O combustível vendido nos postos brasileiros terá uma mudança nos próximos meses. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa de 30% para 32%.
A nova composição, chamada de E32, começa a valer por 180 dias, com possibilidade de prorrogação. Segundo o governo, a medida pode fazer o Brasil deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a dependência do mercado internacional de combustíveis.
O que muda na gasolina vendida nos postos?
Com a decisão, a gasolina comum passa a ter uma quantidade maior de etanol misturado em sua composição.
Antes, a mistura obrigatória era de:
- 70% de gasolina pura
- 30% de etanol anidro
Agora, a composição passa a ser:
- 68% de gasolina
- 32% de etanol anidro
O etanol anidro é um tipo de álcool combustível produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar e utilizado para melhorar a composição da gasolina.
Na prática, o motorista continuará abastecendo normalmente nos postos. A diferença está na composição química do combustível.
Por que o governo decidiu aumentar o etanol na gasolina?
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a mudança busca reduzir a necessidade de importação de gasolina e proteger o país de oscilações no mercado internacional de petróleo.
O governo afirma que o cenário mundial de combustíveis tem apresentado instabilidade, com variações nos preços e riscos de abastecimento.
Com mais etanol produzido no Brasil sendo utilizado na mistura, a expectativa é diminuir a dependência de combustíveis comprados de outros países.
A gasolina com mais etanol pode prejudicar o carro?
Essa é uma das principais dúvidas dos motoristas.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, estudos técnicos avaliaram a utilização da mistura E32 em veículos leves e motocicletas.
Os testes foram realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia e indicaram que a nova proporção não compromete o desempenho ou o consumo dos veículos, inclusive em modelos que não utilizam tecnologia flex.
A avaliação também considerou o funcionamento dos motores em diferentes condições de uso.
Mesmo assim, o governo continua analisando possíveis aumentos futuros na mistura, como a chamada E35, com 35% de etanol na gasolina.
A análise busca entender principalmente os efeitos de longo prazo sobre componentes dos veículos.
O que pode acontecer com a gasolina nos próximos meses?
A mudança terá validade inicial de seis meses.
Durante esse período, o governo pretende acompanhar os efeitos da nova mistura e avaliar o impacto no mercado de combustíveis.
Caso os resultados sejam considerados positivos, a medida poderá ser mantida ou até ampliada.
A possibilidade de chegar a uma mistura maior, como o E35, ainda depende de novos estudos técnicos.
Governo também anuncia novas medidas contra fraudes em combustíveis
Além da mudança na gasolina, o CNPE aprovou novas regras para reforçar o combate à adulteração de combustíveis.
A proposta prevê maior integração entre órgãos de fiscalização, incluindo:
- Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
- Ministérios Públicos;
- Procons;
- polícias;
- órgãos fazendários;
- Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
A ideia é ampliar o controle sobre a origem dos combustíveis vendidos no país e reduzir práticas ilegais que prejudicam consumidores e empresas que atuam dentro das regras.
Como será o controle dos combustíveis?
Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da rastreabilidade dos produtos e a modernização dos sistemas de acompanhamento das operações comerciais.
Uma das propostas é a implementação de escrituração eletrônica certificada para operações realizadas por postos revendedores.
Na prática, o objetivo é criar um histórico mais detalhado sobre a movimentação dos combustíveis, dificultando fraudes e adulterações.
Entenda o contexto
O Brasil busca ampliar o uso de biocombustíveis há décadas como forma de reduzir a dependência do petróleo e fortalecer uma matriz energética com maior participação de fontes produzidas no próprio país.
O etanol brasileiro, principalmente produzido a partir da cana-de-açúcar, já faz parte da composição da gasolina há anos.
A nova decisão aumenta temporariamente essa participação para 32% e ocorre em um cenário de preocupação com a variação dos preços internacionais dos combustíveis.
Agora, o governo acompanhará os impactos da medida no funcionamento dos veículos, no mercado de combustíveis e no abastecimento nacional.