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Paciente toca violão e canta Legião Urbana durante cirurgia no cérebro em SP

Homem de 51 anos permaneceu acordado durante parte da retirada de um tumor cerebral em Marília; música ajudou médicos a monitorar funções neurológicas
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Um paciente de 51 anos tocou violão e cantou a música “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana, enquanto passava por uma cirurgia para retirada de um tumor no cérebro. O procedimento foi realizado em 8 de setembro, na Santa Casa de Marília, no interior de São Paulo. O homem permaneceu acordado durante parte da operação para que os médicos pudessem acompanhar funções cerebrais e reduzir os riscos de sequelas.

O paciente é Fábio Aparecido Pereira dos Reis, supervisor de engenharia e morador de Pompeia, também no interior paulista. Durante a cirurgia, que durou cerca de 12 horas, ele foi submetido a uma técnica conhecida como craniotomia com paciente acordado. O procedimento permite avaliar, em tempo real, habilidades como fala, memória, raciocínio e coordenação motora.

A escolha da música não foi por acaso. Como Fábio costuma tocar violão, guitarra e cantar em momentos de lazer, a equipe médica decidiu aproveitar essa habilidade para realizar testes neurológicos. O caso foi divulgado pela Santa Casa de Marília em outubro e ganhou novos detalhes em reportagem publicada pelo g1 nesta terça-feira (3).

Homem é o primeiro do mundo a retirar tumor cerebral com ajuda de IA em tempo real

Por que o paciente precisou ficar acordado durante a cirurgia?

O neurocirurgião Ruy Okaji, responsável pelo procedimento, explicou que manter o paciente consciente em determinadas etapas da operação ajuda a identificar regiões do cérebro responsáveis por funções importantes.

Inicialmente, Fábio recebeu anestesia para a abertura do crânio. Depois, foi despertado pela equipe médica e passou a realizar atividades como leitura, cálculos simples, exercícios de memória e testes de linguagem.

O canto também foi incorporado à avaliação porque envolve diferentes áreas cerebrais relacionadas à comunicação verbal.

Enquanto o paciente respondia aos estímulos, os profissionais realizavam o mapeamento cerebral para localizar o tumor e identificar as regiões saudáveis que precisavam ser preservadas.

Segundo Okaji, a técnica é utilizada pela equipe há mais de 20 anos em situações específicas.

“Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção. A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas”, explicou o neurocirurgião ao g1.

Dr. Ruy Okaji durante procedimento para retirada de tumor cerebral no músico Fábio — Foto: Santa Casa de Marília/Reprodução

Música emocionou equipe médica

A apresentação de Fábio emocionou os profissionais que acompanhavam a cirurgia. Além dos neurocirurgiões, participaram do procedimento anestesistas, neurofisiologista, fonoaudiólogas, instrumentadores e enfermeiras.

Antes da operação, ainda na cama cirúrgica, o paciente já havia tocado e cantado para os profissionais. Durante o procedimento, a música voltou a fazer parte das avaliações de suas funções neurológicas.

De acordo com a Santa Casa de Marília, ao término da cirurgia, Fábio estava consciente, conseguia conversar normalmente e apresentava movimentos preservados.

Ele também se lembrava da música interpretada e voltou a cantá-la após despertar.

Esposa relata momentos de tensão durante operação

A esposa do paciente, Edineuza Reis, de 55 anos, contou que a família enfrentou momentos de apreensão enquanto aguardava notícias sobre o procedimento.

Segundo ela, as aproximadamente 12 horas de cirurgia pareceram muito mais longas para os familiares, que temiam possíveis complicações.

“Para nós, a cirurgia durou uma eternidade, mas, graças a Deus, foi um sucesso. Ele saiu acordado e conversando, surpreendendo a todos”, declarou Edineuza ao g1.

A mulher explicou que a música sempre esteve presente na vida do marido. Além de tocar em encontros familiares e churrascos com amigos, Fábio já realizou apresentações em bares e festas de aniversário.

O hábito acabou sendo importante durante a cirurgia, permitindo que os médicos utilizassem uma atividade familiar ao paciente para acompanhar suas respostas neurológicas.

Dores de cabeça e confusão mental levaram ao diagnóstico

Os primeiros sintomas começaram pouco antes da descoberta do tumor. Conforme o relato da esposa, Fábio passou a apresentar dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e dificuldades de memória.

Na tentativa de identificar o problema, ele procurou diferentes especialistas, incluindo cardiologista, gastroenterologista e neurologista. O supervisor chegou a ficar afastado do trabalho por uma semana.

A situação se agravou quando Edineuza percebeu que o marido estava mais confuso do que o habitual e decidiu levá-lo à Santa Casa de Marília.

No hospital, uma tomografia de crânio revelou a presença de um tumor cerebral. Fábio foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebeu cuidados para controlar o inchaço no cérebro antes da operação.

O diagnóstico de glioma foi confirmado em 2 de setembro. Trata-se de um tipo de tumor que se desenvolve a partir de células do sistema nervoso central e que pode apresentar diferentes graus de agressividade.

Seis dias depois do diagnóstico, em 8 de setembro, Fábio passou pela cirurgia para retirada da lesão.

Paciente segue tratamento contra tumor cerebral

Após a operação, Fábio iniciou uma nova etapa do tratamento. Segundo as informações divulgadas pela família, ele já passou por cinco sessões de quimioterapia e se prepara para começar a radioterapia.

A continuidade dos cuidados é necessária porque o tratamento de tumores cerebrais pode envolver diferentes abordagens, dependendo das características da lesão, de sua localização e da avaliação médica.

Apesar de o procedimento cirúrgico ter sido considerado bem-sucedido pela equipe, o acompanhamento especializado continua sendo fundamental.

O caso também demonstra como a participação ativa do paciente pode ajudar em cirurgias neurológicas complexas. Ao cantar e responder aos testes durante a operação, Fábio contribuiu para que os profissionais avaliassem funções importantes do cérebro enquanto trabalhavam na retirada do tumor.

A expectativa da equipe médica é que ele continue sua recuperação e consiga retomar gradualmente as atividades cotidianas, incluindo o hábito de tocar violão e cantar com amigos e familiares.

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