O principal torneio de seleções do planeta está prestes a testemunhar um momento histórico que vai direto para os livros de recordes do futebol. Nesta quarta-feira (16), quando a seleção de Gana pisar no gramado em Toronto para enfrentar o Panamá na abertura do Grupo L, todos os olhos estarão voltados para o banco de reservas africano. Aos 73 anos, o veterano técnico português Carlos Queiroz fará sua estreia oficial no comando da equipe e alcançará uma marca mítica de longevidade na história das Copas.
Queiroz dá continuidade a uma impressionante saga que começou em 2010, quando comandou Portugal. Depois disso, o treinador engatou uma sequência espetacular à frente do Irã nas edições de 2014, 2018 e 2022. Agora, ao assumir a seleção ganesa, ele iguala o recorde histórico de cinco torneios consecutivos estabelecido pelo lendário Bora Milutinović entre 1986 e 2002.
Quem detém o recorde absoluto e qual a posição do Brasil?
Embora o feito de Carlos Queiroz seja gigante pelo fator de consecutividade, o topo do ranking de participações gerais ainda pertence a um velho conhecido do torcedor brasileiro. O mestre Carlos Alberto Parreira é o recordista absoluto, tendo comandado equipes em seis edições do principal torneio do futebol mundial.
Parreira fez história ao liderar o Kuwait (1982), os Emirados Árabes Unidos (1990), a Arábia Saudita (1998) e a África do Sul (2010), além de suas duas passagens marcantes pela Seleção Brasileira: em 2006 e, claro, no mágico ano de 1994, quando levou a Amarelinha ao tão sonhado tetracampeonato mundial. Queiroz precisa de apenas mais uma participação em edições futuras para sentar-se ao lado do brasileiro no topo do mundo.
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Como aconteceu o convite surpresa de Gana para o veterano?
A presença do comandante português no torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México é fruto de uma verdadeira reviravolta do destino. Inicialmente, Queiroz estava fora dos planos para a competição internacional, mas uma crise interna na Federação Ganesa de Futebol mudou tudo no mês de abril.
A seleção africana optou pela demissão do técnico Otto Addo em março, após uma sequência de exibições e resultados muito decepcionantes em partidas amistosas. Buscando um “choque de gestão” e precisando de cascata e experiência para blindar o elenco, os dirigentes de Gana foram buscar o veterano, que aceitou o desafio de imediato. “Trago 40 anos de experiência para cada decisão que será tomada”, declarou o treinador.
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Por que o estilo de Queiroz divide opiniões e gera polêmica?
O comandante é conhecido no meio do futebol por sua mente extremamente analítica e técnica, mas seu comportamento explosivo na área técnica muitas vezes rouba a cena. Para alguns, ele tem a postura de um verdadeiro “vilão” de cinema à beira do campo por causa de suas discussões com a arbitragem e rivais. Para outros, seu estilo de jogo defensivo e pragmático é visto como pouco inspirador.
O temperamento do treinador já rendeu críticas pesadas de grandes astros do futebol. O ex-capitão do Manchester United, Roy Keane, que trabalhou com o português na Inglaterra, disparou sem papas na língua no passado: “Senti que ele tinha a personalidade de uma mosca morta quando trabalhei com ele”.
O pioneirismo e o legado de ouro deixado em Portugal
Apesar das críticas ao estilo de jogo, a importância de Queiroz para o futebol moderno é inquestionável, principalmente em sua terra natal. Ele é amplamente aclamado em Portugal como o homem que revolucionou as categorias de base do país, trazendo a ciência das universidades para dentro das quatro linhas e criando uma estrutura de formação que abastece a Europa até hoje.
Foi Carlos Queiroz quem comandou a histórica “Geração de Ouro” portuguesa, conquistando dois títulos mundiais consecutivos na categoria Sub-20, em 1989 e 1991. Sob as suas asas, foram revelados craques do calibre de Luís Figo, Paulo Sousa e João Pinto. Agora, o brilhante estrategista quer usar toda essa bagagem para fazer a periferia do futebol sorrir, tentando levar a seleção de Gana o mais longe possível na competição atual.
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A carreira de Carlos Queiroz e o currículo de peso no futebol
Nascido em Moçambique, Carlos Queiroz construiu uma reputação de nível global no futebol. Além de seu trabalho revolucionário nas seleções de base e principal de Portugal, o treinador acumula passagens pelo comando do poderoso Real Madrid, na Espanha, e anos de sucesso como o braço direito do lendário técnico Alex Ferguson no Manchester United durante a era de ouro do clube inglês. Gana é o oitavo país diferente a entregar sua seleção nacional nas mãos do estrategista, que também já comandou equipes como a África do Sul, Colômbia, Egito e Omã, consolidando-se como um dos maiores operários e viajantes do futebol mundial.