Uma pane que deixou os semáforos do Eixo Monumental em Brasíllia apagados por mais de um dia e transformou uma das principais vias da cidade em um cenário de congestionamentos, desvios e dificuldades para pedestres pode custar caro à Neoenergia Brasília. Após o caos no trânsito provocado pelo apagão dos equipamentos desde a noite de terça-feira (22), o trânsito na capital federal chegou a níveis recorde.
O episódio ocorre em meio ao agravamento das queixas contra a empresa. Dados apresentados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) mostram que o número de reclamações registradas contra a concessionaria praticamente dobrou entre 2024 e 2025 e, apenas até maio deste ano, já superou todo o volume do ano passado. O novo transtorno reforça a pressão sobre a concessionária, que também é alvo de uma ação civil pública que cobra R$ 86 milhões por supostas falhas na prestação do serviço, por questões passadas.
Com os equipamentos fora de operação, o Detran-DF precisou instalar barreiras e alterar a circulação em diferentes pontos do Eixo para tentar organizar o fluxo de veículos. Para os pedestres, a falta de sinalização também representa um obstáculo: sem os semáforos, os carros não são retidos para permitir a travessia da via.
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Três acessos foram fechados
Entre as medidas adotadas pelo Detran-DF está o fechamento de três acessos ao Eixo Monumental.
Foram bloqueadas a alça S1 → N1, na altura da Praça do Cruzeiro; a alça S1 → N1, na altura do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT); e a alça N1 → S1, na altura do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
O órgão também deixou uma faixa de aceleração livre no acesso da antiga sede do Detran-DF para a N1.
Na saída para a S1, em frente à Praça do Cruzeiro, duas faixas foram destinadas ao fluxo de veículos. A mesma medida foi adotada na saída do Setor de Indústrias Gráficas (SIG) para a S1.
Pedestres também são afetados
A interrupção dos semáforos não interfere apenas na circulação dos veículos.
Quem precisa atravessar o Eixo Monumental também enfrenta dificuldades, já que a ausência dos equipamentos impede a retenção dos carros nos pontos de travessia. A situação aumenta a dependência das intervenções feitas pelo Detran para organizar o fluxo enquanto o problema não é solucionado.
Rompimento de tubulação provocou alagamento
Segundo a Neoenergia Brasília, o rompimento de uma tubulação de água provocou o alagamento da área de uma estação transformadora.
Por segurança, a concessionária realizou uma manobra operacional para isolar a unidade. A medida exigiu o desligamento dos semáforos da região.
A Novacap informou que a interrupção ocorreu às 18h30 de terça-feira (22). Equipes trabalham desde então no reparo da rede de água danificada, com previsão de conclusão ainda na manhã desta quarta-feira (23).
Até a conclusão dos reparos e a liberação do local, os semáforos permanecerão fora de operação. A Neoenergia informou que acompanha o trabalho e está preparada para restabelecer o fornecimento de energia assim que houver condições seguras de acesso à instalação.
Problema ocorre em meio a aumento de reclamações contra a Neoenergia
O transtorno no Eixo Monumental ocorre enquanto a Neoenergia Brasília enfrenta um aumento nas reclamações de consumidores sobre a prestação do serviço de energia no Distrito Federal.
Dados apresentados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) mostram que as reclamações registradas na plataforma Consumidor.gov praticamente dobraram entre 2024 e 2025.
Foram 1.049 reclamações contra a empresa em 2024. No ano seguinte, o número subiu para 2.078.
O volume continuou crescendo em 2026. Até maio, a Neoenergia já acumulava 2.183 reclamações na plataforma — mais do que o total registrado durante todo o ano anterior.
MPDFT cobra R$ 86 milhões da concessionária
O levantamento faz parte do contexto de uma ação civil pública ajuizada pelo MPDFT contra a Neoenergia Brasília em julho deste ano.
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) pediu que a concessionária seja condenada ao pagamento de R$ 86 milhões por danos morais coletivos. A ação foi motivada por um inquérito civil instaurado após dezenas de reclamações de consumidores de diferentes regiões do DF.
Entre os problemas relatados ao Ministério Público estão quedas sucessivas de energia, queima de eletrodomésticos, prejuízos à produção agrícola, demora no restabelecimento do serviço e dificuldades no atendimento.
Na ação, o MPDFT afirma que a quantidade e a abrangência das reclamações indicam problemas que, na avaliação da Promotoria, não seriam casos isolados.
O Ministério Público também citou dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para apontar problemas na qualidade do serviço prestado pela concessionária. No PAD-Jardim, em Planaltina, consumidores ficaram, em média, mais de 41 horas sem energia em 2024, segundo os dados apresentados pelo MPDFT. O período foi apontado como 231% superior ao limite regulatório estabelecido pela Aneel.
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Justiça também determinou medidas para a empresa
Em julho, após pedido do MPDFT, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que a Neoenergia adotasse medidas relacionadas à infraestrutura, manutenção da rede e transparência nas regras de cobrança.
A decisão estabeleceu prazos para diferentes ações e previu multa de R$ 5 milhões por item descumprido.
Entre as determinações estão medidas voltadas às regiões do PAD-Jardim e Vale do Amanhecer, além de planos de manutenção preventiva em áreas como Contagem, Paranoá e Sobradinho.
A decisão também classificou o caso como um “litígio estrutural”, diante da complexidade dos problemas discutidos na ação.
Entenda o contexto
O desligamento dos semáforos do Eixo Monumental, neste momento, está relacionado ao alagamento de uma estação transformadora provocado pelo rompimento de uma tubulação de água. A Neoenergia afirma que aguarda a conclusão dos reparos e a liberação segura do local para restabelecer o fornecimento.
O episódio, porém, ocorre em um cenário de aumento das reclamações de consumidores contra a concessionária. Os dados apresentados pelo MPDFT mostram que a empresa recebeu 2.183 reclamações no Consumidor.gov somente até maio deste ano, número que já supera o registrado em todo 2025.
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