Zema chama Moraes de “consultor jurídico” de Vorcaro e elogia Mendonça em sabatina

Candidato do Novo defende fim das decisões monocráticas no STF e critica silêncio de Lula sobre o caso Master
Redação NC News
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O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) usou fortes críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante entrevista à TV Jovem Pan nesta quinta-feira (3). Zema afirmou que o STF vive uma “crise de credibilidade” e disse que, se dependesse de brio próprio, ministros envolvidos em irregularidades já teriam pedido demissão.

Na mesma entrevista, o candidato elogiou o ministro André Mendonça, responsável por derrubar o sigilo de investigações da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master — material que revelou troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, preso, e Moraes.

Entenda o que aconteceu

Questionado sobre o papel de Moraes nas investigações que envolvem Vorcaro, Zema classificou a atuação do ministro como a de um “consultor jurídico” a serviço do banqueiro, numa comparação que associa o cargo de Moraes no Supremo a uma espécie de assessoria privada para o dono do Banco Master. Segundo o candidato, [ASPAS]se alguém quer ficar milionário, nada contra, mas vá abrir um escritório de advocacia[/ASPAS].

O ex-governador de Minas Gerais também mencionou o contrato entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, cobrando transparência de autoridades e familiares em relação a esse tipo de vínculo financeiro.

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Propostas para o STF

Zema afirmou que, se eleito, pretende acabar com as decisões monocráticas no Supremo — ou seja, decisões tomadas por um único ministro sem passar pelo colegiado. Ele também defendeu que a escolha de novos ministros para a Corte passe a considerar apenas candidatos acima de 60 anos, selecionados a partir de uma lista tríplice montada com representantes dos Três Poderes, do Ministério Público, da OAB e de outras entidades.

Entre as medidas de transparência propostas pelo candidato está a obrigatoriedade de que servidores públicos de alto escalão declarem contratos próprios e de familiares.

Crítica ao silêncio de Lula

Zema também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ele, não ter se manifestado publicamente sobre os desdobramentos do caso Master e o possível envolvimento de ministros do STF. Para o candidato, a ausência de cobrança por parte do petista favorece pessoas de seu entorno político.

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Relação com a família Vorcaro

O candidato negou qualquer contato pessoal com Daniel Vorcaro ou com o pai dele, Henrique Vorcaro, que teria doado R$ 1 milhão ao Partido Novo em um momento anterior às suspeitas contra o banco. Zema disse que o partido não teria aceitado a doação caso já soubesse da origem dos recursos na época.

Ele também comentou uma decisão judicial que obrigou o governo de Minas Gerais, sob sua gestão, a divulgar a lista de empresas beneficiadas por incentivos fiscais — lista que incluía uma empresa da própria família Zema. O candidato afirmou respeitar decisões da Justiça.
Fim da escala 6×1 e segurança pública

Zema criticou a aprovação da PEC do Fim da Escala 6×1 pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira (2), chamando a proposta de medida populista em ano eleitoral. Ele defendeu um modelo de contrato por hora trabalhada, no qual cada trabalhador definiria sua própria jornada.

Na área de segurança pública, o candidato propôs dar autonomia aos estados para legislar sobre direito penal, permitindo que cada unidade da federação defina agravantes específicos para crimes, como o feminicídio, possibilitando comparação entre diferentes modelos de política criminal.

Entenda o contexto

As declarações de Zema ocorrem em meio à repercussão do relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master, que teve o sigilo derrubado por decisão do ministro André Mendonça. O material aponta uma série de contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, que é investigado pelo caso — sem que isso configure, até o momento, qualquer conclusão sobre culpa. O presidente do STF, Edson Fachin, já sinalizou que vai levar o assunto ao plenário da Corte para definição dos próximos passos institucionais.

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