Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira (20) coloca a governadora Celina Leão (PP) na liderança da disputa pelo governo do Distrito Federal e aponta uma briga voto a voto entre Leila Barros (PDT) e Michelle Bolsonaro (PL) pela vaga ao Senado em 2026. Os dados revelam um cenário competitivo, com alta rejeição dos principais nomes e influência direta das crises internas do PL no tabuleiro político local.
Cenário para o governo: Celina à frente, Arruda competitivo
Na corrida ao Palácio do Buriti, Celina aparece com 31,7% das intenções de voto no cenário estimulado que inclui o ex-governador José Roberto Arruda (PL), que soma 28,1%. A diferença, superior à margem de erro de 2,6 pontos percentuais, deixa a atual governadora numericamente à frente. “Celina está numericamente à frente na corrida eleitoral local”, destaca análise da CNN Brasil sobre o levantamento.
O ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) surge em terceiro lugar, com 11,9%. Na sequência aparecem Ricardo Cappelli (PSB), ex-secretário executivo do Ministério da Justiça, com 4,5%; a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), com 3,6%; e o advogado Kiko Caputo (Novo), com 1,3%. Votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somam 9,1%, enquanto 6,8% dos entrevistados ainda não sabem ou preferem não responder.
Quando Arruda é retirado da lista de opções, Celina dispara. No segundo cenário testado, ela atinge 45,9% das intenções de voto, quase metade do eleitorado consultado. Grass assume a segunda posição, com 16,3%. Paula Belmonte sobe para 7,2%, Ricardo Cappelli vai a 5,7% e Kiko Caputo alcança 2,6%. Os que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum nome chegam a 13,7%, e os indecisos são 8,6%.
Rejeição alta e avaliação do governo Celina
O mesmo levantamento mostra um eleitorado dividido e exigente. A rejeição é liderada por Arruda, citado por 27,9% dos entrevistados como um nome em que não votariam de jeito nenhum. Celina vem logo atrás, com 26,3%. Grass aparece rejeitado por 16,2%, seguido por Kiko Caputo (13,7%), Paula Belmonte (13,5%) e Ricardo Cappelli (13,4%). Uma parcela de 6,9% diz que poderia votar em todos os nomes, e 15,3% não souberam ou não opinaram.
Apesar da rejeição elevada, Celina chega à metade do mandato fortalecida pela avaliação de governo. “A administração foi aprovada por 58,3% dos entrevistados”, registra a CNN Brasil, enquanto 37,6% desaprovam e 4,1% não souberam responder. Quando a pergunta trata da qualidade da gestão, 37,1% classificam o governo como ótimo ou bom, 31% o veem como regular e 29,2% o consideram ruim ou péssimo.
Os números ajudam a explicar a vantagem de Celina na disputa. A aprovação robusta cria um colchão de apoio, mas a rejeição quase no mesmo patamar que a de Arruda indica que a campanha tende a ser dura, marcada por ataques e disputa por eleitores de centro. Em meio à crise política local, que envolve o governador licenciado Ibaneis Rocha (MDB) e o impasse em torno do BRB, a pesquisa serve como termômetro para aliados e adversários.
Metodologia e peso do instituto no debate eleitoral
O levantamento sobre o governo do DF foi feito entre 17 e 19 de julho, com 1.500 eleitores entrevistados presencialmente em todo o Distrito Federal. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi financiada com recursos próprios do instituto e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo DF-01326/2026.
O instituto, frequentemente lembrado em buscas como “Paraná pesquisas hoje” e “Paraná pesquisas 2026”, atua no centro do debate nacional sobre levantamentos de opinião. Em todas as disputas recentes, seus dados alimentam análises sobre a corrida presidencial e estimulam perguntas como “Paraná pesquisas é confiável?” ou “Paraná pesquisas é de direita ou esquerda?”. A metodologia divulgada, com amostragem definida, margem de erro explícita e registro oficial no TSE, é usada pelo próprio instituto como resposta às desconfianças, reforçando o argumento de que segue padrões técnicos comparáveis aos dos principais institutos do país.
Senado: Leila do Vôlei x Michelle e a crise no PL
Na disputa ao Senado, a pesquisa realizada entre 17 e 19 de junho com a mesma base de 1.500 eleitores mostra um cenário ainda mais fragmentado. Em todos os cenários estimulados, a senadora Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei, lidera numericamente e aparece em situação de empate técnico com Michelle Bolsonaro. “Leila do Vôlei e Michelle Bolsonaro lideram as intenções de voto para o Senado”, resume o portal Metrópoles.
