A procura por suplementos alimentares atingiu em 2026 o maior nível já registrado pelo Google desde o início da série histórica, em 2004. O Brasil aparece na liderança do interesse pelo assunto na América do Sul, segundo dados do Google Trends.
E as dúvidas vão muito além da famosa creatina.
Os brasileiros querem saber qual suplemento ajuda a ganhar massa muscular, se existe algum produto capaz de emagrecer, o que tomar para queda de cabelo, qual magnésio escolher, se biotina realmente funciona e até qual seria o melhor suplemento para memória.
O problema é que, em muitos casos, a resposta dos especialistas é bem menos simples do que a promessa estampada nas redes sociais.
O interesse disparou
Entre 1º de janeiro e 20 de agosto de 2026, as buscas brasileiras pelo termo “suplemento alimentar” dobraram em relação ao mesmo período de 2021, segundo os dados levantados pelo Google Trends.
No mundo, o crescimento chegou a aproximadamente 190% na comparação entre os mesmos períodos.
O aumento também aparece em pesquisas específicas. Termos relacionados a ômega 3, magnésio, vitamina D, vitamina B12 e suplementos de ferro atingiram níveis recordes de interesse.
As três perguntas mais buscadas pelos brasileiros foram:
“Qual o melhor suplemento?”
“Para que serve o suplemento?”
“O que é suplemento alimentar?”
Afinal, existe um suplemento que seja o melhor? Não existe um suplemento ideal para todo mundo.
A indicação depende de fatores como alimentação, objetivo, sintomas, doenças, medicamentos e, quando necessário, exames.
Os especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a suplementação pode ser útil quando existe uma deficiência nutricional ou quando a alimentação não consegue fornecer determinado nutriente em quantidade suficiente.
Isso significa que comprar um produto simplesmente porque ele está na moda não é necessariamente uma boa estratégia.
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Suplemento serve para quê?
A função básica é complementar a alimentação.
Suplementos podem fornecer vitaminas, minerais, proteínas, aminoácidos, creatina, fibras, probióticos e outras substâncias autorizadas pela Anvisa.
Mas existe uma diferença importante:
suplemento alimentar não é medicamento.
Ele não deve ser utilizado com a promessa de prevenir, tratar ou curar doenças.
E também não substitui uma alimentação equilibrada.
Suplemento engorda?
Depende do produto.Vitaminas e minerais praticamente não fornecem calorias. Já suplementos de proteínas, carboidratos, gorduras e produtos hipercalóricos podem aumentar a ingestão energética.
A creatina também costuma gerar uma dúvida frequente.
Ela pode provocar aumento inicial do peso corporal por causa da retenção de água dentro das células musculares, o que não significa ganho de gordura.
Por isso, olhar apenas para o número da balança pode levar a uma interpretação errada.
Qual é o melhor suplemento para ganhar massa muscular?
Entre os produtos com melhor evidência científica para esse objetivo está a creatina monoidratada, especialmente quando combinada com treinamento de força.
Proteínas como whey protein, caseína e proteínas vegetais também podem ajudar quando a alimentação não fornece proteína suficiente.
Mas existe uma informação que costuma ficar escondida nas propagandas:
nenhum suplemento substitui treino, alimentação adequada e sono.
A base para o ganho de massa muscular continua sendo a combinação desses fatores.
E para emagrecer?
Aqui está uma das maiores armadilhas.
Segundo especialistas consultados pela Folha, não existe suplemento alimentar capaz de produzir sozinho um emagrecimento relevante e sustentado.
Proteínas e fibras podem fazer parte de uma estratégia alimentar e ajudar na saciedade, mas isso é diferente de dizer que um produto “queima gordura”.
Termogênicos e produtos vendidos como aceleradores do metabolismo também exigem cuidado.
A promessa de emagrecimento rápido pode ser muito mais poderosa do que a evidência científica disponível.
Magnésio: qual escolher?
Essa é outra dúvida que disparou nas buscas.
Não existe uma única forma de magnésio que seja melhor para todas as pessoas.
A escolha depende da indicação, da quantidade de magnésio elementar, da absorção e da tolerância de cada organismo.
Algumas formas apresentam maior biodisponibilidade, enquanto outras podem provocar mais efeitos gastrointestinais.
Por isso, escolher um produto apenas porque determinada versão viralizou nas redes sociais não é suficiente.
E os suplementos para cabelo?
