A disputa pelo governo de São Paulo começa a revelar também quem está ajudando financeiramente os principais candidatos. Dados disponíveis no DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) já reúnem, juntos, quase R$ 25 milhões em recursos para a campanha.
A maior parte do dinheiro vem dos próprios partidos, mas as doações feitas por pessoas físicas chamam atenção pelos diferentes perfis dos apoiadores. No caso de Tarcísio, aparecem empresários ligados ao setor madeireiro, ao agronegócio e ao setor farmacêutico. Já Haddad recebeu, até o momento, valores individuais menores, feitos por pessoas ligadas ao PT.
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No levantamento divulgado a partir dos registros eleitorais, Tarcísio aparece com pouco mais de R$ 3,5 milhões em doações de pessoas físicas, distribuídas em 26 contribuições.
Além desses recursos individuais, o candidato recebeu R$ 7,8 milhões da direção nacional do Republicanos e outros R$ 1 milhão da direção estadual da legenda.
Haddad apresenta uma estrutura diferente. O candidato recebeu cerca de R$ 15 mil em doações individuais, divididos em três contribuições de R$ 5 mil, enquanto o PT repassou aproximadamente R$ 12 milhões para sua campanha.
Empresários bilionários estão entre os maiores doadores de Tarcísio
Entre as maiores contribuições individuais registradas para Tarcísio estão as realizadas pelos empresários Helio e Salo Davi Seibel, ligados à distribuidora Leo Madeiras.
Cada um fez uma doação de R$ 595 mil, colocando os dois entre os principais financiadores individuais da campanha do governador.
Os irmãos também aparecem como doadores de campanhas de outros políticos, incluindo Ricardo Salles, Nikolas Ferreira, Kim Kataguiri e Tabata Amaral, segundo o levantamento.
Agronegócio também aparece entre os grandes aportes
Outro grupo de grandes doadores está ligado ao setor empresarial e ao agronegócio.
O empresário Guilherme Mognon Scheffer realizou uma doação de R$ 500 mil para Tarcísio.
Outro aporte no mesmo valor foi feito por Fernando de Castro Marques, empresário ligado ao grupo farmacêutico União Química.
Somadas, as quatro maiores contribuições individuais mencionadas no levantamento representam R$ 2,19 milhões destinados à campanha de Tarcísio.
Haddad recebeu doações individuais de assessores
No caso de Fernando Haddad, os valores registrados como doações individuais são significativamente menores.
O candidato recebeu três contribuições de R$ 5 mil cada, totalizando R$ 15 mil.
Os doadores são Cilene Maria Obici, Maricy Ribeiro Mazzei e Luiz Martino Turco. Segundo os dados divulgados, os três têm ligação com o diretório estadual do PT em São Paulo, sendo Cilene Obici e Luiz Turco apontados como nomes ligados à estrutura da legenda.
A diferença entre as doações individuais dos dois candidatos é expressiva. Enquanto Tarcísio já recebeu mais de R$ 3,5 milhões de pessoas físicas, Haddad soma R$ 15 mil nessa modalidade, tendo como principal fonte registrada até o momento os recursos transferidos pelo próprio partido.
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Os registros também permitem comparar o cenário atual com a campanha anterior para o governo paulista.
Em 2022, Haddad recebeu R$ 1,6 milhão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de uma contribuição de R$ 40 mil feita pela escritora Beatriz Sawaya Botelho Bracher.
Naquele ano, os maiores doadores individuais da campanha de Tarcísio incluíram Fabiano Zettel e o advogado Otto Medeiros de Azevedo Junior, com R$ 2 milhões cada. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master e investigado no caso citado pelas reportagens.
Esses dados são referentes à eleição anterior e não devem ser confundidos com as doações registradas para a disputa de 2026.
Quanto cada candidato pode gastar
Para o primeiro turno da eleição para o governo de São Paulo, o TSE estabeleceu limite de gastos de R$ 26,6 milhões.
O teto determina o máximo que cada candidatura poderá utilizar durante essa etapa da disputa.
Com a campanha avançando, novos recursos podem ser registrados no sistema eleitoral, fazendo com que os valores declarados pelos candidatos sejam atualizados ao longo do período eleitoral.
DivulgaCand permite acompanhar as doações
As informações sobre receitas e despesas eleitorais são disponibilizadas pela Justiça Eleitoral por meio do DivulgaCand, permitindo que o eleitor acompanhe a origem dos recursos declarados pelas candidaturas.
A prestação de contas é uma ferramenta de transparência porque permite identificar quem realizou contribuições, quanto foi doado e quais partidos estão transferindo recursos para determinada campanha.
Os números, entretanto, representam os valores registrados até o momento da consulta e podem sofrer alterações conforme novas prestações de contas sejam apresentadas.
Entenda o contexto
A origem do dinheiro utilizado nas campanhas se tornou um dos pontos acompanhados de perto durante as eleições. Em São Paulo, os registros de 2026 mostram estratégias diferentes entre Tarcísio e Haddad.
Tarcísio concentra uma parcela relevante das doações individuais em empresários, incluindo grandes contribuições de nomes ligados à indústria, ao agronegócio e a outros setores. Paralelamente, o Republicanos também aparece como uma importante fonte de recursos.
Haddad, por outro lado, tem como principal fonte registrada o próprio PT, que já destinou cerca de R$ 12 milhões à campanha. As contribuições individuais registradas até agora somam apenas R$ 15 mil.
A fotografia financeira, porém, ainda pode mudar durante a campanha. Novas doações e transferências partidárias podem ser declaradas até o encerramento do período eleitoral.
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