No primeiro cenário, sem a presença de Ibaneis, Leila registra 39,2% das intenções de voto. Michelle aparece logo atrás, com 36%. A deputada federal Erika Kokay (PT) surge em terceiro lugar, com 28,4%. Depois vêm Bia Kicis (PL), com 18,3%, Rafael Prudente (MDB), com 15,6%, e Sebastião Coelho (Novo), com 9,8%. Cada entrevistado pôde citar até dois nomes, já que o DF renovará duas cadeiras em 2026, o que explica a soma de percentuais acima de 100%.
No segundo cenário, sem Bia Kicis e sem Ibaneis, Leila sobe para 40,5%, mantendo a dianteira. Michelle é escolhida por 37,7% dos eleitores, novamente empatada na margem de erro. Erika Kokay alcança 29,8%, Rafael Prudente fica com 18,1% e Sebastião Coelho, com 14,1%.
No terceiro quadro simulado, sem Michelle e sem Ibaneis, mas com a inclusão do senador Izalci Lucas (PL), Leila consolida a liderança, com 41,6%. Erika Kokay aparece em seguida, com 30,4%. Izalci entra na disputa tentando preservar o espaço do PL, pressionado pela indefinição em torno de Michelle e pelo racha interno do partido.
Michelle cresce no voto espontâneo e tensiona a sigla
O cenário espontâneo, em que nenhum nome é apresentado ao eleitor, evidencia a força da ex-primeira-dama no campo bolsonarista. “Michelle Bolsonaro mantém a força entre o eleitorado bolsonarista”, observa a revista Veja, ao destacar que ela lidera essa modalidade com 4,9%. Erika Kokay vem a seguir, com 3%, e Leila do Vôlei aparece com 2,7%. Depois surgem Bia Kicis (1,6%), Ibaneis Rocha (0,7%), Sebastião Coelho (0,3%) e Rafael Prudente (0,2%).
A presença de Michelle na pesquisa contrasta com a incerteza sobre sua candidatura. Em junho, ela rompeu publicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao criticar, em vídeos, o apoio do partido ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Para Michelle, o PL teria abandonado seus valores ao endossar um adversário histórico do bolsonarismo. O embate abalou o clã e levou ao seu afastamento da presidência do PL Mulher.
Mesmo sob fogo amigo, ela segue no centro da estratégia do partido. “O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende que Michelle concorra à vaga no Senado”, registra Veja. A aposta é que sua popularidade ajude o PL a preservar protagonismo no DF e a alavancar a votação de aliados, num momento em que parte do eleitorado conservador também observa o desempenho de outros nomes da direita local.
Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente
Os números divulgados hoje produzem efeitos imediatos nas articulações para as convenções partidárias e para a formação de chapas. No governo local, Celina ganha fôlego para negociar apoios a partir de uma posição de favorita, mas precisa reduzir a rejeição para não abrir espaço a uma virada de Arruda ou ao crescimento de um terceiro nome, como Leandro Grass. Setores que dependem da continuidade de políticas atuais, como obras de infraestrutura e programas sociais, tendem a reforçar a adesão à governadora.
O grupo de Arruda, por sua vez, enxerga na pesquisa a confirmação de que ainda há capital político a ser explorado, mesmo com a rejeição mais alta do levantamento. A base petista lê o desempenho de Grass como ponto de partida para tentar reproduzir no DF a polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo, que aparece em outros cenários medidos pelo instituto, como nas buscas por “Paraná pesquisas lula” e “Paraná pesquisas para presidente 2026”.
No Senado, Leila sai fortalecida em todos os cenários simulados, o que tende a atrair partidos de centro em busca de uma candidatura considerada competitiva e menos suscetível a crises internas. Michelle, embora pressionada pela disputa familiar e pelas divergências com o PL nacional, comprova potencial de mobilização entre eleitores conservadores e bolsonaristas, o que pode redesenhar alianças à direita caso sua candidatura seja confirmada.
A pesquisa ainda deixa em aberto o comportamento dos indecisos e dos eleitores que hoje declaram voto em branco ou nulo, parcela que passa facilmente de 10% em vários cenários. É esse contingente que pode definir se o DF assistirá à continuidade da atual gestão ou a uma mudança de rumo no governo e na representação no Senado. Até lá, novos levantamentos do Paraná Pesquisas e de outros institutos vão testar se os resultados de hoje foram apenas um retrato do momento ou o prenúncio do desfecho de 2026.