Primo de André Mendonça é pastor, dirigente do PT e critica uso da fé no poder

Luís Alberto Mendonça Sabanay afirma que artigo não foi direcionado ao ministro do STF e defende limites entre religião, política e exercício da autoridade pública
Redação NC News
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tem um primo de primeiro grau que também é pastor presbiteriano, mas construiu uma trajetória política distinta da dele. Luís Alberto de Mendonça Sabanay integra o Diretório Nacional do PT e publicou nesta semana um artigo no site do partido criticando o uso da religião como instrumento de poder.

Sabanay afirmou ao UOL que o texto não foi escrito como uma crítica pessoal a André Mendonça. Segundo ele, a discussão é mais ampla e trata dos limites entre convicções religiosas e o exercício de funções públicas. O pastor defende que a fé pode influenciar escolhas individuais, mas não deve servir para impedir críticas ou conferir legitimidade especial a posições políticas.

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Entenda o que aconteceu

Luís Sabanay publicou na quarta-feira (16) o artigo intitulado “Quando Deus entra na política, quem fala em seu nome?”. No texto, ele parte de uma declaração feita pelo ministro Gilmar Mendes durante uma sessão do STF para discutir o uso de referências religiosas no exercício do poder.

Gilmar havia feito a declaração durante um embate com André Mendonça no Supremo. Sabanay usou o episódio como ponto de partida, mas afirmou posteriormente que sua reflexão não tinha o primo como alvo específico.

Sabanay defende separação entre púlpito e palanque

No artigo, o dirigente petista sustenta que igrejas, comunidades religiosas e pessoas de fé têm direito de participar do debate público, assim como outros grupos da sociedade.

A crítica aparece quando símbolos e argumentos religiosos, na visão de Sabanay, passam a ser utilizados para proteger posições políticas de questionamentos.

“Púlpito não é palanque. Fé não é instrumento de poder.”

Sabanay também defendeu que ninguém seja pressionado a demonstrar fidelidade religiosa por meio de uma determinada escolha política. Para ele, pessoas com a mesma fé podem chegar a decisões políticas diferentes.

Primo diz ter trajetória diferente de Mendonça

Apesar do parentesco e da religião em comum, Sabanay destacou que ele e André Mendonça possuem trajetórias e posições públicas distintas.

André Mendonça é ministro do STF e reverendo da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo. Sabanay também é pastor presbiteriano, atua na Igreja Presbiteriana Unida de Brasília e integra a direção nacional do PT.

Questionado sobre a atual crise no Supremo, Sabanay afirmou que não conversou com o primo sobre o assunto e disse que não considera ser seu papel aconselhá-lo sobre a atuação institucional.

Discussão ganhou força em meio à crise no STF

O artigo foi publicado em um momento de tensão dentro do Supremo. André Mendonça está no centro de divergências envolvendo a condução do caso Master e teve embates públicos com outros integrantes da Corte nas últimas semanas.

Durante sessão de 15 de setembro, Gilmar Mendes fez críticas à atuação de Mendonça. Foi uma declaração do decano durante esse episódio que Sabanay utilizou para introduzir sua discussão sobre religião e poder.

A atuação religiosa de Mendonça também passou a ser discutida por integrantes de setores evangélicos. Nesta semana, uma carta assinada por reverendos questionou a conciliação entre sua atividade como pastor e a função de ministro do Supremo.

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Crítica não se limita a um campo político

Sabanay afirmou que sua crítica ao uso político da religião vale para diferentes grupos e espectros ideológicos.

Ao comentar especificamente o cenário eleitoral, entretanto, ele mencionou práticas que atribui a setores da direita e da extrema direita. Essa é uma avaliação política feita pelo próprio dirigente petista, e não uma conclusão factual sobre esses grupos.

O argumento central apresentado por ele é que a participação religiosa no debate público é legítima, desde que a fé não seja utilizada para impedir divergências ou determinar que uma escolha política seja tratada como a única compatível com determinada crença.

Entenda o contexto

André Mendonça chegou ao STF em 2021 e mantém atuação religiosa como reverendo presbiteriano. A relação entre sua fé e a atividade pública voltou ao debate nas últimas semanas em meio aos conflitos internos da Corte.

Sabanay, embora seja primo do ministro e compartilhe a tradição presbiteriana, ocupa posição política diferente ao integrar a direção nacional do PT. Ele afirma que o parentesco não significa identidade de posições e que autoridades públicas, independentemente das convicções pessoais, devem exercer suas funções submetidas à Constituição e ao direito.

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