EUA acusam empresas chinesas de usar IA americana para acelerar desenvolvimento

Washington afirma que seis companhias chinesas utilizam técnica de “destilação” para extrair capacidades de modelos americanos; Pequim nega irregularidades e acusa os EUA de tentar monopolizar a inteligência artificial
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os Estados Unidos acusaram seis empresas chinesas de inteligência artificial de utilizar modelos americanos para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas. Segundo autoridades de segurança e inteligência dos EUA, as companhias estariam empregando uma técnica conhecida como “destilação” para extrair capacidades de modelos avançados desenvolvidos por empresas americanas.

A acusação amplia a disputa tecnológica entre Washington e Pequim justamente em um momento de forte competição pelo domínio da inteligência artificial. Entre as empresas citadas pelas autoridades americanas estão DeepSeek, Alibaba, Moonshot AI e Z.ai.

VEJA TAMBÉM:

Primeiro iPhone dobrável da Apple chega ao Brasil custando até R$ 30.999

Quase metade dos alunos brasileiros já usa IA para estudar e índice supera média mundial

Quase metade dos alunos brasileiros já usa IA para estudar e índice supera média mundial

 

Entenda o que aconteceu

A acusação foi apresentada em um comunicado conjunto de órgãos americanos de segurança cibernética e aplicação da lei. As autoridades afirmam que empresas chinesas vêm utilizando modelos desenvolvidos por companhias dos Estados Unidos, como Anthropic, OpenAI, Google e SpaceX, para treinar e aprimorar seus próprios sistemas.

De acordo com os americanos, a prática ocorre desde pelo menos o fim de 2024 e teria sido realizada em uma escala considerada industrial. As autoridades também afirmam que algumas empresas teriam usado diferentes caminhos para conseguir acesso aos modelos, inclusive por meio de contas e assinaturas que violariam os termos de uso das plataformas.

O que é a destilação de inteligência artificial

A destilação é uma técnica utilizada no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

De maneira simplificada, um modelo menor pode aprender com as respostas produzidas por um modelo maior e mais sofisticado. Em vez de desenvolver toda a capacidade do sistema do zero, os pesquisadores utilizam os resultados do modelo avançado como referência para treinar uma nova ferramenta.

A técnica pode reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos modelos.

O problema está na forma como esse processo é realizado. Segundo os Estados Unidos, empresas chinesas estariam utilizando modelos americanos para obter capacidades protegidas e acelerar seus próprios sistemas de maneira considerada indevida.

Quais empresas chinesas foram citadas

O comunicado americano menciona seis empresas chinesas, entre elas DeepSeek, Alibaba, Moonshot AI e Z.ai.

As autoridades afirmam que os grupos teriam utilizado diferentes modelos americanos durante campanhas de destilação. O objetivo, segundo Washington, seria reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de sistemas chineses.

Os Estados Unidos também afirmam que essas atividades teriam ocorrido com provável conhecimento do governo chinês, uma alegação que Pequim rejeita.

China rejeita acusações dos Estados Unidos

O governo chinês classificou as acusações americanas como infundadas.

O Ministério do Comércio da China afirmou que Washington estaria tentando estabelecer um monopólio sobre a indústria de inteligência artificial. Já o Ministério das Relações Exteriores pediu o fim do que considera acusações e difamações contra o país.

Pequim também defendeu o desenvolvimento independente da tecnologia chinesa e criticou o que considera uma tentativa dos Estados Unidos de limitar a competição no setor.

A resposta chinesa ocorre em meio a uma disputa mais ampla entre os dois países por tecnologia, chips avançados e inteligência artificial.

LEIA TAMBÉM:

Eclipse solar Brasil: veja quando e onde será em agosto de 2027

Xbox muda regras do Cloud Gaming e limita horas de streaming no Game Pass

Apple enfrenta processo de R$ 14 bilhões por suposto favorecimento a apps próprios

Por que a disputa pela IA é tão importante

A inteligência artificial se tornou uma das principais áreas de competição tecnológica entre Estados Unidos e China.

Além do impacto econômico, a tecnologia possui aplicações em áreas estratégicas, como segurança cibernética, defesa, indústria, comunicação e processamento de informações.

Washington vem adotando restrições para limitar o acesso chinês a algumas tecnologias avançadas, especialmente semicondutores utilizados no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, empresas chinesas passaram a desenvolver modelos capazes de competir internacionalmente em desempenho e custo.

Técnica pode acelerar desenvolvimento de modelos

Um dos motivos pelos quais a destilação chamou atenção das autoridades americanas é a possibilidade de reduzir significativamente o custo necessário para desenvolver determinados sistemas.

Em vez de construir uma tecnologia completamente nova, uma empresa pode utilizar as respostas de um modelo avançado como uma espécie de referência para treinar outro sistema.

Especialistas ressaltam, porém, que a destilação não é necessariamente ilegal ou indevida em todos os casos. A técnica também pode ser utilizada de maneira legítima, inclusive quando uma empresa desenvolve uma versão menor de seu próprio modelo.

A controvérsia está no acesso aos modelos de terceiros e na utilização de informações protegidas pelos termos de uso ou por direitos de propriedade intelectual.

Acusações aumentam tensão antes de encontro entre Trump e Xi

A nova disputa ocorre poucas semanas antes de uma reunião planejada entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.

A inteligência artificial deve estar entre os temas estratégicos das relações entre os dois países, ao lado de comércio, segurança e tecnologia.

As acusações americanas acrescentam mais um ponto de tensão às negociações e podem aumentar a pressão por novas restrições contra empresas chinesas.

Entenda o contexto

A disputa pela inteligência artificial é parte de uma competição tecnológica mais ampla entre Estados Unidos e China.

Os americanos buscam manter a liderança em modelos avançados de IA e, ao mesmo tempo, limitar o acesso chinês a determinadas tecnologias consideradas estratégicas. A China, por sua vez, tenta desenvolver uma indústria nacional capaz de reduzir sua dependência de empresas e componentes estrangeiros.

Nesse cenário, empresas como DeepSeek, Alibaba e Moonshot AI ganharam espaço com modelos que passaram a chamar atenção internacional.

As acusações sobre destilação mostram que a disputa deixou de envolver apenas a capacidade de criar modelos melhores e passou a incluir também a origem dos dados utilizados no treinamento, o acesso aos sistemas de outras empresas e os limites da propriedade intelectual na inteligência artificial.

O caso ainda pode provocar novas medidas de Washington contra empresas chinesas, mas as acusações não significam, por si só, que as companhias citadas tenham sido judicialmente condenadas por roubo de tecnologia.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:

 

Debates eleitorais são cancelados após Lula, Flávio Bolsonaro e Tarcísio não confirmarem presença

Candomblecista denuncia intolerância religiosa após proprietário cancelar aluguel de imóvel na Bahia

“Meu sonho”: Neymar se manifesta nas redes e cobra contratação de Coutinho no Santos

 

Carregar Comentários