A Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, na Região Central de Minas Gerais, poderá voltar a receber visitantes após autorização da Justiça. A decisão foi tomada depois que o município cumpriu a maior parte das medidas de segurança previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
O poço principal estava interditado desde 24 de julho, por solicitação do MPMG. A liberação, no entanto, não encerra as exigências: os equipamentos de monitoramento precisam funcionar continuamente e protocolos de segurança deverão ser mantidos para que a visitação continue autorizada.
Leia também:
Simões concentra 70% dos gastos em anúncios entre candidatos ao Governo de Minas
Entenda o que aconteceu
A autorização foi concedida pela Vara Única da Comarca de Conceição do Mato Dentro. O Ministério Público reconheceu que a prefeitura cumpriu a maior parte das medidas de segurança previstas no acordo firmado em dezembro de 2025.
A Cachoeira do Tabuleiro havia retomado integralmente a visitação em julho, depois de quase cinco anos de restrições ao acesso ao poço principal. Poucos dias depois, porém, uma nova interdição foi determinada a pedido do Ministério Público.
Novos equipamentos monitoram a cachoeira
Uma das principais mudanças foi a instalação de uma estação sismográfica permanente, equipada com um geofone triaxial conectado ao maciço rochoso. O equipamento funciona com alimentação solar e transmite dados remotamente em tempo real.
Também foi instalada uma estação hidrometeorológica, localizada cerca de dois quilômetros acima da queda principal. O sistema acompanha continuamente os índices de chuva e o nível do curso d’água.
Drones também serão usados na segurança
Outra medida adotada foi a criação do Sistema Permanente de Segurança do Parque Natural Municipal do Tabuleiro (SISSEG-PNMT), responsável por estabelecer protocolos para o funcionamento da área.
O sistema prevê ainda o monitoramento visual e fotogramétrico do paredão rochoso utilizando drones. O objetivo é identificar antecipadamente eventuais alterações geológicas que possam representar risco aos visitantes.
Prefeitura ainda tem pendências
Apesar da autorização para a retomada das visitas, algumas exigências permanecem. O município terá 15 dias para regularizar quatro itens informativos na portaria do parque.
Entre as pendências estão a identificação do profissional responsável pela inspeção da cachoeira e a disponibilização de informações sobre as estações meteorológica e sismológica, os índices de chuva e as atividades recentes de vibração do maciço rochoso.
Veja também:
Vizinhas entram em casa e impedem agressões contra duas idosas em Minas
Nova avaliação do paredão será necessária
O Ministério Público determinou ainda a realização de uma nova avaliação geológico-geotécnica do paredão. O documento deverá ser apresentado em até 30 dias depois do encerramento do próximo período chuvoso.
Caso as determinações não sejam cumpridas, a Cachoeira do Tabuleiro poderá ser interditada novamente. O MPMG informou que continuará acompanhando o cumprimento das obrigações estabelecidas no acordo.
Entenda o contexto
Com 280 metros de altura, a Cachoeira do Tabuleiro é considerada a mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil. A atração fica no Parque Natural Municipal do Tabuleiro e integra a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco.
O acesso ao poço principal ficou restrito por quase cinco anos devido ao risco de desprendimento de blocos de rocha. Após intervenções e estudos técnicos, o local foi reaberto em 19 de julho deste ano, mas voltou a ser interditado poucos dias depois. Agora, a nova decisão judicial permite outra retomada da visitação, condicionada à manutenção permanente dos sistemas e protocolos de segurança.
Mais lidas do NC News:
Augusto Cury defende semipresidencialismo e mandato de 8 anos para ministros do STF
Imprensa internacional chama mensagens de Vorcaro e Moraes de “bomba atômica”
Vorcaro prestou depoimento a auxiliar de André Mendonça sem presença da PF