Juiz autorizou PF a procurar paredes ocas e falsos armários durante buscas no BRB

Ordem judicial da Operação Compliance Zero permitiu buscas minuciosas por documentos, dinheiro e outros bens eventualmente escondidos; investigação apura operações bilionárias envolvendo BRB e Banco Master.
Redação NC News
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O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, autorizou a Polícia Federal (PF) a realizar buscas minuciosas durante o cumprimento de mandados no Banco de Brasília (BRB), incluindo a verificação de eventuais paredes ocas, falsos armários e outros locais que pudessem ser utilizados para esconder documentos, dinheiro ou bens relacionados à investigação.

A autorização fez parte da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar operações financeiras envolvendo o BRB e o Banco Master. Na ocasião, a PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e sete de prisão em cinco unidades da Federação. As suspeitas investigadas envolvem, entre outros pontos, a emissão e negociação de títulos de crédito considerados falsos ou sem lastro pelos investigadores.

Justiça permitiu busca minuciosa no BRB

A determinação judicial estabeleceu parâmetros amplos para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. A intenção era evitar que materiais relevantes para a investigação permanecessem escondidos em compartimentos de difícil identificação.

A autorização abrangia a procura em possíveis paredes ocas, falsos armários e outros espaços que pudessem servir para ocultar objetos ou documentos.

A medida não significa que a Polícia Federal tenha efetivamente encontrado materiais escondidos nesses locais. O conteúdo fazia parte das possibilidades de busca previamente autorizadas pelo magistrado.

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Operação Compliance Zero começou em 2025

A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de novembro de 2025. A Polícia Federal cumpriu mandados no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Na ocasião, Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, foi preso. Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB, foi afastado do cargo, assim como Dario Oswaldo Garcia Júnior, então diretor financeiro da instituição.

As medidas foram determinadas no âmbito de uma investigação que apura suspeitas relacionadas à emissão e negociação de títulos e carteiras de crédito no Sistema Financeiro Nacional.

Investigação envolve operações bilionárias

Um dos principais focos da investigação são operações realizadas entre Banco Master e BRB. Segundo os elementos reunidos no processo, carteiras de crédito teriam sido adquiridas pelo Master e posteriormente revendidas ao banco brasiliense.

A PF apura a suspeita de que parte desses ativos fosse inexistente ou não tivesse a sustentação documental apresentada nas negociações. As responsabilidades individuais e a dinâmica das operações continuam sendo objeto de investigação.

Na primeira fase da operação, a Justiça chegou a determinar bloqueios de até R$ 12,2 bilhões relacionados aos investigados. Posteriormente, o BRB, como pessoa jurídica, foi excluído das medidas de constrição patrimonial, que permaneceram direcionadas aos demais alvos alcançados pela decisão.

PF também buscava documentos e bens

Além de documentos relacionados às operações financeiras, a decisão autorizou a apreensão de diferentes tipos de bens que pudessem ter interesse para a investigação.

Entre eles estavam valores em espécie, veículos de alto valor, joias, relógios e outros artigos de luxo, conforme os critérios estabelecidos judicialmente.

A Justiça também determinou medidas patrimoniais contra investigados e autorizou a apreensão de passaportes de pessoas alcançadas pelas decisões.

BRB diz colaborar com investigações

Desde o avanço das apurações, o BRB afirma colaborar com as autoridades e sustenta que a atual administração adotou medidas para reforçar os controles internos e a governança da instituição.

Em setembro deste ano, o banco informou ter afastado cautelarmente cinco empregados citados nas investigações. Segundo a instituição, a medida não representa antecipação de responsabilidade.

O BRB também afirma ter contratado auditoria forense independente e encaminhado os resultados às autoridades responsáveis pelas investigações.

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Entenda o contexto

A Operação Compliance Zero investiga operações envolvendo o Banco Master, o BRB e outras pessoas e empresas. A primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025, depois de apurações sobre possíveis irregularidades em carteiras de crédito negociadas no sistema financeiro.

As investigações tiveram novos desdobramentos ao longo de 2026. Relatórios da PF passaram a detalhar como documentos teriam sido produzidos para sustentar créditos posteriormente negociados com o BRB. Os fatos ainda estão sujeitos à apuração e à análise judicial.

O BRB afirma que busca recuperar eventuais prejuízos e responsabilizar envolvidos em possíveis irregularidades. A instituição também ressalta que medidas adotadas contra empregados e ex-gestores não significam, por si só, conclusão definitiva sobre responsabilidades individuais.

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