O neurocirurgião Jacinto Barbosa Lay Chaves, de 52 anos, teve a morte encefálica confirmada nesta quinta-feira (16) no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O médico lutava há quase dois anos contra as sequelas do acidente aéreo que sofreu em 8 de setembro de 2024, na Zona Sul de Teresina.
Confirmação em hospital de referência e comoção no Piauí
A informação sobre a morte encefálica foi confirmada por amigos e pelo deputado estadual Dr. Marcus Kalume, que acompanhava o caso. Familiares, colegas de profissão e pacientes se mobilizaram nas redes sociais desde o início da manhã, com mensagens de luto e agradecimento ao médico.
Jacinto Lay estava internado no Albert Einstein desde aquele dia, após uma nova piora do quadro neurológico. Ele havia retornado ao hospital paulistano, referência em tratamento de alta complexidade, depois de um longo percurso de reabilitação iniciado logo após o acidente.
A confirmação da morte encefálica encerrou uma espera angustiante para a família e recolocou em evidência o impacto do acidente na BR-316, que também havia deixado gravemente ferida a manicure Kelliane Pereira dos Santos e exposto fragilidades na segurança da aviação de pequeno porte.
O dia do acidente na BR-316
Na tarde de 8 de setembro de 2024, Jacinto Lay pilotava um avião de pequeno porte North Land PA-18 quando declarou emergência à torre de controle. Ele relatou uma “perda de hélice em voo” enquanto sobrevoava a região do bairro Lourival Parente, na Zona Sul de Teresina.
Sem o componente que impulsionava a aeronave, tentou realizar um pouso forçado na BR-316, corredor movimentado de entrada e saída da capital. O avião atingiu uma van com quatro ocupantes — um empresário, a esposa e dois netos, de 3 e 6 anos — e uma motocicleta em que estava a manicure Kelliane Pereira dos Santos, de 27 anos. A aeronave só parou após colidir contra a estrutura de uma parada de integração do transporte urbano.
O médico ficou preso às ferragens e sofreu hemorragia intracraniana, múltiplas fraturas e politraumatismo. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o entubaram ainda no local antes de levá-lo a um hospital em Teresina, onde passou por cirurgias de emergência.
Kelliane, atingida por partes da aeronave, sofreu traumatismo cranioencefálico e múltiplos ferimentos. “Eu só tive noção que eu estava viva e passando por esse processo quando eu já estava há duas semanas aqui em casa, antes eu não tinha noção de nada. Até hoje eu não tenho noção de como aconteceu”, relatou a manicure meses depois, já em recuperação.
Os quatro ocupantes da van sofreram ferimentos leves.
Transferência para São Paulo e longa recuperação
Dois dias após o acidente, em 10 de setembro de 2024, Jacinto foi transferido em UTI aérea para o Hospital Israelita Albert Einstein. O quadro era grave, mas estável. Ele permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva até apresentar evolução considerada positiva pela equipe médica e pela família.
Após deixar a UTI, seguiu para uma unidade semi-intensiva e, mais tarde, retornou a Teresina para continuar o tratamento. O processo de reabilitação envolveu fisioterapia, acompanhamento neurológico e avaliações constantes.
Mesmo com algumas melhoras registradas ao longo de 2025, as sequelas neurológicas permaneceram relevantes. Nesta quinta-feira, após uma nova piora, ele foi novamente internado no Albert Einstein. Exames neurológicos confirmaram a morte encefálica, informação repassada a familiares e amigos e, posteriormente, divulgada por pessoas próximas e pelo deputado Dr. Marcus Kalume.