Também não existe uma fórmula universal.
A queda de cabelo pode estar relacionada a deficiência de ferro, alterações hormonais, problemas na tireoide, perda de peso, estresse, pós-parto, medicamentos ou doenças dermatológicas.
Nesse cenário, tomar um suplemento sem descobrir a causa pode não resolver o problema.
Quando existe deficiência nutricional, a suplementação pode ser indicada.
Mas isso é diferente de tomar vitaminas indiscriminadamente esperando que o cabelo cresça mais rápido.
Biotina faz o cabelo crescer?
A biotina, também conhecida como vitamina B7, participa do metabolismo de carboidratos, gorduras e aminoácidos.
A deficiência é considerada rara.
Apesar de ser frequentemente associada à saúde dos cabelos e das unhas, não há evidência consistente de que doses elevadas promovam crescimento capilar em pessoas que não têm deficiência.
Outro detalhe importante: doses elevadas de biotina podem interferir em determinados exames laboratoriais.
Por isso, quem utiliza o suplemento deve informar o médico e o laboratório.
Existe suplemento para melhorar a memória?
Também não há uma solução universal.
Antes de pensar em suplementação, é necessário considerar fatores como sono, medicamentos, sedentarismo e possíveis deficiências nutricionais.
A vitamina B12, por exemplo, pode estar relacionada à função cognitiva quando existe deficiência.
Mas isso não significa que uma pessoa com níveis adequados terá necessariamente algum benefício ao consumir doses extras.
E na menopausa?
Não existe um suplemento que sirva igualmente para todas as mulheres nessa fase.
Cálcio e vitamina D podem ser indicados em determinadas situações, especialmente de acordo com alimentação e risco ósseo.
Já fitoterápicos e isoflavonas podem apresentar resultados variados e não têm a mesma eficácia da terapia hormonal para sintomas como ondas de calor.
A indicação precisa considerar as características de cada mulher.
O risco de tomar vários suplementos ao mesmo tempo
O aumento das buscas também revela uma tendência preocupante: a ideia de que quanto mais suplementos, mais saudável a pessoa será.
Não é assim.
Especialistas alertam que pessoas saudáveis estão recorrendo a combinações de vários produtos sem necessariamente terem uma necessidade nutricional identificada.
Em alguns casos, a suplementação pode ser necessária. Entre as situações citadas por especialistas estão deficiências nutricionais, gestação, cirurgia bariátrica e determinadas condições relacionadas à saúde óssea.
Mas tomar vários produtos simultaneamente sem orientação pode aumentar riscos de excesso, efeitos adversos e interações.
Como saber se um suplemento é confiável?
Antes de comprar, é importante verificar se o produto está regularizado.
A recomendação é conferir as informações presentes no rótulo e consultar os registros, notificações, alertas e listas de produtos irregulares disponibilizados pela Anvisa.
O cuidado não é exagero.
Em 17 de agosto, a agência determinou a proibição da fabricação, comercialização e uso de suplementos das marcas SharkPro e Newfit, após identificar irregularidades relacionadas ao controle de qualidade e adulteração dos produtos.
O episódio reforça uma regra básica:
suplemento não é inofensivo só porque é vendido como alimento.
A pergunta certa talvez seja outra
Com tanta gente pesquisando “qual é o melhor suplemento?”, talvez a pergunta mais importante seja:
“Eu realmente preciso de um suplemento?”
Essa resposta depende da alimentação, da rotina, do objetivo e das condições de saúde de cada pessoa.
A suplementação pode ser uma ferramenta útil quando existe uma necessidade real.
Mas transformar comprimidos, cápsulas e pós em uma espécie de “seguro contra uma vida
pouco saudável” é outra história.
E os especialistas são claros: mais suplementos não significam automaticamente mais saúde.
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Entenda o contexto
O interesse por suplementos alimentares atingiu em 2026 o maior patamar desde o início da série histórica do Google Trends, em 2004.
No Brasil, as buscas pelo termo dobraram na comparação entre janeiro e agosto de 2026 e o mesmo período de 2021.
Entre as principais dúvidas estão perguntas sobre creatina, magnésio, emagrecimento, ganho de massa muscular, queda de cabelo, memória, menopausa, biotina e vitaminas.
A orientação dos especialistas, porém, passa por um ponto comum: suplementação deve responder a uma necessidade específica e não substituir alimentação, exercício ou acompanhamento profissional.