Uma onda de intoxicações provocada pelo consumo de uma bebida alcoólica produzida localmente deixou quase 50 mortos no estado de Ondo, no sul da Nigéria. As autoridades investigam a suspeita de que o produto tenha sido contaminado com metanol, substância altamente tóxica que pode provocar cegueira, falência de órgãos e morte.
Na atualização divulgada pelas autoridades estaduais, o número de mortes chegou a 49, enquanto cerca de 170 pessoas haviam sido afetadas pelo consumo da bebida. Em outra apuração divulgada pela Associated Press, baseada em informações das autoridades de saúde, eram 48 mortos e 182 pessoas afetadas, incluindo aproximadamente 100 em tratamento.
Os casos foram registrados principalmente nas regiões administrativas de Odigbo e Irele, onde equipes médicas e policiais foram mobilizadas para identificar a origem da bebida e impedir que novos lotes fossem comercializados.
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Bebida conhecida como “Monkey Tail” está no centro da investigação
Moradores das áreas afetadas relataram às autoridades que a bebida suspeita seria uma preparação alcoólica artesanal conhecida como “Monkey Tail”, feita à base de ervas e com elevado teor alcoólico.
A suspeita é de que uma versão do produto tenha recebido metanol durante o processo de produção. A confirmação definitiva, entretanto, depende da investigação e das análises realizadas pelas autoridades.
O consumo de bebidas alcoólicas produzidas localmente é comum em regiões da Nigéria, principalmente em áreas rurais, onde esses produtos podem ser mais baratos e menos regulamentados.
Um comerciante ouvido sob condição de anonimato afirmou que existem diferentes versões da bebida: uma considerada segura e outra que apresentaria risco. A declaração, porém, integra os relatos que estão sendo avaliados pelas autoridades e não comprova, por si só, a origem da contaminação.

Vítima perdeu a visão após consumir a bebida
Entre os sobreviventes está Sola Adebayo, de 32 anos, que contou à imprensa local que consumiu duas doses da bebida e, no dia seguinte, percebeu que havia perdido a visão.
O caso chama atenção para um dos efeitos conhecidos da intoxicação por metanol. Quando metabolizada pelo organismo, a substância pode produzir compostos capazes de provocar graves danos ao sistema nervoso e aos olhos.
As autoridades de saúde de Ondo alertaram que a intoxicação pode evoluir rapidamente e atingir órgãos vitais.
A quantidade de metanol presente nas bebidas e a forma como a substância teria sido adicionada ainda são investigadas.
Polícia prende 15 pessoas
A polícia de Ondo informou que 15 pessoas foram presas em conexão com o episódio.
Entre os detidos está um homem apontado pelas autoridades como possível envolvido na produção de substâncias suspeitas de conter metanol. Segundo a polícia, ele está colaborando com as investigações.
Outros 14 suspeitos foram detidos por supostas violações às restrições impostas pelas autoridades locais à comercialização de bebidas e produtos herbais não autorizados.
A polícia também tenta descobrir se todas as vítimas consumiram bebidas provenientes do mesmo produtor ou de um mesmo lote.
Governo proíbe venda de bebidas não autorizadas
Diante do avanço dos casos, o governo estadual adotou medidas para interromper a circulação de bebidas produzidas sem autorização.
As autoridades passaram a atuar nas comunidades atingidas e determinaram restrições à produção e à venda de bebidas alcoólicas e produtos herbais não autorizados.
Equipes médicas também foram deslocadas para as regiões onde novos casos eram identificados.
A preocupação aumentou depois que os registros, inicialmente concentrados em comunidades de Odigbo, também passaram a aparecer em Irele, onde foram registradas novas mortes.
A Agência Nacional de Administração e Controle de Alimentos e Medicamentos da Nigéria também atua na resposta ao problema. Paralelamente, o país mantém restrições nacionais à venda de determinadas bebidas alcoólicas em sachês e pequenos recipientes plásticos, considerados de fácil acesso para crianças e jovens.

Nigéria já enfrentou tragédias semelhantes
O episódio reacende um problema antigo relacionado à produção e ao consumo de bebidas alcoólicas sem controle adequado na Nigéria.
Em 2015, um surto de intoxicação por metanol associado ao consumo de bebidas artesanais provocou dezenas de mortes no país. A região de Ondo também esteve entre as áreas afetadas naquele episódio.
O metanol é um tipo de álcool utilizado principalmente em aplicações industriais e não deve ser consumido. Diferentemente do etanol, presente em bebidas alcoólicas próprias para consumo, sua metabolização pode produzir substâncias extremamente tóxicas para o organismo.
A intoxicação pode provocar sintomas graves, incluindo alterações visuais, danos neurológicos, falência de órgãos e, em casos severos, morte.
Investigação tenta descobrir origem da contaminação
As autoridades ainda não estabeleceram publicamente todos os detalhes sobre como o metanol teria chegado à bebida.
A investigação busca identificar produtores, distribuidores e pontos de venda relacionados aos produtos consumidos pelas vítimas.
Também existe a necessidade de determinar se o problema está restrito a um lote específico ou se outras bebidas comercializadas na região podem apresentar risco.
Enquanto a apuração avança, autoridades de saúde e segurança mantêm operações nas comunidades afetadas para localizar novos casos e impedir a circulação das bebidas suspeitas.
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Entenda O Contexto
A crise de intoxicação ocorreu no estado de Ondo, no sul da Nigéria, depois que moradores consumiram uma bebida alcoólica produzida localmente. As autoridades suspeitam que o produto tenha sido contaminado com metanol, embora a investigação ainda estivesse em andamento para determinar exatamente como ocorreu a contaminação. Os casos foram registrados principalmente nas regiões de Odigbo e Irele.
As informações sobre o número de vítimas apresentaram variações conforme as atualizações das autoridades. O governo de Ondo chegou a confirmar 49 mortes e aproximadamente 170 pessoas afetadas. A Associated Press, em atualização posterior, informou 48 mortos e 182 pessoas afetadas, sendo cerca de 100 em tratamento. A diferença está relacionada ao momento de cada levantamento e à atualização dos registros.
A polícia prendeu 15 pessoas em conexão com o caso. Um dos suspeitos é apontado como possível participante da produção de substâncias que podem conter metanol. Outros detidos são investigados por possíveis violações das restrições impostas pelas autoridades locais à comercialização de bebidas não autorizadas.
O caso também chama atenção para os riscos do consumo de bebidas alcoólicas produzidas sem controle sanitário. A Nigéria possui um amplo mercado de bebidas artesanais, especialmente em áreas onde produtos industrializados podem ser mais caros ou menos acessíveis. Em situações de adulteração com metanol, o risco pode ser fatal.
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