Cerco aperta: PF aciona Interpol para rastrear fortuna de Daniel Vorcaro no exterior

A PF utiliza alerta da Interpol para localizar bens de Daniel Vorcaro relacionados a fraude bilionária.
Redação NC News
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A investigação sobre o colapso do Banco Master acaba de ganhar uma dimensão internacional. A Polícia Federal acionou a Interpol para tentar localizar bens do empresário Daniel Vorcaro fora do Brasil, ampliando a ofensiva para rastrear uma fortuna que, segundo os investigadores, pode estar espalhada por diferentes países e estruturas financeiras.

A medida representa um novo capítulo da Operação Compliance Zero e ocorre enquanto cresce a pressão para recuperar parte dos recursos perdidos com a quebra do banco, que gerou um impacto estimado em R$ 52 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

PF quer descobrir onde está o patrimônio

A estratégia da Polícia Federal é mapear imóveis, empresas, contas bancárias, aeronaves, embarcações e outros ativos que possam estar registrados em nome de Daniel Vorcaro ou de pessoas e empresas ligadas a ele.

Para isso, a corporação utilizou um mecanismo relativamente novo da Interpol conhecido como Silver Notice, criado para facilitar o rastreamento internacional de patrimônio relacionado a investigações sobre crimes financeiros.

Na prática, o pedido é enviado às autoridades de diversos países para verificar se existem bens que possam ser bloqueados ou, futuramente, repatriados caso a Justiça conclua que tenham origem ilícita.

Os investigadores acreditam que parte da fortuna possa estar distribuída em países como Estados Unidos, Itália, Bahamas e outros centros financeiros internacionais.

O desafio é encontrar o dinheiro antes que ele desapareça

Segundo investigadores, o maior obstáculo neste momento é localizar rapidamente os ativos.

A suspeita é que parte do patrimônio tenha sido pulverizada por meio de holdings, fundos de investimento, empresas de fachada e outras estruturas societárias que dificultam a identificação do verdadeiro proprietário.

Quanto mais tempo passa, maior é o risco de venda de imóveis, transferência de recursos ou reorganização patrimonial, o que pode dificultar futuras decisões judiciais.

Por isso, a cooperação internacional passou a ser considerada uma etapa decisiva da investigação.

Mansões, imóveis de luxo e patrimônio no exterior

Os primeiros levantamentos já apontam indícios de patrimônio relevante fora do Brasil.

Entre os bens citados por pessoas ligadas às investigações está uma mansão na Flórida avaliada em cerca de R$ 180 milhões, que teria sido colocada à venda pelo pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, também investigado no caso.

Apesar dessas informações, a Polícia Federal reconhece que ainda não possui um retrato completo dos ativos mantidos pelo empresário no exterior.

É justamente essa lacuna que a Interpol deverá ajudar a preencher.

O padrão de vida virou alvo da investigação

Outro ponto que chama atenção dos investigadores é o alto padrão de gastos atribuído ao empresário.

Documentos do inquérito mencionam uma festa de aniversário realizada para uma das filhas de Vorcaro em uma ilha particular nas Bahamas, com custo estimado em aproximadamente R$ 5 milhões.

As investigações também citam um evento realizado em 2023, na cidade italiana de Taormina, na Sicília, que teria movimentado centenas de milhões de reais entre estrutura, hospedagem e atrações internacionais.

Segundo a Polícia Federal, essas despesas ajudam a compor o cenário analisado pela investigação sobre a origem e a movimentação do patrimônio.

Patrimônio declarado e suspeitas da PF

Dados apresentados durante investigações indicam que Daniel Vorcaro declarou patrimônio de aproximadamente R$ 2,4 bilhões à Receita Federal em 2024.

Nos bastidores da investigação, porém, a avaliação é de que a fortuna efetivamente controlada pelo empresário pode ser significativamente maior, principalmente por causa da existência de ativos que estariam fora do Brasil.

É justamente por isso que a localização desses bens se tornou prioridade.

O que a investigação apura

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção e outras irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Entre as linhas de investigação está a suspeita de comercialização de ativos considerados superavaliados, além da captação irregular de recursos de regimes próprios de previdência de estados e municípios.

A Polícia Federal também apura possíveis relações entre Daniel Vorcaro e agentes públicos. As investigações citam contatos com parlamentares e pessoas ligadas ao meio político, que são analisados para verificar eventual troca de vantagens indevidas.

Os citados negam qualquer irregularidade, e as apurações seguem em andamento.

A disputa agora gira em torno da fortuna

Mais do que responsabilizar criminalmente os investigados, a prioridade das autoridades é localizar recursos que possam ser usados para ressarcir parte dos prejuízos causados pelo colapso do Banco Master.

Segundo investigadores, negociações para um possível acordo de colaboração premiada avançaram em alguns momentos, mas encontraram resistência justamente na identificação do patrimônio mantido no exterior.

Enquanto isso, decisões judiciais já autorizam diligências para localizar contas bancárias, imóveis, fundos de investimento e outros ativos em diferentes países.

O que pode acontecer agora

O próximo passo dependerá das respostas enviadas pelos países que receberem o pedido da Interpol.

Caso sejam encontrados imóveis, contas bancárias, empresas ou outros bens ligados a Daniel Vorcaro, a Polícia Federal poderá pedir à Justiça brasileira medidas para bloquear esses ativos e iniciar processos de cooperação internacional visando eventual confisco e repatriação, se houver decisão judicial nesse sentido.

O caso também pode servir de teste para a atuação conjunta entre o Brasil e outros países no combate a crimes financeiros transnacionais, especialmente quando envolvem patrimônios mantidos fora do território nacional.

Entenda o contexto

Daniel Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros relacionados ao colapso do Banco Master. As investigações envolvem supostos esquemas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e irregularidades no sistema financeiro. Com a quebra da instituição, o Fundo Garantidor de Crédito precisou assumir um rombo estimado em R$ 52 bilhões. Agora, a principal frente da investigação é localizar ativos mantidos no exterior que possam, futuramente, ser bloqueados ou recuperados por decisão da Justiça.

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