O que são vários pontinhos rosas num gramado? O mistério por trás das chuteiras que viraram febre no torneio mundial

A cena bizarra virou piada e meme nas redes sociais, mas o que parece ser apenas uma escolha exótica de estilo é, na verdade, uma guerra comercial bilionária e milimetricamente calculada pelas maiores marcas do planeta
Redação NC News
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Mais de 75% dos craques em campo abandonaram o tradicional e adotaram a cor rosa no principal torneio de seleções do planeta; entenda a estratégia bilionária que envolve neurociência, TV e o bolso do consumidor.

Se você parou para assistir a qualquer partida da primeira rodada da competição internacional que está parando o planeta, com certeza notou algo muito estranho nos pés dos jogadores. Esqueça o preto clássico ou o branco discreto. O que se vê em campo, do primeiro ao último minuto, é uma verdadeira invasão de “pontinhos rosas” correndo pelo gramado verde.

A cena bizarra virou piada e meme nas redes sociais, mas o que parece ser apenas uma escolha exótica de estilo é, na verdade, uma guerra comercial bilionária e milimetricamente calculada pelas maiores marcas do planeta. Mais de 75% dos atletas que estrearam no torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México estão usando modelos nessa mesma tonalidade, transformando os gramados da América do Norte em uma passarela colorida.

Por que todo mundo resolveu jogar de rosa ao mesmo tempo?

A resposta para esse mistério está na estratégia de mercado das gigantes do material esportivo. Para este ano, Nike, Adidas e Puma — as três marcas que dominam o futebol mundial — desenharam suas linhas de elite usando majoritariamente os tons de rosa. Outras concorrentes de peso, como New Balance e Skechers, decidiram seguir o efeito manada para não ficarem para trás. A tradicional Mizuno foi a única grande fabricante que fugiu à “regra” e apostou em cores diferentes.

Tudo isso aconteceu porque os departamentos de marketing dessas empresas chegaram à mesma conclusão científica: o rosa é a cor que oferece o maior contraste visual possível contra o verde do gramado. Na prática, isso faz com que a logo de cada marca ganhe um destaque absurdo nas transmissões de televisão.

Como a tecnologia da TV e os replays explicam o fenômeno?

Testes de percepção visual realizados em laboratório apontaram um dado impressionante: o uso da cor rosa gera um aumento de 40% na identificação da marca pelo espectador, especialmente durante os replays em câmera lenta (os famosos super slow motions). Quando um craque chuta para o gol ou dá um carrinho, os olhos do torcedor em casa são magneticamente atraídos para os pés do atleta.

Além do fator televisão, existe o olho no futuro e no público jovem das classes C e D. Chuteiras e tênis coloridos têm um apelo de venda infinitamente maior entre crianças e adolescentes. As marcas sabem que o jovem que assiste ao seu ídolo brilhando na TV quer calçar exatamente o mesmo modelo na pelada do final de semana ou no futebol de rua.

O tiro comercial saiu pela culatra no torneio mundial?

O grande objetivo de pintar os pés dos jogadores de rosa era fazer com que cada marca gritasse na tela da TV. No entanto, com quase todo mundo usando a mesma cor, as marcas criaram um problema inesperado: a padronização.

Como mais de 75% dos atletas adotaram a tendência, o rosa virou o “novo comum”. Agora, por pura ironia do destino, as chuteiras que realmente conseguem prender a atenção de quem está assistindo e se destacam no gramado são justamente as pretas, brancas ou azuis — já que se tornaram a grande exceção em meio ao mar de rosa.

“Eu achei que era uma campanha de conscientização no começo, mas depois vi que todo mundo estava igual. Fica até difícil saber quem é quem de longe”, comentou um torcedor nas redes sociais.

Qual o tamanho do dinheiro envolvido nessa jogada?

Não é por acaso que as empresas investem tanto nessa exposição. O principal torneio do futebol mundial é o ápice absoluto para o mercado de consumo esportivo. Durante os 39 dias consecutivos de evento, as vendas de artigos ligados ao futebol disparam cerca de 35% apenas nos canais digitais e aplicativos de compras.

O alcance da competição é surreal e esmaga qualquer outro esporte. Só para se ter uma ideia do tamanho do bolo, o jogo de abertura deste torneio mundial acumulou impressionantes 1,2 bilhão de espectadores conectados ao redor do planeta — um número dez vezes maior do que a audiência do Super Bowl, a badalada final do futebol americano.

Contexto: A evolução do marketing nos pés dos jogadores

A transformação das chuteiras de ferramentas de trabalho pretas e rústicas para artigos de luxo ultracoloridos começou no final da década de 1990, mas atinge o seu ápice absoluto no torneio de 2026. Antigamente, apenas o atleta principal de uma marca recebia um modelo customizado para se diferenciar dos demais em campo. Hoje, a estratégia mudou: as empresas envelopam seleções inteiras com a mesma identidade visual para criar um impacto de massa na mente do consumidor. Essa padronização estética redefine a forma como o futebol é assistido, transformando o esporte em um gigantesco e lucrativo catálogo comercial ao vivo.

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