Gustavo Gómez deixa Mundial em alta após muralha contra a França

Gustavo Gómez se destaca como líder e defensor sólido mesmo com a eliminação do Paraguai no Mundial de 2026.
Redação NC News
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Gustavo Gómez segura Kylian Mbappé por 70 minutos, na noite de ontem, 4, em Filadélfia. O Paraguai cai por 1 a 0, mas o capitão sai em alta do Mundial de Seleções.

Defesa impecável em eliminação por detalhe

No placar, a vitória francesa por 1 a 0 parece rotina para uma potência recente do futebol. Em campo, porém, o jogo conta outra história. O Paraguai volta ao principal torneio de seleções após 16 anos e transforma as oitavas de final em um teste de paciência para o ataque de Mbappé.

A seleção sul-americana se fecha, compacta as linhas e entrega a bola ao rival. Gómez, zagueiro do Palmeiras, comanda a defesa com precisão quase sem falhas. O plano funciona até os 25 minutos do segundo tempo, quando um pênalti sofrido por Desiré Doué abre a brecha que Mbappé precisava.

O francês converte, chega a 6 gols em 4 jogos no Mundial e segue na disputa direta com Lionel Messi pelos recordes de artilharia. O Paraguai se despede, mas deixa a sensação de que joga de igual para igual com a atual campeã e vice das últimas edições.

Orgulho em campo e nos microfones

Ao deixar o gramado da Filadélfia, Gómez não fala como quem se apega ao resultado. Fala como líder de um grupo que supera o próprio limite. “Estou muito orgulhoso dos meus companheiros, do que fizemos neste Mundial. Nós entramos em campo para defender nossa seleção. Temos que seguir trabalhando para elevar o nível do futebol paraguaio”, afirma ao jornal paraguaio “ABC”.

O discurso ecoa no vestiário. Gustavo Alfaro, técnico argentino que recoloca o Paraguai no mapa do Mundial, lamenta o lance que decide o jogo. “Hoje, se não fosse por esse pênalti, não teriam marcado. Por isso os franceses festejaram como festejaram no fim, e terminaram o jogo ganhando tempo”, diz, também ao “ABC”.

Alfaro lembra a distância percorrida pelo país até aquela noite. “Nós voltamos à Copa após 16 anos e enfrentamos um rival que foi campeão na Rússia (2018) e vice no Catar (2022)”, completa. A fala traduz o contraste entre a eliminação nas oitavas e o salto competitivo da seleção.

Muralha, líder e técnico do futuro?

Enquanto franceses comemoram a vaga nas quartas, a internet paraguaia escolhe seu herói. Nas redes sociais, Gómez vira sinônimo de resistência. Um torcedor escreve: “Eu te amo, Gustavo, meu capitão carajo, uma muralha todo o mundial, mundialazo você fez, nunca mais ninguém pode te dizer que você não é o que é no seu clube”.

Outro vai além e já projeta o zagueiro fora das quatro linhas. “Gustavo Gómez quando se aposentar tem que ser o técnico do Paraguai. Já deve estar esperando esse papel por ele”, publica. Há também quem destaque o efeito emocional da liderança do defensor. “Gustavo Gómez, eu te amooooooo, você fez seus companheiros voltarem a sentir o que é amar a Albirroja, acho que o que mais merecia que isso aconteça, mas ainda há caminho pela frente.”

Os elogios não se limitam ao capitão. O meia Matías Galarza, ex-Vasco e Coritiba, resume a sensação de ter empurrado a melhor seleção do mundo para o limite. “É a melhor seleção do mundo e terminaram o jogo fazendo cera. Estou orgulhoso do que fizemos”, afirma.

No campo, a cena que marca a noite é o duelo direto entre Mbappé e Gómez. De um lado, o atacante francês obcecado por números: 6 gols em 4 jogos neste Mundial, 18 em 18 partidas na história do torneio, dois atrás dos 20 de Messi. Do outro, o capitão paraguaio que reduz espaços, antecipa jogadas e obriga o craque a decidir em um lance de bola parada.

Impacto no Paraguai e no Palmeiras

A atuação em Filadélfia não nasce do nada. O Paraguai já vinha de uma campanha acima da expectativa, com classificação sobre a tetracampeã Alemanha nos pênaltis, sustentada em organização defensiva. Gómez, ao lado de Omar Alderete, personifica essa solidez.

O Mundial também reposiciona o futebol paraguaio no cenário internacional. Após 16 anos fora, a seleção volta com uma imagem renovada: competitiva, disciplinada e capaz de neutralizar um ataque entre os mais fortes do planeta. Esse salto tende a atrair investimentos em formação, estrutura e corpo técnico, e reforça o valor de jogadores como Galarza e o volante Cubas, citados por torcedores como destaques.

Para o Palmeiras, a exposição é ainda mais direta. Gómez já chega ao clube, em 2018, cercado de expectativa, depois de passagem frustrante no Milan. Em São Paulo, deixa a fritadeira italiana no passado e vira referência técnica e emocional. A noite em Filadélfia apenas internacionaliza uma imagem que o palmeirense conhece bem: a do zagueiro que decide jogos com posicionamento, liderança e presença na área adversária.

A boa campanha no Mundial potencializa o valor esportivo e de mercado do defensor, aumenta o interesse de clubes europeus e reforça o rótulo de um dos principais zagueiros da atualidade na América do Sul. Também pesa na vitrine de outros jogadores da seleção e na percepção externa sobre o campeonato brasileiro, onde Gómez empilha títulos e atua lado a lado de jovens em ascensão, como Endrick, e veteranos consolidados, como o goleiro Weverton.

Desafio ofensivo e próximos capítulos

A eliminação nas oitavas escancara uma contradição. O Paraguai prova que sabe se defender em nível de Mundial, mas carece de soluções ofensivas para transformar partidas equilibradas em classificações. Contra a França, a seleção neutraliza, mas quase não incomoda Maignan.

Esse desequilíbrio redefine prioridades para a próxima etapa. A comissão técnica precisa manter a organização que faz o time resistir a Mbappé e companhia, ao mesmo tempo em que busca repertório de criação, aproximação entre linhas e mais presença na área rival. O objetivo é simples: evitar que campanhas sólidas terminem em derrotas decididas por detalhes, como o pênalti desta noite.

Gustavo Gómez volta ao Palmeiras maior do que chegou ao Mundial. O Paraguai retorna para casa com orgulho e lições claras. A imagem do capitão abraçando companheiros após o apito final sintetiza o momento. Entre a frustração da eliminação e a certeza de um novo patamar, fica a sensação de que a muralha paraguaia ainda tem capítulos importantes a escrever, tanto em São Paulo quanto com a faixa de capitão vermelha, branca e azul.

 

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