Uma megafábrica de celulose avaliada em aproximadamente R$ 23 bilhões está transformando a infraestrutura de transporte de Mato Grosso do Sul. Em construção no município de Inocência, o empreendimento da empresa chilena Arauco contará com uma ferrovia própria para escoar a produção até a malha ferroviária nacional. Segundo a companhia, a estrutura poderá substituir cerca de 190 viagens de caminhões por dia nas rodovias utilizadas para o transporte de celulose.
A ferrovia faz parte do Projeto Sucuriú e já ultrapassou 60% de execução. Em outubro, a construção entrou em uma nova etapa com a instalação dos primeiros dormentes, peças de concreto que sustentam os trilhos. A previsão é que o sistema ferroviário comece a operar no fim de 2027, acompanhando a entrada em funcionamento da fábrica.
Além de reduzir a dependência do transporte rodoviário, a Arauco estima que o uso dos trens poderá diminuir em até 94% as emissões de dióxido de carbono associadas ao escoamento da celulose, em comparação com o transporte equivalente por caminhões. Os números representam projeções para a operação futura, já que o empreendimento ainda está em construção.
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Ferrovia terá 54 quilômetros e ligação com o Porto de Santos
A estrutura ferroviária do Projeto Sucuriú terá aproximadamente 54 quilômetros de trilhos, considerando 45 quilômetros de linha principal e outros nove quilômetros dentro da área industrial.
O ramal será conectado à Rumo Malha Norte, permitindo que a celulose produzida em Inocência siga por uma rede ferroviária já existente até o Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
Isso significa que a Arauco não construirá uma ferrovia exclusiva entre Mato Grosso do Sul e Santos. A nova estrutura terá a função de conectar a fábrica ao corredor nacional de transporte de cargas.
Depois dessa ligação, os trens percorrerão aproximadamente 1.050 quilômetros até o porto, onde a produção será embarcada para o mercado internacional.
A ferrovia, identificada como EF-A35, representa uma das principais estruturas logísticas do empreendimento.
Obras ultrapassam 60% e começam a receber dormentes
A construção da ferrovia avançou em outubro com o início da instalação dos primeiros dormentes.
Ao todo, estão previstas aproximadamente 95 mil peças de concreto, cada uma com peso próximo de 400 quilos.
Os dormentes são responsáveis por sustentar os trilhos e distribuir o peso das composições ferroviárias, garantindo estabilidade durante a circulação dos trens.
Além da montagem da linha, equipes trabalham na conclusão de estruturas como o viaduto ferroviário na saída da fábrica, a passagem sobre a rodovia MS-112 e a ponte sobre o Córrego São Mateus.
Essas obras estão sendo preparadas para receber os trilhos e permitir a continuidade da ligação ferroviária.
Segundo a Arauco, a implantação da estrutura já superou 60% de execução.
O cronograma prevê que o sistema esteja pronto para acompanhar o início da produção industrial, previsto para o final de 2027.
Projeto prevê 190 viagens de caminhões a menos por dia
A principal mudança anunciada pela Arauco está na forma de transportar a celulose produzida pela fábrica.
Em vez de depender de centenas de viagens rodoviárias para levar o produto ao destino, a companhia utilizará composições ferroviárias de grande capacidade.
A estimativa é substituir aproximadamente 190 viagens diárias de caminhões que seriam necessárias para escoar a produção pelo sistema rodoviário.
A redução poderá aliviar a circulação de veículos pesados em determinadas estradas e diminuir a necessidade de longos deslocamentos de carga por caminhão.
Também existe a expectativa de reduzir o desgaste do pavimento e os riscos associados ao transporte rodoviário de grandes volumes.
Entretanto, esses efeitos dependerão do funcionamento efetivo da ferrovia e das condições de operação.
O transporte rodoviário continuará sendo necessário para outras atividades industriais, como o fornecimento de insumos, equipamentos e matérias-primas.
Trens poderão transportar até 9.600 toneladas por viagem
A operação ferroviária foi planejada para movimentar grandes quantidades de celulose.
Segundo o projeto divulgado pela Arauco, a estrutura contará com 26 locomotivas e 721 vagões.
A capacidade prevista chega a 9.600 toneladas de celulose por composição.
