Ex-integrante do MBL diz em áudio querer Renan Santos morto; PF investiga caso

Glenda Varotto afirma que as declarações foram desabafos privados e nega ter tido intenção de matar o candidato à Presidência.
Redação NC News
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Áudios atribuídos à ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Glenda Varotto, conhecida nas redes como Espectro Cinza, registram declarações em que ela afirma querer a morte de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão. O material foi divulgado pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira (18).

Renan apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal em São Paulo em 27 de agosto. Segundo as reportagens, o caso também é apurado pela Polícia Civil de São Paulo e tramita sob sigilo.

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O que aparece nos áudios

Segundo o Metrópoles, o conjunto analisado reúne 378 arquivos, entre fotos, vídeos e gravações feitas ao longo de meses. Em diferentes conversas, Glenda teria feito declarações sobre a morte de Renan e discutido maneiras de prejudicar a imagem pública do candidato.

Em um dos trechos divulgados, ela afirma: “Eu quero ver o cara morto”. Em outra gravação, segundo a reportagem, diz que ficaria satisfeita desde que Renan estivesse morto.

O material também registra conversas nas quais Glenda menciona outros ex-integrantes do MBL e estratégias para provocar constrangimento e desgaste político ao candidato.

A existência dos áudios e o conteúdo atribuído a Glenda, porém, fazem parte dos elementos que motivaram a investigação. Não há, nas informações públicas consultadas, conclusão de que ela tenha efetivamente executado um plano para matar Renan Santos.

Renan levou o caso à Polícia Federal

A notícia-crime apresentada por Renan Santos pede a apuração dos áudios, com medidas como perícia do material e depoimentos dos envolvidos. O procedimento está sob sigilo.

O candidato afirmou que a Polícia Civil e a Polícia Federal instauraram investigações.

Renan também declarou que tomou conhecimento do que chamou de uma rede que teria como objetivo associá-lo a acusações de nazismo, racismo e misoginia e afirmou que um dos objetivos seria provocar sua morte. Essa caracterização é uma alegação feita pelo próprio candidato e está entre os pontos que serão apurados pelas autoridades.

Glenda nega intenção de matar

Procurada pelo Metrópoles, Glenda Varotto negou que tivesse intenção real de assassinar Renan Santos.

Ela afirmou que as gravações eram desabafos feitos em conversas privadas após sua saída do MBL e que as declarações foram ditas “da boca para fora”. Segundo ela, o conteúdo ocorreu em meio a um período de conflito com o antigo grupo político.

Glenda deixou o MBL em 23 de abril de 2026. Em sua manifestação, ela alegou ter sido pressionada durante o processo de saída e afirmou que passou a sofrer ataques públicos após o rompimento.

Ela também acusou integrantes do movimento de promover uma campanha para prejudicar sua reputação — afirmações que foram apresentadas por ela e que não equivalem, por si só, a conclusões das autoridades.

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Conversas também citam possíveis estratégias contra o candidato

Além das declarações sobre a morte de Renan, os áudios divulgados pelo Metrópoles mostram Glenda falando sobre maneiras de atingir a reputação política do candidato.

Entre os assuntos mencionados estão acusações relacionadas ao nazismo e estratégias para prejudicar a relação de Renan com grupos e apoiadores. A reportagem também cita conversas envolvendo outros ex-integrantes do MBL que romperam com o movimento.

Um dos episódios mencionados envolve a participação de Renan em um evento com a comunidade judaica, realizado em agosto. Segundo o material divulgado, Glenda teria discutido formas de associar o candidato a referências relacionadas ao nazismo.

As alegações e estratégias descritas nos áudios são parte do material entregue às autoridades e não representam fatos comprovados contra Renan ou qualquer outra pessoa citada nas gravações.

Caso será analisado pelas autoridades

O episódio agora está no campo da investigação policial. A notícia-crime apresentada por Renan Santos levou ao pedido de apuração dos arquivos e das declarações atribuídas a Glenda.

Como o procedimento está sob sigilo, ainda não há informações públicas suficientes para estabelecer quais medidas investigativas foram efetivamente realizadas ou se haverá responsabilização criminal.

Até o momento, portanto, há áudios divulgados pela imprensa, uma notícia-crime apresentada pelo candidato e versões conflitantes sobre a intenção por trás das declarações.

Entenda o contexto

Renan Santos é candidato à Presidência da República pelo Missão, partido criado por integrantes ligados ao MBL e registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025. Esta é a primeira eleição presidencial disputada por Renan.

Glenda Varotto, por sua vez, integrou o MBL e chegou a ser anunciada como pré-candidata a deputada federal pelo grupo. Ela rompeu com o movimento em abril deste ano.

O caso ganhou repercussão após a divulgação das gravações, mas a investigação ainda precisa esclarecer a origem, a autenticidade, o contexto e o significado jurídico das declarações, além de verificar se houve algum planejamento concreto relacionado às ameaças.

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