O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não comparecer ao último debate eleitoral do primeiro turno, organizado pela TV Globo. A ausência partiu de escolha pessoal de Lula, contrariando a avaliação de parte dos seus próprios assessores, que defendiam a presença do presidente no evento de maior audiência da televisão brasileira.
Na avaliação interna do petista, o modelo de debate em TV não funciona mais. Lula tem se queixado de que o formato não concede tempo hábil para se defender de confrontos diretos, desgaste que se intensifica no cenário atual, em que todos os demais candidatos pertencem ao campo da direita e do centro-direita. Para o presidente, os concorrentes usariam o espaço do horário nobre apenas para produzir cortes voltados às redes sociais.
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No lugar da transmissão em TV aberta, Lula optou por conceder entrevista ao podcast Flow. A troca de palco preocupa parte da articulação política do partido: o alcance do ambiente digital é muito menor do que a grade da Globo, especialmente no horário nobre da noite — considerado estratégico pela campanha petista para dialogar com o eleitorado idoso.
Entenda o que aconteceu
A consequência prática da decisão já está definida: seguindo as regras estabelecidas pela emissora, o púlpito reservado a Lula permanecerá vazio no estúdio durante todo o programa.
Interlocutores do PT temem que a imagem da cadeira vazia passe ao eleitor a sensação de omissão, fuga do confronto e recusa em prestar contas à população — munição para que adversários reforcem a narrativa de que o presidente estaria evitando o debate direto.
Sem Lula no estúdio para fazer contraponto em tempo real, a tendência é que ele se torne alvo contínuo de ataques dos demais candidatos ao longo de toda a transmissão, sem possibilidade de resposta imediata.
Flávio busca eleitor moderado e se prepara para ataques
Com presença confirmada no debate, Flávio Bolsonaro (PL) pretende aproveitar a exposição em horário nobre para reforçar uma imagem mais moderada e ampliar o diálogo com eleitores indecisos. A campanha, porém, reconhece que o candidato será alvo de questionamentos sobre temas sensíveis na reta final da disputa.
Entre os assuntos que devem ser explorados pelos adversários estão a proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e as suspeitas de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Para reduzir desgastes, a equipe intensificou a preparação de Flávio nos últimos dias. A estratégia é transmitir segurança e demonstrar que o candidato está pronto para responder às críticas sem evasivas.
Meta é encerrar controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida
Outro foco da campanha será esclarecer que Flávio nunca defendeu a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
A avaliação dos aliados é que o tema precisa ser encerrado de forma definitiva, por seu potencial de influenciar eleitores católicos e evangélicos, grupos considerados decisivos para o resultado da eleição.
Entenda o contexto
A ausência de Lula no último grande debate do primeiro turno chega em um momento de disputa apertada nas pesquisas entre o presidente e Flávio Bolsonaro. Sem o principal adversário no estúdio, o debate da Globo deve concentrar os holofotes em Flávio, que precisará equilibrar a estratégia de moderação com a necessidade de responder, ao vivo, a temas que sua campanha já sabe que serão explorados pelos demais candidatos.