Motoristas de Sergipe podem, a partir desta semana, mudar gratuitamente a categoria da carteira de habilitação para C, D ou E e receber capacitação profissional. O benefício é oferecido pelo Projeto Mais Motorista Pessoa Física 2026, que mantém inscrições abertas até 14 de julho de 2026.
Programa tenta destravar acesso à formação profissional
A iniciativa mira um público que costuma ficar preso na categoria B por falta de dinheiro para bancar exames, taxas e cursos. Ao assumir esses custos, o projeto tenta reduzir a barreira de entrada para quem deseja atuar no transporte de cargas ou de passageiros.
O foco recai sobre um setor que sente falta de mão de obra qualificada, sobretudo em operações de longa distância e no transporte coletivo. Empresários do transporte de cargas relatam, há anos, dificuldade para preencher vagas de motoristas com carteira de motorista do Brasil nas categorias mais altas.
O Sest Senat, ligado ao sistema de transporte, executa o programa no estado. Em nota, o g1 SE resume o escopo da ação: “O Projeto Mais Motorista Pessoa Física 2026 está ofertando gratuitamente a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para as categorias C, D ou E e capacitação profissional para atuação no setor”.
Inscrição exclusiva pela internet e critérios rígidos
As inscrições ocorrem somente pelo portal oficial do Programa Mais Motoristas, no site do Sest Senat. Não há atendimento presencial para cadastro. O candidato precisa preencher os dados pessoais, informar a categoria atual da CNH e escolher a nova categoria pretendida, dentro das opções C, D ou E.
O acesso não é irrestrito. O projeto segue as exigências do Código de Trânsito Brasileiro e impõe filtros adicionais. O interessado deve ter, no mínimo, 19 anos completos, saber ler e escrever, possuir CPF e apresentar carteira de motorista válida, seja física ou digital.
O histórico de trânsito pesa na análise. Quem comete mais de uma infração gravíssima em 12 meses fica de fora. Motoristas com o direito de dirigir suspenso também não entram. A ideia é priorizar condutores com alguma experiência e perfil considerado mais responsável ao volante.
Depois da aprovação da inscrição, o participante segue para as etapas de alteração de categoria junto ao órgão de trânsito e para a formação profissional. Esses processos são custeados pelo próprio projeto, o que, na prática, transforma a mudança de categoria e a qualificação em uma espécie de carteira de motorista gratuita para quem já está habilitado e preenche todos os requisitos.
Formação em escola especializada e cursos homologados
O pacote oferecido em Sergipe não se limita ao pagamento das taxas. O Projeto Mais Motorista inclui cursos em escola especializada para preparar o condutor para o cotidiano da estrada e o transporte de passageiros.
A formação ocorre na Escola de Motoristas Profissionais ou em cursos homologados pelo Sest Senat. As aulas abordam direção segura, legislação, rotina de trabalho e noções de manutenção, além de temas ligados à jornada, descanso e relacionamento com usuários e empresas.
A proposta tenta ir além da visão burocrática da carteira de motorista gov e de aplicativos de carteira de motorista digital. O desenho do programa parte da premissa de que o documento, por si só, não garante a segurança viária nem a empregabilidade. O objetivo é entregar um motorista com habilidade técnica e noção clara de responsabilidade no trânsito.
Essa combinação de mudança de categoria e capacitação também interessa às empresas de transporte, que enfrentam pressão por redução de acidentes e melhoria na qualidade do serviço. Com mais profissionais treinados, a expectativa é reduzir custos com sinistros, afastamentos e danos à imagem.
Impacto no mercado local e pressão sobre cursos pagos
Ao assumir o valor integral da mudança da CNH e da formação, o projeto altera o ambiente de negócios de um mercado que vive da oferta de cursos e treinamentos pagos. Autoescolas e centros de formação tendem a sentir o impacto imediato da concorrência gratuita financiada por um programa de alcance estadual.
No curto prazo, o efeito mais visível recai sobre motoristas em busca de oportunidades. Para quem trabalha como autônomo, em aplicativos ou em serviços informais e não conseguia bancar o custo da mudança de categoria, a iniciativa abre uma porta real. Um motorista com carteira de motorista B, por exemplo, pode se qualificar para dirigir caminhão ou ônibus e disputar vagas melhores.
O setor de transporte de cargas e passageiros é o outro beneficiado direto. Com mais gente habilitada para as categorias C, D e E, empresas podem reduzir gargalos em contratações e ganhar margem para selecionar profissionais com formação mais robusta. A tendência é de pressão positiva sobre a qualidade média dos motoristas disponíveis.
Para o Sest Senat, o projeto reforça o papel histórico da entidade na qualificação de trabalhadores do transporte. A atuação conjunta com o setor público pode fortalecer políticas de segurança viária, área em que a taxa de mortalidade ainda assusta, sobretudo em rodovias.
O que esperar após o fim das inscrições
O prazo de 14 de julho de 2026 funciona como um gatilho de urgência. Quem pretende mudar de categoria ou ingressar no setor precisa decidir rápido. Passada essa data, o programa avalia o número de inscritos, o perfil dos candidatos e o aproveitamento nos cursos.
Um bom desempenho em Sergipe pode transformar o Mais Motorista Pessoa Física em modelo para outros estados. A lógica é simples: investimento moderado em formação e carteira de motorista renovação em massa para categorias de maior responsabilidade pode devolver ganhos em segurança, produtividade e geração de renda.
Se o programa mostrar resultados em acidentes, empregabilidade e satisfação das empresas, a pressão por ampliação deve crescer. O desafio será manter a qualidade da formação diante de uma demanda potencialmente alta e de um setor de transporte em constante mudança, da logística pesada ao transporte urbano.