Justiça absolve torcedor argentino acusado de racismo em jogo entre Cruzeiro e Boca Juniors no Mineirão

Nahuel Jeremías Maldonado havia sido denunciado pelo Ministério Público após ser preso suspeito de fazer gestos considerados racistas em direção à torcida cruzeirense
Redação NC News
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A Justiça de Minas Gerais absolveu o torcedor argentino Nahuel Jeremías Maldonado, que havia sido denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por racismo após uma partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, disputada no Mineirão.

Nahuel chegou a ser preso em flagrante no dia 28 de abril deste ano, suspeito de realizar gestos considerados racistas em direção aos torcedores do Cruzeiro durante o confronto entre as equipes. Dois dias depois, em 30 de abril, ele foi colocado em liberdade por decisão judicial.

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Entenda o que aconteceu

Em maio, o Ministério Público apresentou denúncia contra o argentino pelo crime de racismo com a qualificadora de prática por meio de comunicação social, redes sociais ou qualquer forma de divulgação pública.

Além da condenação criminal, o órgão também pediu que fosse fixada uma indenização mínima equivalente a 10 salários mínimos, a título de danos morais coletivos.

O caso teve grande repercussão após imagens registrarem gestos feitos pelo torcedor na direção da torcida cruzeirense durante a partida realizada no Mineirão.

Juiz apontou falta de provas conclusivas

Na sentença, o juiz José Romualdo Duarte Mendes, da 5ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar que os gestos tiveram caráter racista.

Segundo o magistrado, nenhuma testemunha conseguiu demonstrar de forma inequívoca o contexto e o significado discriminatório dos movimentos realizados pelo torcedor no momento dos fatos.

A decisão destaca que as provas produzidas durante o processo não permitiram concluir, além de dúvida razoável, que houve intenção de praticar discriminação racial.

Defesa alegou que gestos tinham outro significado

Durante o processo, Nahuel negou ter cometido qualquer ato racista.

Segundo a versão apresentada por ele, os gestos registrados pelas imagens fazem parte de manifestações comuns entre torcedores na Argentina. O argentino afirmou que colocar as mãos atrás das orelhas representaria uma provocação relacionada ao fato de não ouvir os cânticos da torcida adversária.

Já o gesto de passar a mão sobre a pele, segundo a defesa, teria conotação sexual e não possuiria qualquer relação com preconceito racial.

O entendimento foi considerado pelo magistrado ao analisar o conjunto das provas apresentadas no processo.

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Magistrado reforça combate ao racismo

Embora tenha absolvido o réu, o juiz ressaltou na decisão a importância do enfrentamento aos crimes de discriminação racial.

“No entanto, a indispensável firmeza na repressão a crimes de ódio não prescinde da observância estrita das garantias processuais e do standard probatório necessário à condenação penal”, afirmou o magistrado em trecho da sentença.

A decisão destaca que o combate ao racismo deve ocorrer de forma rigorosa, mas sempre respeitando as garantias constitucionais e a necessidade de provas suficientes para uma condenação criminal.

Entenda o contexto

Casos de supostos atos racistas em competições sul-americanas têm gerado tensão frequente entre clubes brasileiros e argentinos nos últimos anos. Diversos episódios envolvendo torcedores foram registrados em partidas da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana.

No Brasil, o crime de racismo é considerado imprescritível e inafiançável, sujeito a penas previstas na legislação federal. No entanto, para que haja condenação criminal, é necessária a comprovação dos fatos e da intenção discriminatória atribuída ao acusado.

No caso envolvendo o torcedor do Boca Juniors, a Justiça entendeu que as provas apresentadas ao longo da ação penal não foram suficientes para afastar dúvidas sobre o significado dos gestos registrados pelas imagens.

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