A Polícia Federal (PF) reuniu uma cronologia de contatos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no âmbito da investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os registros incluem mensagens, ligações telefônicas e indícios de encontros presenciais entre os dois.
Segundo a PF, os elementos analisados mostram Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas relacionadas aos recursos destinados ao projeto. A investigação cita cobranças por pagamentos, reuniões e acompanhamento do andamento das gravações. Flávio nega irregularidades e sustenta que atuou na captação privada de patrocínio para o longa.
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Entenda o que aconteceu
A cronologia reunida pela PF começa antes dos contatos diretos identificados entre Flávio e Vorcaro. Em dezembro de 2024, o marqueteiro Thiago Miranda teria procurado o banqueiro para organizar uma reunião com o senador e informou que um dos assuntos seria o chamado “filme do presidente”. O deputado federal Mário Frias também aparece nas tratativas relacionadas ao projeto.
Em janeiro de 2025, Miranda passou a cobrar o primeiro aporte para a produção. Os documentos indicam que Vorcaro considerava o financiamento do projeto uma prioridade. Meses depois, a PF identificou contatos diretos entre o banqueiro e Flávio.
Encontro aparece nos registros de agosto
Em 20 de agosto de 2025, mensagens encontradas pela investigação indicam um provável encontro presencial entre Flávio e Vorcaro. De acordo com o relatório, o banqueiro enviou um horário e o senador respondeu que estava a caminho.
Esse registro é considerado relevante porque, segundo a PF, demonstra que a relação em torno do financiamento não se limitava a mensagens encaminhadas por intermediários.
Flávio cobrou pagamentos em setembro
Em 8 de setembro de 2025, Flávio entrou diretamente em contato com Vorcaro para cobrar recursos relacionados ao filme. Nas mensagens analisadas, o senador demonstrou preocupação com compromissos financeiros assumidos pela produção, inclusive com integrantes da equipe do longa.
A PF também identificou cinco ligações telefônicas entre Flávio e Vorcaro durante setembro, além de novos registros relacionados à tentativa de organizar encontros.
Contatos avançaram durante as gravações
Em setembro, os registros apontam novas tentativas de aproximação. Em uma delas, Flávio teria demonstrado interesse em mostrar pessoalmente a Vorcaro o andamento das gravações.
Em outubro, já durante a produção, o senador voltou a procurar o banqueiro. Segundo a cronologia, Flávio informou que o filme estava no terceiro dia de gravação e alertou que a produção enfrentava dificuldades para continuar sem a entrada dos recursos esperados.
Último contato ocorreu às vésperas da operação
A cronologia também registra contatos em novembro. Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e atribuiu ao apoio do banqueiro a possibilidade de realização do projeto.
Em 16 de novembro de 2025, o senador tentou telefonar para Vorcaro e enviou uma mensagem demonstrando apoio ao empresário e pedindo uma orientação sobre a situação. O contato ocorreu pouco antes dos acontecimentos que culminaram na prisão do então banqueiro.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. No dia seguinte, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero.
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PF investiga recursos para Dark Horse
A investigação também analisa a movimentação de recursos destinados ao filme. Documentos citados pela imprensa apontam uma negociação de aproximadamente US$ 24 milhões, dos quais cerca de US$ 12 milhões teriam sido repassados. Parte das operações teria ocorrido por estruturas financeiras nos Estados Unidos.
As autoridades investigam a origem, o caminho e o destino dos valores e possíveis irregularidades relacionadas às movimentações. A existência dos contatos e das negociações descritas no relatório, por si só, não representa comprovação de crime.
Entenda o contexto
O material faz parte das investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de “Dark Horse”. A PF apura suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e tem defendido a divulgação dos documentos relacionados ao caso. Os novos registros ampliam o detalhamento sobre a frequência e a natureza dos contatos mantidos com Vorcaro, mas as responsabilidades criminais ainda dependem do avanço das investigações e de eventual análise judicial.
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