Uma imagem que parece revelar a silhueta de um tubarão atravessando o espaço foi escolhida como a melhor fotografia de astronomia de 2026. O registro do fotógrafo kuwaitiano Ali Alobaidly mostra a Nebulosa do Tubarão, conhecida como LDN 1235, localizada a quase 650 anos-luz da Terra, na constelação de Cefeu.
Batizada de “The Quiet Predator” (“O Predador Silencioso”, em tradução livre), a fotografia conquistou o prêmio principal do Astronomy Photographer of the Year 2026. Em sua 18ª edição, a competição reuniu quase 4 mil imagens de 769 fotógrafos de 66 países e também premiou registros de auroras, da Lua, do Sol, de Saturno, galáxias e paisagens noturnas.
Imagem da Nebulosa do Tubarão conquista prêmio principal
A Nebulosa do Tubarão é uma nebulosa escura formada por poeira interestelar suficientemente densa para bloquear parte da luz das estrelas localizadas atrás dela.
Na fotografia vencedora, a distribuição dessas nuvens de poeira cria uma formação que lembra a silhueta de um grande predador marinho atravessando o espaço. O registro também revela estrelas e estruturas mais distantes ao redor da nebulosa.
Além de conquistar o prêmio geral, Ali Alobaidly venceu a categoria dedicada a estrelas e nebulosas. O resultado marcou ainda a primeira vez que um fotógrafo do Kuwait conquistou o prêmio máximo da competição.
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Fotografia vencedora rende prêmio de £ 10 mil
Como vencedor geral, Alobaidly receberá £ 10 mil. Os vencedores das demais categorias recebem £ 1,5 mil, enquanto segundos colocados e imagens classificadas como altamente recomendadas também recebem premiações.
As fotografias vencedoras integram uma exposição aberta ao público no National Maritime Museum, em Londres, desde esta sexta-feira (18).
A competição é realizada anualmente e reúne trabalhos de fotógrafos profissionais e amadores de diferentes partes do mundo.
Aurora forma uma ‘coroa’ sobre igreja
Na categoria dedicada às auroras, o vencedor foi o búlgaro Radoslav Sviretsov com a fotografia “The Crown”.

A imagem mostra uma pequena igreja sob uma intensa aurora boreal. O fenômeno luminoso forma uma espécie de coroa verde no céu, criando o efeito que deu nome à fotografia.
O registro foi feito na Islândia durante uma forte atividade geomagnética e conquistou o primeiro lugar entre as imagens de auroras.
Saturno aparece com anéis quase de lado
Tom Williams, do Reino Unido, venceu a categoria Planetas, Cometas e Asteroides com “Saturnian Equinox”.
A fotografia registra Saturno durante um período em que o plano de seus anéis aparece praticamente de lado para o observador terrestre, produzindo uma aparência muito diferente daquela normalmente associada ao planeta.
Williams também conquistou o segundo lugar na mesma categoria com uma fotografia do sistema de Urano.
Vênus surge na borda da Lua
Na categoria dedicada à Lua, Petr Horalek, da República Tcheca, venceu com “Venusian Pearl on the Moon”.

A fotografia registra Vênus junto à borda iluminada da Lua durante uma ocultação lunar, fenômeno em que o satélite natural passa diante de outro objeto celeste na perspectiva de quem observa da Terra.
O resultado faz o planeta aparecer como um pequeno ponto luminoso junto à Lua crescente.
Sol é registrado em detalhes
O português Miguel Claro venceu a categoria dedicada ao Sol com a fotografia “Active Region 4122”.

A imagem apresenta em alta resolução uma região de intensa atividade solar e permite observar detalhes da superfície visível da estrela.
O registro foi feito em Portugal e integra o conjunto de fotografias que mostram como equipamentos especializados conseguem revelar estruturas que normalmente não são percebidas em observações convencionais.
Galáxia a milhões de anos-luz também é premiada
Na categoria Galáxias, os chineses Zhipeng Yan e Xinran Li conquistaram o primeiro lugar com uma imagem da NGC 4753.
A galáxia chama atenção pelas extensas faixas de poeira que atravessam sua estrutura. O registro premiado evidencia essas formações e recebeu o título “NGC 4753: A Symphony of Dust Lanes in Virgo”.
Já na categoria Pessoas e Espaço, o neozelandês Max Inwood venceu com “A Message from the Ancients”, que combina a Via Láctea com antigos petróglifos em uma paisagem terrestre.
Jovem fotógrafo vence com detalhes da Lua
O grego Nikolaos Strimpoulis conquistou o prêmio de Jovem Fotógrafo de Astronomia do Ano com “Mineral Moon”.
A fotografia mostra detalhes da superfície lunar, incluindo as regiões escuras conhecidas como mares lunares e áreas mais claras e acidentadas das terras altas.
As diferenças de tonalidade ajudam a evidenciar características minerais e geológicas da superfície da Lua.
Concurso também premia estreantes e trabalhos experimentais
O prêmio de melhor estreante ficou com Haocheng Zhu, da China, pela fotografia “M1: Echoes of an Ancient Explosion”. A imagem mostra a Nebulosa do Caranguejo, remanescente de uma explosão estelar observada no ano de 1054.
Na categoria aberta Annie Maunder, o polonês Paweł Paweł venceu com “Reverse Astronomy: Mother”, trabalho experimental produzido a partir da exposição de filme fotográfico à radiação solar e de sua posterior observação em escala microscópica.
Entre as paisagens celestes, o italiano Stefano Pellegrini conquistou o primeiro lugar com “Botswana Star Trail”, registro que combina árvores baobás e longos rastros produzidos pelo movimento aparente das estrelas no céu.
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Entenda o contexto
O Astronomy Photographer of the Year chegou à 18ª edição em 2026 e é uma das maiores competições internacionais dedicadas à astrofotografia. Quase 4 mil imagens foram inscritas por 769 participantes de 66 países.
As categorias abrangem diferentes temas da observação astronômica, como estrelas e nebulosas, auroras, Lua, Sol, planetas, cometas, asteroides, galáxias e paisagens celestes. Há ainda premiações específicas para jovens fotógrafos, estreantes e trabalhos experimentais.
A fotografia “The Quiet Predator”, de Ali Alobaidly, foi escolhida como a grande vencedora desta edição. A imagem registra a Nebulosa do Tubarão, uma formação de poeira interestelar situada a quase 650 anos-luz da Terra.
As imagens premiadas estão reunidas em uma exposição no National Maritime Museum, em Londres, aberta desde 18 de setembro.
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