O governo federal liberou R$ 6,6 bilhões em crédito extraordinário para subsidiar combustíveis no Brasil. A medida foi oficializada nesta quarta-feira (9), por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do total, R$ 5,6 bilhões serão destinados à subvenção econômica do óleo diesel rodoviário. Outros R$ 998 milhões serão utilizados para apoiar a produção e a importação de derivados de petróleo, como gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP).
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Entenda o que aconteceu
A nova liberação de recursos ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, pressionada pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelos riscos para o fornecimento global de energia.
A medida provisória estabelece que os recursos sejam direcionados ao Ministério de Minas e Energia, com aplicação sob responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O objetivo é reduzir os efeitos da valorização internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no mercado brasileiro, principalmente no diesel utilizado pelo transporte rodoviário.
Maior parte do dinheiro vai para o diesel
Dos R$ 6,6 bilhões liberados, R$ 5,6 bilhões serão destinados ao diesel rodoviário.
O mecanismo funciona por meio de uma subvenção econômica, que reduz o impacto do preço internacional sobre os produtores e importadores do combustível.
A medida tem impacto direto sobre um dos principais custos do transporte de cargas no país, já que o diesel é utilizado em grande parte da frota de caminhões.
O restante dos recursos, R$ 998 milhões, será destinado à produção e à importação de outros derivados de petróleo, incluindo gasolina, querosene de aviação e GLP.
Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo
A alta dos combustíveis está relacionada ao aumento das cotações internacionais do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio.
Nesta quarta-feira (9), o petróleo Brent chegou a superar US$ 100 por barril, atingindo o maior nível em cerca de seis semanas, diante das preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento global.
O cenário aumenta a pressão sobre países que dependem de derivados de petróleo e também cria desafios para governos que tentam evitar que a alta internacional seja totalmente repassada aos consumidores.
Medidas começaram no início do ano
O governo federal vem adotando medidas para tentar reduzir os efeitos da crise internacional de energia desde março.
Entre as ações estão subsídios ao diesel, mudanças tributárias e mecanismos de apoio a produtores e importadores. A Instituição Fiscal Independente do Senado já havia apontado que as medidas adotadas para reduzir os impactos do choque do petróleo envolviam despesas e renúncias fiscais.
Em março e abril, por exemplo, foram criados mecanismos de subvenção ao diesel e medidas para tentar compensar os efeitos da alta do petróleo sobre a economia brasileira.
Governo havia iniciado retirada de incentivos
Antes da nova escalada dos preços internacionais, o governo já havia começado a retirar parte das medidas emergenciais adotadas durante o ano.
A estratégia foi revista diante da retomada da pressão sobre o petróleo. A nova liberação de recursos mantém o apoio ao setor enquanto persistem as incertezas provocadas pelo conflito internacional.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, uma subvenção anterior para a gasolina também estava prevista para terminar, enquanto o novo pacote concentra recursos principalmente no diesel e em outros derivados.
Como o subsídio afeta os preços
O subsídio não significa que o governo determine diretamente o preço cobrado nas bombas.
O valor pago pelo consumidor depende de diferentes fatores, entre eles o preço dos combustíveis nas refinarias, impostos, custos de transporte, margens de distribuição e revenda e a mistura de biocombustíveis.
A política de subvenção atua em uma parte dessa cadeia para reduzir o impacto das oscilações internacionais sobre produtores e importadores.
Dados divulgados pela ANP mostram que, na primeira semana de setembro, a gasolina registrou preço médio nacional de R$ 6,53 por litro, enquanto o diesel S-10 ficou em R$ 6,88. Os valores, porém, variam entre as regiões do país.
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Impacto sobre inflação e economia
A alta do petróleo pode afetar outros setores da economia porque os combustíveis estão presentes em diferentes etapas da cadeia produtiva e logística.
Um relatório da Instituição Fiscal Independente do Senado divulgado em abril estimou que uma elevação de 10% no preço do petróleo Brent poderia provocar impacto de aproximadamente 0,2 ponto percentual no IPCA, dependendo das condições consideradas no cenário analisado.
O mesmo estudo apontou que medidas de apoio aos combustíveis poderiam aumentar despesas públicas, embora a elevação da arrecadação relacionada ao petróleo pudesse produzir efeitos positivos sobre as receitas do governo.
Entenda o contexto
O governo federal vem adotando medidas para tentar limitar os efeitos da alta internacional do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio.
A nova liberação de R$ 6,6 bilhões representa mais uma etapa dessa estratégia. Do total, R$ 5,6 bilhões serão direcionados ao diesel rodoviário e R$ 998 milhões para a produção e importação de derivados de petróleo.
A preocupação do governo é evitar que a valorização do petróleo seja repassada integralmente para os combustíveis e, consequentemente, para os custos de transporte e outros produtos e serviços.
Ao mesmo tempo, a política amplia a necessidade de acompanhamento dos impactos fiscais das medidas, já que os subsídios representam recursos públicos utilizados para reduzir os efeitos da alta internacional dos combustíveis.
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