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Mercado de petiscos para pets explode e deve movimentar R$ 300 bi até 2031

Projeção internacional aponta crescimento anual de 8,9%, impulsionado pela procura por produtos funcionais e alimentação especializada.
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O mercado mundial de petiscos para cães e gatos pode superar R$ 300 bilhões até 2031. A projeção da consultoria MarketsandMarkets indica que o setor deve alcançar US$ 58,71 bilhões, com crescimento médio anual de 8,9% entre 2026 e 2031. A expansão é impulsionada pela procura por alimentos diferenciados, produtos funcionais e pela maior atenção das famílias à saúde e ao bem-estar dos animais.

O avanço acompanha uma mudança nos hábitos dos tutores. Cães e gatos passaram a receber cuidados cada vez mais especializados, incluindo alimentação personalizada, acompanhamento veterinário e produtos desenvolvidos para diferentes necessidades. Nesse contexto, os petiscos deixaram de ser apenas recompensas ocasionais e ganharam espaço nas compras do dia a dia.

Foto: Germano Lüders
Foto: Germano Lüders

A variedade de produtos também aumentou. Além dos tradicionais biscoitos e snacks, o mercado oferece opções voltadas à higiene bucal, ao treinamento e a necessidades nutricionais específicas. Os possíveis benefícios dependem da composição, da quantidade oferecida e das condições de saúde de cada animal.

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O que explica o crescimento do mercado de petiscos?

Um dos principais fatores é a chamada humanização dos animais de estimação. O termo descreve a mudança na relação entre tutores e pets, que passaram a ocupar um espaço cada vez mais próximo ao de integrantes da família.

Essa transformação influencia diretamente os hábitos de consumo. Muitos responsáveis procuram produtos com ingredientes específicos, formulações diferenciadas e características adequadas às necessidades dos animais em diferentes fases da vida.

A indústria acompanha essa demanda com novos sabores, texturas e apresentações. Petiscos naturais, produtos desidratados e opções funcionais estão entre as categorias que ganham destaque.

Segundo a consultoria, o mercado global de petiscos deve passar de US$ 38,4 bilhões em 2026 para US$ 58,71 bilhões em 2031. A projeção representa crescimento acumulado de aproximadamente 53% em cinco anos.

O levantamento também identifica oportunidades no comércio eletrônico e no desenvolvimento de produtos voltados à saúde digestiva, à higiene bucal e ao cuidado com a pele e a pelagem dos animais.

Mercado pet brasileiro deve faturar R$ 81,3 bilhões em 2026

No Brasil, o setor de produtos e serviços para animais de estimação também movimenta valores expressivos.

Segundo dados atribuídos à Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o mercado nacional encerrou 2025 com faturamento de R$ 77,96 bilhões. Para 2026, a projeção apresentada é de R$ 81,3 bilhões.

Os valores abrangem diferentes atividades, como alimentação, medicamentos, serviços veterinários, acessórios e cuidados com os animais. Portanto, não representam exclusivamente o mercado de petiscos.

A alimentação permanece entre as principais fontes de receita. Em 2025, o segmento de pet food movimentou aproximadamente R$ 41,4 bilhões, equivalente a cerca de 53% do faturamento do setor.

Outro indicador da dimensão desse mercado é o consumo de ração. Somente no primeiro trimestre de 2026, os brasileiros consumiram mais de 1 milhão de toneladas de alimentos industrializados para cães e gatos.

A projeção do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) é que o volume chegue a aproximadamente 4,15 milhões de toneladas até o encerramento de 2026.

Petiscos funcionais ganham espaço nas prateleiras

A busca por produtos que ofereçam benefícios além do sabor é uma das tendências do mercado.

Entre as opções disponíveis estão petiscos destinados à higiene bucal, produtos utilizados como recompensa durante o adestramento e alimentos complementares desenvolvidos para necessidades específicas.

A procura por ingredientes naturais e formulações especializadas também influencia os lançamentos da indústria. O objetivo é atender consumidores que observam não apenas o preço, mas também a composição e a finalidade dos alimentos.

A expansão acompanha o crescimento das compras digitais.  A categoria de pet shops ultrapassou 2 milhões de pedidos no primeiro semestre de 2026, crescimento superior a 53% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os produtos destinados aos gatos, os sachês aparecem com destaque. Os petiscos também fazem parte das compras realizadas para agradar os animais ou complementar suas rotinas alimentares.

