Relatórios da Polícia Civil de São Paulo mostram que o Discord levou quase 17 dias para remover um servidor denunciado por investigadores por conteúdos relacionados a crimes e práticas violentas. Os documentos reúnem 63 comunicações emergenciais feitas entre maio de 2025 e janeiro de 2026.
Os registros foram produzidos pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) e compartilhados com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Segundo os investigadores, a plataforma apresenta dificuldades para impedir o acesso de menores a conteúdos impróprios e para interromper atividades criminosas.
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Entenda O Que Aconteceu
De acordo com os relatórios, a média de resposta do Discord às comunicações emergenciais foi de aproximadamente 17 horas. Em situações consideradas de risco à vida, porém, os policiais avaliam que o tempo necessário para preencher os formulários, apresentar justificativas e aguardar a análise da plataforma pode aumentar o dano.
Entre os conteúdos identificados estavam casos de automutilação, incentivo ao suicídio, estupros virtuais, abuso sexual infantil, maus-tratos a animais e ataques contra pessoas em situação de rua. Em alguns servidores, havia mais de um tipo de prática criminosa.
Servidor Levou Mais De 16 Dias Para Ser Removido
Um dos casos mais demorados começou em 15 de julho de 2025. A Polícia Civil comunicou ao Discord a existência de um servidor que organizava um evento envolvendo o sacrifício de gatos.
Após não receber resposta, o Noad fez novas solicitações e reforçou a urgência do caso. Sete dias depois, a plataforma negou a remoção, sem apresentar justificativa, segundo o relatório.
A retirada só ocorreu 16 dias, 18 horas, 29 minutos e 33 segundos depois do primeiro alerta.
Em outro episódio, um servidor relacionado a estupros virtuais e automutilação foi denunciado em 5 de agosto. A remoção aconteceu 188 horas e 23 minutos depois, segundo os documentos.
Também Houve Respostas Em Minutos
Os relatórios mostram que o tempo de resposta variou bastante.
Em um caso registrado em 11 de junho de 2025, a Polícia Civil informou às 19h43 sobre um servidor relacionado a estupros virtuais, automutilação e incentivo ao suicídio. A confirmação da remoção chegou às 19h59, apenas 16 minutos depois.
Para os investigadores, a diferença entre os casos demonstra uma falta de padrão na velocidade de resposta da plataforma.
Polícia Questiona Controle De Usuários
Outro ponto levantado nos documentos é a dificuldade de identificar e controlar usuários.
Segundo a Polícia Civil, o Discord permite a criação de contas com poucos dados e utiliza informações que podem ser falsas, como nome de exibição e data de nascimento. Os investigadores também apontam que não haveria mecanismos suficientes para impedir que uma mesma pessoa criasse novos perfis com pequenas alterações.
A avaliação consta de documento encaminhado à ANPD em agosto.
Discord Já É Alvo De Ações No Brasil
A divulgação dos relatórios ocorre em meio ao aumento da pressão das autoridades sobre a plataforma.
Desde 12 de agosto, as transmissões ao vivo e recursos de vídeo do Discord estão suspensos no Brasil por determinação da ANPD. A medida foi tomada após a agência apontar riscos relacionados à violência, assédio, automutilação e suicídio envolvendo crianças e adolescentes.
Além disso, a União entrou com uma ação civil pública contra o Discord e pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos, além da adoção de novas medidas de proteção. Uma audiência de conciliação entre o governo e a plataforma está marcada para esta quarta-feira (2), em Brasília.
Em São Paulo, o Ministério Público também ajuizou uma ação contra a empresa após receber novos elementos produzidos pela Polícia Civil.
Entenda O Contexto
Os relatórios da Polícia Civil de São Paulo aumentam a pressão sobre o Discord em um momento em que autoridades brasileiras discutem como plataformas digitais devem agir diante de conteúdos criminosos e de riscos envolvendo menores.
Os documentos não indicam que todos os pedidos tenham sido ignorados pela empresa, mas mostram diferenças significativas nos tempos de resposta, incluindo um caso em que a remoção demorou mais de 16 dias.
A plataforma já enfrenta medidas da ANPD e ações judiciais que cobram mudanças nos mecanismos de segurança e proteção de crianças e adolescentes.
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