Pesquisa mostra 50% de aprovação a André Mendonça e 33% a Alexandre de Moraes

Levantamento PoderData/Aya ouviu 3 mil pessoas entre 13 e 16 de setembro e também aponta 53% de desaprovação ao trabalho do Supremo
Redação NC News
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Uma pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (17) mediu a avaliação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Alexandre de Moraes em meio à crise que atingiu a Corte nas últimas semanas.

Entre os entrevistados que afirmaram conhecer Mendonça, 50% disseram aprovar seu trabalho no Supremo, enquanto 36% desaprovam. No caso de Moraes, 33% aprovam sua atuação e 57% desaprovam. Os percentuais não consideram apenas toda a amostra: a pergunta sobre a atuação de cada ministro foi feita somente a quem declarou conhecê-lo “bem” ou “de ouvir falar”.

O levantamento ouviu 3 mil pessoas por telefone entre os dias 13 e 16 de setembro, em 623 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00360/2026.

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Diferença na avaliação dos ministros

Segundo o levantamento, 82% dos entrevistados disseram conhecer André Mendonça de alguma forma. Desse grupo, 47% afirmaram conhecê-lo bem e 35% disseram ter apenas ouvido falar dele. Outros 19% declararam não conhecê-lo.

Entre aqueles que tinham alguma informação sobre Mendonça, 50% aprovaram sua atuação e 36% desaprovaram. Outros 14% não souberam responder.

Alexandre de Moraes apresenta um nível de conhecimento maior entre os entrevistados. Ao todo, 92% disseram conhecê-lo de alguma forma. O levantamento aponta que 63% afirmaram conhecê-lo bem e 29% disseram apenas ter ouvido falar dele.

Nesse grupo, 57% desaprovaram a atuação de Moraes, enquanto 33% disseram aprová-la. Outros 11% não souberam responder.

André Mendonça aparece com maior aprovação | Foto: Reprodução

Avaliação do Supremo

Na avaliação geral da Corte, 53% dos entrevistados disseram desaprovar o trabalho do STF, enquanto 30% afirmaram aprová-lo. Outros 17% não souberam responder.

Em outra pergunta, que utilizou uma escala qualitativa, 50% classificaram o trabalho do Supremo como “ruim” ou “péssimo”. Já 18% avaliaram a atuação da Corte como “ótima” ou “boa”.

O percentual de entrevistados que classificaram negativamente o trabalho do STF aumentou quatro pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior do PoderData, realizada entre 30 de maio e 1º de junho de 2026.

Pesquisa atravessou sessão do STF

A coleta dos dados ocorreu entre 13 e 16 de setembro, período que incluiu a sessão extraordinária do Supremo realizada em 15 de setembro.

Na ocasião, ministros discutiram pedidos relacionados à possibilidade de investigação sobre Alexandre de Moraes e à tramitação conjunta de procedimentos ligados ao caso Banco Master. A sessão foi interrompida depois que o ministro Flávio Dino pediu vista.

Também houve um confronto verbal entre André Mendonça e Gilmar Mendes durante a sessão. A discussão ocorreu em meio ao debate sobre a condução dos processos e a atuação dos integrantes da Corte.

Por causa do período de coleta, o próprio PoderData informa que o levantamento captou parcialmente os efeitos da sessão de 15 de setembro. Não é possível, a partir da pesquisa isoladamente, determinar quanto da avaliação registrada pelos entrevistados decorre especificamente dos acontecimentos daquele dia.

Alexandre de Moraes nutre rejeição histórica | Foto: Reprodução

Quem são os ministros

André Mendonça foi indicado ao Supremo pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2021, após a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Antes de chegar à Corte, Mendonça ocupou o cargo de advogado-geral da União e foi ministro da Justiça e Segurança Pública.

Alexandre de Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer em 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki. Antes disso, foi ministro da Justiça no governo Temer, secretário de Segurança Pública de São Paulo e integrante do Tribunal de Justiça paulista.

Os dois ministros passaram a ocupar posições diferentes em julgamentos e debates internos da Corte, especialmente diante dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro, às redes sociais e, mais recentemente, às discussões envolvendo o Banco Master.

Crise interna aumenta exposição dos ministros

A pesquisa foi divulgada dois dias depois da sessão que colocou Mendonça e Moraes no centro de um dos episódios de maior tensão recente no Supremo.

O julgamento discutia, entre outros pontos, se procedimentos relacionados ao Banco Master deveriam permanecer separados ou ser analisados conjuntamente e se haveria espaço para investigação envolvendo Moraes.

Durante a sessão, ministros apresentaram posições divergentes sobre a condução dos processos. Mendonça defendeu uma linha diferente da adotada por parte dos integrantes da Corte, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a análise conjunta de determinados procedimentos.

O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a conclusão do julgamento. Com isso, ainda não houve uma decisão definitiva sobre todos os pontos discutidos na sessão.

O que os números mostram

Os dados permitem observar três indicadores distintos: a parcela da população que afirma conhecer cada ministro, a avaliação de seu trabalho entre aqueles que os conhecem e a percepção geral sobre o Supremo.

Moraes possui maior nível de reconhecimento entre os entrevistados: 92% disseram conhecê-lo de alguma forma, contra 82% no caso de Mendonça. Entre os que declararam conhecer os ministros, 57% desaprovam o trabalho de Moraes e 36% desaprovam o de Mendonça.

Já na avaliação da instituição, 53% desaprovam o trabalho do STF e 30% aprovam. Os números, portanto, medem tanto a percepção individual dos ministros quanto a imagem geral da Corte perante os entrevistados.

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Entenda O Contexto

A avaliação dos ministros ocorre em um momento de forte exposição pública do Supremo Tribunal Federal. A Corte enfrenta discussões internas relacionadas ao caso Banco Master, à eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes e à divisão entre ministros sobre a forma de tramitação de diferentes procedimentos.

A pesquisa PoderData/Aya foi realizada justamente durante esse período de tensão. Como a coleta começou em 13 de setembro e terminou em 16 de setembro, dois dias antes e um dia depois da sessão de 15 de setembro estão contemplados no levantamento. Por isso, os números não permitem separar estatisticamente a avaliação anterior à sessão daquela registrada depois dos acontecimentos no plenário.

Outro ponto metodológico é que os índices individuais não correspondem diretamente ao total da população entrevistada. Para cada ministro, o PoderData primeiro perguntou se a pessoa conhecia o magistrado. Apenas quem respondeu “conheço bem” ou “já ouvi falar” foi considerado para a avaliação do trabalho. Assim, os 50% de aprovação de Mendonça representam sua avaliação dentro do grupo que declarou conhecê-lo, e os 33% de Moraes correspondem ao grupo que declarou ter alguma informação sobre ele.

Na avaliação institucional, por outro lado, todos os 3 mil entrevistados participaram da pergunta sobre o Supremo. O resultado foi de 53% de desaprovação, 30% de aprovação e 17% que não souberam responder.

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