A revelação lança novos holofotes sobre os desdobramentos da operação “Compliance Zero”, que investiga o esquema conhecido como Caso Master. No centro da polêmica está um terreno de 51 mil metros quadrados localizado na região metropolitana de Salvador, adquirido pelo petista no ano de 2000.
A venda do lote foi negociada com um grupo de empresas do ramo de incorporação imobiliária. Apesar da transação ter sido interrompida, registros apontam que o senador já havia recebido R$ 2 milhões pagos à vista pelo negócio.
A tentativa de registro da escritura ocorreu no dia 19 de junho em um cartório da comarca de Camaçari. No entanto, o tabelionato travou o andamento após receber a ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no STF:
“Em cumprimento ao processo expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel, de propriedade de Jaques Wagner.”
O pivô do Caso Master
A Polícia Federal bateu à porta de Jaques Wagner no dia 18 de junho. As investigações apuram indícios de que o senador recebeu favorecimento indevido do empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
O inquérito detalha um pedido feito pelo petista para que Lima comprasse um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador. A defesa do parlamentar sustenta que a intenção era apenas que o empresário adquirisse o imóvel para que Wagner pudesse comprá-lo de volta posteriormente e repassá-lo para sua filha.
Venda de apartamento a adversário político
Além do terreno bloqueado em Camaçari, o STF também frustrou a venda do apartamento onde o próprio senador mora em Salvador. O imóvel de luxo, avaliado em R$ 10 milhões, foi negociado com o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos (União Brasil), integrante de um grupo político que faz oposição frontal ao PT na Bahia.
Neste caso, a cronologia da negociação começou antes da chegada da Polícia Federal, mas o desfecho acabou paralisado pelo mesmo bloqueio judicial:
- Dezembro de 2025: Assinatura do contrato de compra e venda do imóvel.
- Até Abril de 2026: Pagamentos milionários foram transferidos diretamente para a conta de Jaques Wagner.
- 10 de junho de 2026: Entrada no pedido de registro no cartório (oito dias antes da operação da PF).
Com o dinheiro já na conta de Wagner, o prefeito Marcelo Passos lamentou o bloqueio e afirmou ser vítima da situação. “Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos comprovam isso. Infelizmente, acabei figurando nessa história como terceiro de boa-fé”, declarou o político do União Brasil.
O que diz a defesa
Procurada após a revelação das tentativas de venda, a defesa do senador adotou um tom incisivo e negou qualquer tentativa de blindagem ou ocultação de patrimônio.
Em nota oficial, os advogados de Jaques Wagner afirmaram que os fatos são públicos e reforçaram que “não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, informando ainda que o parlamentar só se manifestará judicialmente sobre o caso.