Flávio Bolsonaro, ontem, como Lula no dia anterior, optou pela dissimetria entre significante e significado, na bateria de perguntas do jornalismo da Globo.
Foi como se tentasse inverter a ordem natural das coisas. O produzido – que se conhece – subordinando aquilo que de fato deveria demonstrar, o exercício legal de suas proposições legítimas.
Sua estratégia, entretanto, cruza com a de Lula no significante.
Do ponto de vista moral, as acusações de tráfico de influência de Lulinha no governo do pai assemelham-se aos R$ 164 milhões prospectados por Flávio em Vorcaro para o filme de Jair Bolsonaro.
Justapondo as duas sabatinas, nota-se, aqui e acolá, avaliações sobre o significado: Lulinha não seria Lula e Lula é que seria o candidato.
Enquanto Flávio seria o próprio candidato com um volume de produção significada que Lula não herdaria do filho.
Diferente daquilo que o filho, Bolsonaro, receberia do pai, Jair, objeto dos R$ 164 milhões do Master. Uma discricionariedade injustificada.
Premissas iguais e verdadeiras e argumentos válidos não levam a conclusões desiguais. Seria um salto lógico.
Como se nota, não é possível, politicamente, seccionar as duas situações apenas estabelecendo parâmetros diferenciados ou diversas perspectivas.
Flávio, entretanto, distanciou-se de Lula na demonstração. Deu respostas evasivas não contrapostas pelos entrevistadores. E que, para os telespectadores, não contestadas, fez prevalecer o não-senso.
Corolário: considerando significante e significado, colocados, Flávio seria filho do pai na medida inversa de que Lula não seria o progenitor do seu filho.