Depoimentos reunidos pela Polícia Civil de Minas Gerais apontam que o estudante de medicina Manoel Antonio Januario Filho, de 23 anos, indiciado por estupro, frequentava shoppings próximos a escolas particulares de Belo Horizonte em busca de adolescentes. Segundo um amigo ouvido no inquérito, ele abordava estudantes pessoalmente ou procurava os perfis delas nas redes sociais.
Manoel foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de estupro e registro não autorizado da intimidade sexual. A investigação reúne relatos de mulheres que afirmam ter sido submetidas a situações de violência sexual e aponta ainda que encontros íntimos teriam sido fotografados ou gravados sem autorização. A defesa informou que, em respeito ao sigilo legal e às pessoas envolvidas, não comentará o conteúdo da investigação neste momento.
Investigação aponta busca por adolescentes em shoppings
Um dos depoimentos reunidos durante o inquérito descreve uma rotina que chamou a atenção dos investigadores. Segundo um amigo ouvido pela polícia, Manoel frequentava, principalmente no horário do almoço, shoppings localizados próximos a colégios particulares da capital mineira.
De acordo com o relato, o estudante buscava se aproximar de adolescentes que estudavam nessas instituições. Algumas abordagens teriam ocorrido pessoalmente. Em outras situações, ele teria localizado as jovens pelas redes sociais para iniciar conversas por meio da internet.
O inquérito aponta ainda que Manoel se autodenominava “Lobo Mau” em referência à busca por estudantes. Testemunhas também relataram que ele era conhecido pelo apelido de “Maníaco”. Essas informações constam dos depoimentos reunidos pela investigação e não representam, isoladamente, prova dos crimes atribuídos ao estudante.
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Estudante foi indiciado por estupro
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Belo Horizonte. O inquérito foi concluído e Manoel foi indiciado pelos crimes de estupro e registro não autorizado da intimidade sexual.
Segundo a Polícia Civil, os depoimentos e demais elementos reunidos durante a apuração apontaram indícios de autoria e materialidade. O indiciamento é uma etapa da investigação policial e não equivale a uma condenação.
Entre os episódios investigados está o relato de uma mulher que afirma ter concordado em manter relação sexual desde que fosse utilizado preservativo. Segundo ela, a condição não teria sido respeitada e seus pedidos para interromper o ato também teriam sido ignorados.
Vítima relatou uso de força durante relação
O episódio teria ocorrido em março deste ano. Conforme o depoimento prestado à polícia, o investigado teria utilizado força física para conter a mulher durante a relação.
Depois do encontro, a vítima procurou atendimento médico por apresentar dores na região genital. A Justiça autorizou a realização de exame de corpo de delito indireto a partir da documentação médica apresentada durante a investigação.
Ao ser ouvido pela Polícia Civil, Manoel afirmou que a relação investigada foi consensual. Durante o interrogatório, seus advogados interromperam a oitiva após um questionamento dos investigadores, sob a alegação de que o cliente estaria sendo induzido a erro. Na sequência, ele exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Outra mulher relatou tentativa de estupro
O inquérito também reúne o depoimento de outra mulher sobre um episódio ocorrido em 2025. Ela afirmou que, depois de sair com Manoel, foi levada ao apartamento dele e teria sido pressionada a manter relações sexuais mesmo após recusar.
Segundo o relato apresentado às autoridades, a jovem resistiu e pediu para deixar o imóvel. Ela afirmou que a situação só terminou depois que ameaçou pular da janela caso não pudesse sair.
Os relatos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores durante a apuração das denúncias contra o estudante.
Polícia apura gravações sem autorização
Além das acusações de violência sexual, a investigação apurou a existência de imagens íntimas que teriam sido produzidas sem autorização das mulheres.
Testemunhas disseram aos investigadores que teriam visto no celular do estudante vídeos de relações sexuais supostamente gravadas sem o consentimento das pessoas envolvidas.
Parte desse material também teria sido compartilhada em um grupo de WhatsApp formado por estudantes de medicina, segundo os depoimentos reunidos no inquérito.
Eletrônicos foram apreendidos durante investigação
A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão na residência do estudante. Durante a diligência, aparelhos eletrônicos foram recolhidos para análise.
Entre os equipamentos apreendidos estavam smartphones, tablets e um dispositivo de armazenamento externo com capacidade de 1 TB.
Também houve autorização judicial para acesso a dados telemáticos e informações armazenadas em nuvem vinculadas ao investigado. O objetivo foi localizar arquivos e outros elementos que pudessem contribuir para esclarecer as acusações.
Faculdade afastou estudante
Manoel é natural de Ibatiba, no Espírito Santo, e havia se mudado para Belo Horizonte para estudar medicina. Ele ingressou na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais em 2023 e tinha previsão de concluir a graduação em 2029.
Segundo a instituição de ensino, o estudante foi suspenso das atividades acadêmicas depois que as denúncias chegaram às autoridades.
Posteriormente, uma determinação judicial levou ao afastamento cautelar do aluno. A instituição informou que a medida permanece em vigor e afirmou que segue colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
Defesa não comenta conteúdo da investigação
A defesa de Manoel Antonio Januario Filho informou que não comentará o conteúdo do inquérito neste momento, citando o sigilo legal e o respeito às pessoas envolvidas.
O caso segue para as próximas etapas na esfera judicial. Caberá ao Ministério Público analisar o material produzido pela Polícia Civil e decidir sobre as medidas cabíveis.
Apesar do indiciamento, Manoel não foi condenado pelos crimes investigados. A eventual responsabilidade criminal dependerá da tramitação do caso e das decisões da Justiça.
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Entenda o contexto
A investigação sobre Manoel Antonio Januario Filho reúne depoimentos de mulheres e testemunhas, além de documentos e materiais eletrônicos apreendidos durante o cumprimento de medidas autorizadas pela Justiça.
Os relatos apontam suspeitas de violência sexual, desrespeito ao consentimento e produção de registros íntimos sem autorização. Um novo ponto revelado pelo inquérito indica que o estudante também frequentava shoppings próximos a escolas particulares de Belo Horizonte para se aproximar de adolescentes.
A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o estudante por estupro e registro não autorizado da intimidade sexual. A defesa informou que não comentará o conteúdo da investigação neste momento.
O indiciamento representa a conclusão da análise policial sobre os elementos reunidos, mas não significa condenação. A responsabilização criminal dependerá das próximas etapas do caso.
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