A segurança pública é uma das principais áreas de disputa entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição para o Governo de São Paulo. Apesar das diferenças políticas, os dois candidatos apresentam propostas semelhantes em pontos como uso de tecnologia, inteligência artificial, integração de dados e combate ao crime organizado.
As principais divergências aparecem na forma de colocar essas ferramentas em prática. Enquanto Haddad concentra sua proposta em investigação, inteligência policial, controle da atuação das forças de segurança e transparência, Tarcísio defende ampliar estruturas de monitoramento, policiamento ostensivo e sistemas tecnológicos já implantados durante seu governo.
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Entenda O Que Aconteceu
Os dois candidatos colocam o combate ao crime organizado no centro de seus planos para São Paulo, mas partem de caminhos diferentes.
Haddad propõe criar uma Agência Estadual Antifacção, reunindo Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Estadual, Ministério Público e órgãos de controle. A estrutura também teria articulação com instituições federais, como Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central e Coaf.
A ideia é atingir as organizações criminosas não apenas pela prisão de integrantes, mas também pelo bloqueio de recursos e desarticulação financeira das facções.
Tarcísio Quer Ampliar Monitoramento
Já Tarcísio aposta na expansão das ferramentas tecnológicas utilizadas pelo governo estadual.
Um dos principais exemplos é o Muralha Paulista, sistema que reúne câmeras, leitura de placas, reconhecimento facial e integração de bancos de dados para auxiliar as forças de segurança.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a estrutura alcança 97% da população paulista e já contribuiu para a captura de mais de 15 mil pessoas. Desde 2023, o governo afirma ter investido mais de R$ 1,7 bilhão em inteligência, investigação, integração de bases e tecnologia.
O governo também afirma que o sistema reúne 125,5 mil sensores e está presente em 613 municípios.
Haddad Critica Muralha Paulista
Haddad, por outro lado, afirma que o programa não entregou os resultados esperados e defende uma modernização da estrutura tecnológica do Estado.
O petista chegou a classificar o Muralha Paulista como uma “fraude” e afirmou que São Paulo precisa avançar no uso de tecnologias de ponta para enfrentar organizações criminosas cada vez mais sofisticadas.
O governo Tarcísio rebate a crítica e afirma que os investimentos em inteligência e tecnologia produziram resultados na redução de crimes e na captura de suspeitos.
Câmeras Corporais Também Dividem Candidatos
Outro ponto de conflito está no uso das câmeras corporais pelos policiais militares.
Haddad defende a retomada do modelo de gravação ininterrupta, adotado anteriormente pela PM paulista. Para o candidato, o sistema aumenta a proteção tanto da população quanto dos próprios policiais.
Tarcísio, por sua vez, mantém um modelo diferente. As câmeras passaram a gravar continuamente, mas o armazenamento das imagens depende do acionamento do sistema, geralmente de forma remota pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).
O governador argumenta que a mudança está relacionada aos custos de manutenção do modelo anterior.
Investigação É O Principal Contraste
A diferença entre os dois candidatos também aparece na maneira como pretendem estruturar a investigação policial.
Haddad coloca maior peso na inteligência, integração entre instituições e acompanhamento de indicadores. A proposta é aproximar diferentes órgãos para identificar a movimentação financeira e operacional das organizações criminosas.
Tarcísio prefere ampliar ferramentas já existentes e reforçar o policiamento baseado em dados e monitoramento tecnológico.
Apesar da disputa, ambos defendem que o Estado precisa utilizar tecnologia para acompanhar a evolução do crime organizado.
Entenda O Contexto
A segurança pública se tornou um dos principais temas da eleição para o Governo de São Paulo e coloca Haddad e Tarcísio em uma disputa que vai além da quantidade de policiais nas ruas.
Os dois candidatos reconhecem a importância de tecnologia, inteligência artificial e integração de informações, mas divergem sobre o modelo de segurança que deve ser priorizado. Haddad defende uma atuação mais concentrada em investigação, inteligência e controle da atividade policial, enquanto Tarcísio aposta na expansão de sistemas de monitoramento e das estruturas criadas durante sua gestão.
A discussão sobre câmeras corporais e o Muralha Paulista deve continuar entre os principais pontos de confronto durante a campanha.
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