A disputa pela Presidência da República ganha contornos diferentes quando observada estado por estado. Levantamentos da Quaest realizados em 24 estados e no Distrito Federal mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente em 12 unidades da Federação cada, enquanto Goiás apresenta Ronaldo Caiado (PSD) na primeira colocação.
O mapa, porém, exige uma leitura além das cores. Em vários estados, a diferença entre Lula e Flávio está dentro da margem de erro. Isso ocorre justamente em alguns dos maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde nenhum dos dois pode ser considerado isoladamente à frente considerando a margem dos levantamentos.
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Entenda o que aconteceu
A Quaest realizou uma série de pesquisas estaduais para medir as intenções de voto na eleição presidencial. Quando se considera apenas quem tem o maior percentual numérico em cada unidade pesquisada, o resultado revela um país praticamente dividido entre os dois principais candidatos.
Lula aparece numericamente à frente em Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Tocantins, Amazonas, Amapá, Sergipe, Bahia e Pará, além do Distrito Federal.
Já Flávio Bolsonaro registra o maior percentual no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Rio de Janeiro, Acre, Roraima e Espírito Santo.
Em Goiás, o cenário é diferente: Ronaldo Caiado aparece numericamente na primeira posição.

Lula concentra suas maiores vantagens no Nordeste
O mapa mostra uma força significativa de Lula nos estados nordestinos pesquisados.
No Maranhão, o petista chega a 58%, contra 20% de Flávio Bolsonaro. Em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, Lula registra 54%. Em Sergipe, são 53%.
Na Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste, Lula aparece com 50%, enquanto Flávio tem 17%. Na Paraíba, o placar também é de 50% para Lula contra 21% do candidato do PL.
Os resultados indicam que a região continua sendo uma das principais bases eleitorais do atual presidente.
Flávio abre vantagens maiores no Sul e em estados do Norte
Flávio Bolsonaro apresenta alguns de seus melhores resultados em estados onde o bolsonarismo já demonstrou força nas eleições anteriores.
Em Roraima, o candidato do PL registra 52%, contra 17% de Lula. No Acre, Flávio tem 42%, enquanto Lula aparece com 25%.
No Sul, a vantagem também é expressiva em alguns estados. Flávio marca 45% em Santa Catarina, contra 20% de Lula, e chega a 41% no Paraná, diante de 23% do petista.
Em Rondônia, são 45% para Flávio e 25% para Lula.
São Paulo, Minas e Rio têm disputa apertada
O cenário ganha ainda mais importância quando se observa o Sudeste.
Em São Paulo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente com 30%, enquanto Lula tem 29%. A diferença de apenas um ponto está dentro da margem de erro.
Em Minas Gerais, ocorre situação semelhante: Flávio registra 31%, contra 30% de Lula.
No Rio de Janeiro, Flávio tem 31%, enquanto Lula aparece com 29%.
Apesar de Flávio aparecer numericamente na frente nos três estados, os levantamentos indicam empate técnico.
Isso torna o Sudeste uma região estratégica para as duas campanhas, principalmente porque concentra uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.
Goiás foge da polarização entre Lula e Flávio
Goiás apresenta uma configuração diferente da maior parte do mapa.
No estado, Ronaldo Caiado aparece com 32%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 27%, e Lula, com 20%.
Considerando a margem de erro, Caiado e Flávio estão tecnicamente empatados.
O resultado mostra que, apesar da forte polarização nacional entre Lula e Flávio, candidaturas alternativas conseguem apresentar desempenho competitivo em determinados redutos eleitorais.
Liderança numérica não significa vantagem consolidada
A leitura do mapa exige cautela.
Quando são consideradas as margens de erro, Lula apresenta vantagem fora desse intervalo em Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Flávio Bolsonaro aparece em vantagem fora da margem em Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.
Outras unidades pesquisadas apresentam diferenças pequenas o suficiente para caracterizar empate técnico entre os dois.
Por isso, o placar de 12 a 12 representa apenas quem registra o maior percentual nominal em cada unidade pesquisada, e não significa que cada candidato tenha liderança estatisticamente consolidada em 12 unidades.
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Pesquisa nacional mostra Lula com 37% e Flávio com 29%
O retrato estadual também pode ser comparado ao levantamento nacional mais recente da Quaest.
Na pesquisa divulgada em 2 de setembro, Lula aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 29%.
Augusto Cury (Avante) aparece com 10%, Renan Santos (Missão) tem 3%, e Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 1% cada.
Em uma simulação de segundo turno entre os dois principais candidatos, Lula aparece com 42% e Flávio com 41%, configurando empate técnico.
A pesquisa nacional ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Entenda o contexto
O mapa estadual ajuda a revelar diferenças regionais que ficam escondidas quando se observa apenas uma pesquisa nacional.
Lula apresenta suas maiores vantagens principalmente no Nordeste, enquanto Flávio demonstra força em estados do Sul, Centro-Oeste e Norte. Ao mesmo tempo, os resultados apertados no Sudeste colocam São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no centro da estratégia das campanhas.
Esses três estados têm peso decisivo no eleitorado brasileiro. Uma pequena mudança nas intenções de voto nesses locais pode representar milhões de votos na contagem nacional.
As pesquisas representam um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas e não uma previsão do resultado das urnas. Margem de erro, indecisos e mudanças durante a campanha também precisam ser considerados na interpretação dos números.
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