2026, maior número para o período desde o início da série histórica, em 2018. Na comparação com os seis primeiros meses de 2025, houve alta de 10%.
Na capital, porém, houve redução: foram 24 ocorrências no primeiro semestre deste ano, contra 31 no mesmo período de 2025.