A volta de Nescau e o limite do hormônio no fisiculturismo

Veterano de 63 anos retorna ao esporte reduzindo o uso de hormônios, refletindo o equilíbrio entre saúde e desempenho.
Redação NC News
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O comerciante e atleta veterano José Cláudio de Lima, conhecido nos palcos como Nescau, tomou uma decisão radical que colocou seu nome no centro de uma das maiores discussões do esporte nacional. Aos 63 anos, o fisiculturista decidiu cortar pela metade a dose de hormônios sintéticos que utilizava em suas preparações anteriores. A escolha foi feita enquanto ele mira um objetivo ambicioso: o Mister Olympia, que acontecerá em São Paulo, em novembro deste ano.

A mudança de rota de Nescau acontece em um momento crucial. O fisiculturismo brasileiro vive uma pressão sem precedentes por mais responsabilidade e cuidado com a saúde, impulsionada pelo contraste entre atletas da velha guarda e os abusos cometidos por praticantes mais jovens.

Menos hormônio, mais rotina: a fórmula do veterano

Natural de Mariana (MG) e proprietário do Restaurante JK em Ouro Preto, Nescau prova que o esporte não tem barreiras de idade. Ele iniciou a trajetória competitiva tardiamente, em 2024, mas em pouco mais de um ano acumulou um currículo de respeito: disputou cinco campeonatos nacionais, conquistando dois títulos e um quinto lugar no prestigiado Arnold Classic.

Para sustentar sua longevidade e atingir a meta de chegar bem aos 70 anos, e não apenas esteticamente seco no palco, o atleta defende exames frequentes e o retorno às bases do esporte. “O fisiculturismo não tem segredo não, é alimentação, treino e descanso. Você seguir essas três regrinhas aí é o suficiente”, afirma o comerciante.

O perigo do “Blast and Cruise” na nova geração

A postura consciente de Nescau colide frontalmente com a realidade atual das academias brasileiras. Profissionais da saúde de grande prestígio, como o médico Paulo Muzy, alertam para os perigos do uso agressivo de esteroides anabolizantes por jovens e amadores.

Muzy destaca que, desde o início dos anos 2000, popularizou-se uma prática altamente perigosa conhecida como “blast and cruise”. Nela, o uso de substâncias sintéticas nunca é interrompido; os atletas alternam apenas entre períodos de doses cavalares e fases de “descanso” com níveis hormonais ainda muito acima do normal.

Os riscos reais por trás dos físicos extremos:

A busca por atalhos estéticos e físicos monstruosos cobra um preço alto do organismo, manifestando-se em problemas que vão muito além da estética:

  • Envelhecimento precoce: Modelos químicos contínuos aceleram o desgaste orgânico dos atletas atuais em relação aos fisiculturistas das décadas passadas.
  • Redução da expectativa de vida: O abuso constante tende a empurrar a longevidade desses praticantes para patamares bem abaixo da média da população geral.
  • Danos cardiovasculares: O uso indiscriminado sobrecarrega gravemente o coração e desregula a pressão arterial.
  • Efeitos psicológicos e colaterais: Crises de humor, piora severa na qualidade do sono, pele extremamente oleosa e queda de cabelo são relatos frequentes nas redes sociais.
    Propostas para conter os excessos no esporte

Diante do cenário preocupante, especialistas defendem que federações e clubes históricos imponham barreiras rígidas para frear o consumo precoce. Uma das propostas de Muzy é a exigência de uma idade mínima de 30 anos para a profissionalização ou para subir em palcos grandes como o Olympia, protegendo adolescentes de 14 anos que iniciam ciclos pesados de anabolizantes.

Instituições tradicionais, como o lendário Clube Apolo de Porto Alegre — fundado em 1948 —, atuam como guardiãs da memória de ferro, mostrando que a disciplina, o respeito ao tempo do corpo e o incentivo ao fisiculturismo natural são os únicos caminhos viáveis para que o esporte seja sinônimo de saúde, e não uma corrida perigosa contra o próprio tempo

O que é o fisiculturismo?

É um esporte em que atletas desenvolvem músculos de forma extrema, combinando treino de força, alimentação controlada e descanso, para se apresentar em campeonatos.

Qual é o objetivo do fisiculturismo?

O objetivo é construir um físico com alto nível de musculatura, baixa gordura e boa simetria, para ser avaliado por juízes em competições específicas.

É saudável ser fisiculturista?

Pode ser, quando baseado em treino, dieta e descanso, com acompanhamento profissional. O uso abusivo de esteroides, porém, aumenta riscos e reduz a expectativa de vida.

Qual o salário de um fisiculturista?

Não há salário fixo. A renda costuma vir da soma de premiações em campeonatos, patrocínios, aulas, consultorias e redes sociais, variando muito entre atletas.


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