A empresa planeja movimentar diariamente um trem com aproximadamente 100 vagões carregados.
A utilização dos trilhos permitirá concentrar a movimentação de grandes volumes em um único sistema logístico, reduzindo a quantidade de viagens rodoviárias equivalentes.
A infraestrutura ferroviária, incluindo o material rodante, representa investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões.
Emissões de carbono podem cair até 94%
Outro benefício anunciado pela companhia é a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas ao transporte da produção.
A Arauco estima que a operação ferroviária poderá emitir até 94% menos dióxido de carbono do que uma alternativa equivalente baseada no transporte rodoviário.
A diferença está relacionada à capacidade dos trens de movimentar grandes volumes de carga com maior eficiência energética por tonelada transportada.
O resultado também pode contribuir para diminuir a dependência de caminhões em trajetos de longa distância.
A redução de 94%, no entanto, não se refere às emissões totais da fábrica nem a todas as atividades da empresa.
O percentual é uma estimativa específica para a etapa de transporte da celulose e depende da comparação com o cenário rodoviário considerado pela companhia.
Megafábrica poderá produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano
A ferrovia atenderá uma das maiores unidades industriais de celulose previstas para entrar em operação no Brasil.
O Projeto Sucuriú, desenvolvido pela Arauco, envolve investimentos anunciados de aproximadamente US$ 4,6 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 23 bilhões na referência utilizada para o empreendimento.
A fábrica está sendo construída em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência.
Quando estiver operando, terá capacidade projetada para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano.
Grande parte dessa produção será destinada ao mercado externo, o que torna a conexão com o Porto de Santos estratégica para o negócio.
O empreendimento também amplia a participação de Mato Grosso do Sul na indústria brasileira de celulose, setor que já possui grandes unidades instaladas no estado.
Construção movimenta empregos e serviços no município
A implantação do complexo industrial também provoca mudanças na economia de Inocência e de cidades próximas.
Segundo informações divulgadas pela Arauco, a construção mobiliza mais de 14 mil trabalhadores.
Após o início das atividades, a estimativa é de aproximadamente seis mil postos de trabalho nas operações industriais, florestais e logísticas.
Somente a implantação da ferrovia tem previsão de gerar cerca de mil empregos durante a execução.
O empreendimento demanda profissionais da construção civil, operadores de equipamentos, técnicos, motoristas, engenheiros e trabalhadores de diferentes áreas.
A presença de milhares de pessoas também aumenta a procura por moradia, alimentação, comércio e outros serviços na região.
Por outro lado, esse crescimento exige investimentos em infraestrutura urbana e planejamento para atender à expansão da atividade econômica.
Ferrovia integra novo modelo de transporte privado
A linha ferroviária da Arauco é considerada um exemplo do modelo conhecido como shortline, utilizado para conectar unidades industriais ou centros de produção a ferrovias de maior extensão.
O empreendimento é apresentado pela companhia como a primeira ferrovia privada desse tipo implantada no Brasil após o novo marco regulatório ferroviário.
A proposta permite que a empresa construa uma ligação específica para sua atividade industrial, aproveitando a infraestrutura nacional para os trajetos mais longos.
No caso de Inocência, a conexão com a Malha Norte será essencial para transportar a celulose até os terminais de exportação.
A iniciativa também demonstra como investimentos industriais podem estimular a ampliação da infraestrutura ferroviária em regiões historicamente dependentes de rodovias.
Próximos passos
Com mais de 60% das obras ferroviárias executadas, a Arauco deverá avançar na instalação dos dormentes, no assentamento dos trilhos e na conclusão das estruturas necessárias à ligação com a Malha Norte.
A previsão é que a ferrovia e a megafábrica entrem em operação no fim de 2027.
Até lá, o empreendimento ainda dependerá da conclusão das obras, dos testes operacionais e das etapas necessárias para iniciar o transporte comercial.
Se as projeções forem alcançadas, o sistema poderá reduzir significativamente a quantidade de viagens rodoviárias necessárias para escoar a celulose produzida em Inocência.
A expectativa é que a nova infraestrutura amplie a capacidade de exportação de Mato Grosso do Sul e fortaleça o uso do transporte ferroviário na indústria brasileira.