Onze anos depois da morte de Victoria Natalini durante uma excursão escolar em Itatiba, no interior de São Paulo, a prisão de um homem que já havia aparecido entre os suspeitos do caso abriu uma nova frente na busca por respostas. A adolescente desapareceu durante uma viagem de estudos em setembro de 2015 e foi encontrada morta em uma área de mata.
O homem, identificado como Francisco, foi preso temporariamente por suspeitas de crimes sexuais contra outras duas crianças, episódios que não fazem parte diretamente do caso de Victoria. A Polícia Civil, porém, voltou a analisar uma possível ligação dele com a morte da estudante. Para o pai da jovem, João Carlos Natalini, o novo desdobramento traz esperança depois de mais de uma década de cobranças por esclarecimentos.
Suspeito já havia aparecido na investigação em 2015
Francisco morava próximo ao local onde o corpo de Victoria foi encontrado. Na época do crime, testemunhas relataram que ele teria sido visto circulando de carro pela região.
O homem chegou a ser ouvido pela polícia, mas a investigação não reuniu elementos considerados suficientes naquele momento para mantê-lo formalmente como investigado pela morte da adolescente.
Agora, o nome dele voltou ao centro das apurações após novas diligências realizadas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A prisão ocorreu em Itatiba, e o suspeito foi levado para a carceragem do 2º Distrito Policial, na capital paulista.
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Prisão ocorreu por suspeitas envolvendo outras crianças
O mandado de prisão temporária cumprido contra Francisco não foi expedido diretamente pela morte de Victoria. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, a medida está relacionada a suspeitas de crimes sexuais contra duas crianças.
Durante diligências realizadas depois da retomada das investigações, duas irmãs relataram que teriam sido vítimas do homem quando tinham 7 e 8 anos. Os episódios teriam ocorrido em período próximo ao da morte de Victoria.
Esses relatos levaram os investigadores a pedir a prisão temporária e uma busca e apreensão. A existência das novas acusações, por si só, não comprova participação de Francisco na morte da estudante. É justamente essa eventual ligação que a investigação busca esclarecer.
Pai espera resposta depois de 11 anos
João Carlos Natalini, pai de Victoria, acompanha o novo capítulo com expectativa, mas também com cautela. Durante mais de uma década, ele questionou as conclusões iniciais sobre a morte da filha e buscou novas análises do caso.
Ao comentar a prisão, o pai resumiu o período como “11 anos de saudade, de perguntas sem resposta e de esforço para esclarecer o que aconteceu”.
Para a família, as novas informações justificam que a possível relação do suspeito com a morte seja investigada profundamente. João afirma sentir certo alívio com o avanço, mas espera uma conclusão capaz de esclarecer definitivamente o que ocorreu com a filha.
Victoria desapareceu durante excursão em fazenda
Victoria participava de uma viagem de estudos da Escola Waldorf Rudolf Steiner à Fazenda Pereiras, em Itatiba, quando desapareceu, em setembro de 2015.
Na tarde daquele dia, a adolescente se afastou do grupo para ir ao banheiro e não retornou. O desaparecimento só foi percebido horas depois, quando começaram as buscas.
O Corpo de Bombeiros foi acionado no início da noite. O corpo de Victoria acabou localizado na manhã seguinte em uma área de mata da propriedade.
O pai participou das buscas e fez o reconhecimento da filha após a localização do corpo.
Perícia mudou os rumos do caso
Um dos pontos mais importantes da história ocorreu depois das primeiras análises sobre a causa da morte. O laudo inicial não apresentou uma explicação conclusiva capaz de encerrar as dúvidas da família.
João Carlos Natalini não aceitou a falta de respostas e buscou especialistas para revisar o material. Posteriormente, uma nova perícia apontou asfixia mecânica e reforçou a linha de investigação de homicídio.
O caso chegou a ser arquivado, mas foi reaberto depois de novas cobranças da família. Desde então, investigadores passaram a refazer diligências e procurar elementos que pudessem esclarecer quem esteve na região e o que aconteceu nas horas entre o desaparecimento e a localização do corpo.
Escola foi condenada a indenizar a família
Em fevereiro deste ano, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou que a escola responsável pela excursão pagasse R$ 1 milhão de indenização por danos morais ao pai de Victoria.
A decisão considerou que houve uma sequência de falhas no dever de cuidado e supervisão durante a viagem. Entre os pontos analisados estavam o tempo transcorrido até que a ausência da estudante fosse percebida e a demora para ampliar as buscas.
A responsabilização civil da instituição, porém, é diferente da investigação criminal que tenta identificar quem matou Victoria. A indenização não define a autoria do homicídio.
Escola acompanha novo desdobramento
A Escola Waldorf Rudolf Steiner informou que acompanha o avanço da investigação e espera que o novo desdobramento contribua para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.
A instituição afirma que colaborou com as autoridades desde o início, prestou os esclarecimentos solicitados e sustenta que os procedimentos de segurança previstos para a viagem foram cumpridos.
A escola também ressaltou que o homem preso não possui vínculo com a instituição.
Com a prisão temporária, os investigadores agora têm uma nova oportunidade para confrontar depoimentos, elementos obtidos nas buscas e informações reunidas desde a reabertura do caso. Até que essa apuração seja concluída, Francisco permanece como suspeito e não há decisão judicial que estabeleça sua responsabilidade pela morte de Victoria.
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Entenda o contexto
Victoria Natalini morreu durante uma excursão escolar em Itatiba, em setembro de 2015. A demora para perceber o desaparecimento, as dúvidas sobre a causa da morte e os rumos iniciais da investigação fizeram com que a família passasse anos cobrando novas respostas.
O trabalho realizado posteriormente apontou asfixia mecânica e fortaleceu a hipótese de homicídio. O caso foi reaberto e voltou a ser investigado pelo DHPP.
Francisco já havia aparecido nas apurações anos atrás, mas não havia sido formalmente responsabilizado. Agora, relatos de duas irmãs sobre supostos crimes sexuais atribuídos a ele levaram à prisão temporária e fizeram os investigadores voltar a examinar sua possível relação com a morte de Victoria.
A prisão não encerra o mistério nem comprova autoria do homicídio. A Polícia Civil ainda precisa encontrar elementos que demonstrem se existe ou não uma ligação entre o homem e o crime ocorrido há 11 anos.
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