Casamento coletivo reúne 24 trisais em cerimônia simbólica no Rio de Janeiro

Participantes do 2º Encontro de Trisais do Brasil esperavam um baile de gala, mas foram surpreendidos com uma celebração em Nova Friburgo; uniões não tiveram validade civil ou religiosa.
Redação NC News
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Um casamento coletivo simbólico reuniu 24 trisais durante o 2º Encontro de Trisais do Brasil, realizado em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O evento ocorreu entre os dias 10 e 13 de setembro e reuniu famílias poliamorosas de diferentes regiões do país.

Os participantes acreditavam que participariam de um baile de gala, mas foram surpreendidos pelos organizadores com uma cerimônia preparada para celebrar as relações e as diferentes configurações familiares. Apesar do formato de casamento, a celebração não teve validade civil nem religiosa.

Participantes foram surpreendidos com casamento coletivo

A cerimônia foi preparada como uma surpresa dentro da programação do encontro. Os participantes chegaram vestidos para uma noite de gala e encontraram uma estrutura montada para a celebração coletiva.

O evento teve tapete vermelho, roupas formais e registros fotográficos das famílias. A proposta dos organizadores foi criar um momento simbólico para os trisais presentes.

A celebração também buscou dar visibilidade às famílias poliamorosas e proporcionar um espaço de convivência entre pessoas que mantêm relacionamentos formados por mais de duas pessoas.

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Cerimônia não teve validade civil

Embora tenha reproduzido elementos de um casamento, a cerimônia realizada em Nova Friburgo teve caráter exclusivamente simbólico.

No Brasil, cartórios não podem lavrar escrituras públicas para registrar uniões poliafetivas formadas por três ou mais pessoas. A proibição foi estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em decisão tomada em 2018.

Na ocasião, o órgão determinou que as corregedorias de Justiça orientassem os cartórios a não realizar esse tipo de registro. A decisão tratou especificamente da possibilidade de reconhecimento das relações por meio de escritura pública.

Celebrante falou sobre diferentes configurações familiares

Durante a cerimônia, o discurso destacou a existência de diferentes formas de organização familiar e a experiência dos participantes que mantêm relacionamentos poliamorosos.

Em uma das declarações feitas durante a celebração, o responsável por conduzir o momento afirmou que nenhuma família precisaria seguir um único padrão para ser considerada uma família.

A mensagem também abordou a construção de vínculos e a trajetória dos participantes até a formação das relações atuais.

Encontro chegou à segunda edição

O evento realizado em Nova Friburgo foi a segunda edição do Encontro de Trisais do Brasil.

A primeira edição ocorreu em setembro de 2025, em Pinhalzinho, no interior de São Paulo. Neste ano, a programação foi transferida para a Região Serrana do Rio de Janeiro.

Além da celebração simbólica, a proposta do encontro é reunir pessoas que vivem relacionamentos não monogâmicos e criar um espaço para troca de experiências entre as famílias.

Relações poliafetivas não equivalem juridicamente ao casamento

A realização de uma cerimônia simbólica não significa que os participantes passaram a ter automaticamente os mesmos direitos decorrentes de um casamento civil ou de uma união estável reconhecida juridicamente.

A decisão do CNJ impede que cartórios registrem em escritura pública uma união poliafetiva como modalidade de entidade familiar formada por três ou mais pessoas.

Questões patrimoniais, sucessórias e previdenciárias envolvendo relacionamentos desse tipo podem, portanto, apresentar situações jurídicas diferentes das aplicáveis aos casamentos e às uniões estáveis entre duas pessoas.

Evento reuniu famílias de diferentes regiões

Os 24 trisais que participaram da celebração vieram de diferentes regiões do Brasil. A cerimônia coletiva foi um dos momentos de maior destaque da programação.

A surpresa preparada pelos organizadores transformou o que seria uma noite de gala em uma celebração dos vínculos construídos pelos participantes.

As imagens divulgadas nas redes sociais mostram os integrantes dos trisais vestidos para a ocasião e participando conjuntamente da cerimônia.

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Entenda o contexto

Relacionamentos poliamorosos envolvem vínculos afetivos consensuais entre mais de duas pessoas e podem assumir diferentes formas de organização. No caso dos trisais, três pessoas participam da configuração afetiva, embora a dinâmica de cada relacionamento possa variar.

No Brasil, a existência dessas relações na vida privada não significa reconhecimento automático como casamento ou união estável. Em 2018, o Conselho Nacional de Justiça decidiu que os cartórios não podem lavrar escrituras públicas destinadas a registrar uniões poliafetivas.

A decisão foi tomada depois que cartórios em cidades paulistas realizaram escrituras envolvendo relacionamentos com mais de duas pessoas. O CNJ entendeu que o reconhecimento cartorial dessa modalidade não encontrava respaldo suficiente no sistema jurídico vigente.

Por isso, a cerimônia realizada durante o encontro em Nova Friburgo teve caráter simbólico. Os 24 trisais participaram da celebração, mas o evento, por si só, não produziu os efeitos jurídicos de um casamento civil.

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