Esse movimento amplia as oportunidades para fabricantes, distribuidores, lojas especializadas e plataformas de entrega.

Brasil tem previsão de crescimento acima da média mundial

Um levantamento específico da MarketsandMarkets sobre o mercado brasileiro de petiscos projeta crescimento anual composto de 10,3% entre 2026 e 2031, acima da média global de 8,9%.

Segundo a consultoria, o segmento brasileiro deve passar de aproximadamente US$ 1,45 bilhão em 2026 para US$ 2,37 bilhões em 2031.

A projeção considera fatores como a maior procura por produtos especializados, a urbanização e o aumento da atenção dos tutores à nutrição e ao bem-estar dos animais.

Os números representam estimativas de mercado e poderão variar conforme o desempenho econômico, os preços e os hábitos de consumo nos próximos anos.

Consumo excessivo de petiscos exige atenção

A escolha dos petiscos deve levar em conta as características e as condições de saúde de cada animal, é o que afirma a Dra, Tatiana Elias, médica Veterinária.

“É importante considerar a espécie, se é um cachorrinho ou um gatinho, a idade, se é filhote, adulto ou idoso. Também é preciso considerar se o seu melhor amigo apresenta alguma doença”, explica a especialista.

A profissional alerta que algumas condições exigem atenção redobrada na hora de oferecer esses produtos.

Tatiana Elias - Médica Veterinária
Tatiana Elias – Médica Veterinária

“Ele pode ser diabético, ter sobrepeso ou ser cardíaco. Dependendo do tipo de petisco disponível no mercado, pode não haver indicação para aquele animal”, afirma.

Diante da variedade de opções, a recomendação é buscar orientação profissional antes de incluir novos produtos na alimentação dos pets.

“Por isso, é melhor sempre consultar um médico-veterinário para fazer a melhor indicação de petisco”, orienta.

A escolha também deve considerar idade, porte, peso e condições de saúde. Produtos adequados para um animal podem não ser recomendados para outro, principalmente em situações que envolvem doenças renais, hepáticas ou restrições alimentares.

Os tutores também devem observar a procedência, a composição, o prazo de validade e as informações do fabricante. Em caso de dúvidas, a orientação de um médico-veterinário ajuda a definir as opções mais adequadas.

Depois que Romeu recebeu os diagnósticos de pancreatite e alergia alimentar severa, a alimentação passou a exigir cuidados específicos. Elizângela, tutora do animal, conta que o cachorro só pode consumir produtos compatíveis com suas restrições.

“Uma ração hipoalergênica com proteína hidrolisada foi o ponto de partida. Hoje, o Romeu pode comer petisco desde que seja hipoalergênico, assim como a ração úmida”, relata.

Elizângela e Romeu
Elizângela e Romeu

A tutora afirma que encontrar alimentos adequados ainda é um desafio.

“Até hoje, que eu conheço, são duas marcas de petiscos hipoalergênicos que consigo encontrar. A ração também são duas marcas que considero as melhores”, conta.

Além da oferta limitada, o custo dos produtos pesa no orçamento.  A tutora também alerta para a gravidade das reações quando o cachorro ingere algo que não faz parte da dieta recomendada.

Mesmo com os cuidados, evitar o contato com alimentos inadequados exige vigilância constante. Segundo Elizângela, quando Romeu acaba ingerindo algo que não deveria, a alergia pode voltar a se manifestar.

Próximos passos

A expectativa é que o mercado global de petiscos continue crescendo até 2031, impulsionado pelo desenvolvimento de novos produtos e pela procura por alimentos especializados.

No Brasil, a expansão representa oportunidades para fabricantes, distribuidores, comerciantes e empresas que atuam no atendimento aos animais de estimação.

O setor, entretanto, enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à carga tributária e ao poder de compra dos consumidores.

Para os tutores, o aumento da oferta significa mais possibilidades de escolha, mas também exige atenção à qualidade dos produtos e à quantidade oferecida aos animais.

Com a previsão de movimentar mais de R$ 300 bilhões mundialmente, em conversão aproximada, o mercado de petiscos reforça a importância econômica de um hábito cada vez mais presente nas famílias: investir na alimentação, no conforto e no bem-estar dos animais de estimação.

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