Um novo detalhe passou a integrar a investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, é suspeito de ter descartado comprimidos de ecstasy na lixeira do Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, logo após chegar à unidade de saúde com a esposa já sem vida.
Segundo o boletim de ocorrência, o material foi recuperado por policiais militares e apreendido para perícia. O caso é investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer todas as circunstâncias da morte da oficial.
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Sargento jogou caixa com comprimidos no lixo do hospital, diz BO
De acordo com o registro da ocorrência, durante o atendimento no Hospital Odilon Behrens, o sargento pediu para utilizar o banheiro. Ele foi acompanhado por um policial militar e, no local, teria jogado uma pequena caixa metálica na lixeira.
A atitude chamou a atenção dos militares, que recolheram o objeto logo em seguida. Dentro da embalagem foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy, que agora serão analisados pela perícia.
A apreensão passou a integrar o inquérito conduzido pela Polícia Civil.
Militar diz que casal consumiu ecstasy durante confraternização
Em depoimento, o sargento afirmou que ele e Michele participaram de uma confraternização na residência do casal na noite anterior à morte. Segundo sua versão, amigos estiveram no imóvel e todos consumiram bebidas alcoólicas. Ele também declarou que ele e a esposa ingeriram comprimidos de ecstasy.
Ainda conforme o relato, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação física, conhecidas como “spanking”. O militar afirmou que essas práticas faziam parte da rotina do casal havia cerca de oito anos e que os atos daquela madrugada teriam sido gravados em vídeo.
Versão do sargento é investigada
O policial também declarou que Michele caiu de uma escada por volta do meio-dia, bateu a cabeça e sofreu um corte profundo na região frontal. Segundo ele, a capitã reclamava de tontura, mas recusou atendimento médico por estar constrangida com o estado em que se encontrava após o consumo da droga.
Ainda de acordo com sua versão, ele realizou os primeiros socorros, deu banho na esposa, conteve o sangramento e a colocou para descansar. Os dois teriam dormido durante a tarde e, apenas por volta das 21h, ele percebeu que Michele não respondia aos estímulos, momento em que decidiu levá-la ao hospital.
Médicos encontraram sinais de violência no corpo
Ao dar entrada no Hospital Odilon Behrens, Michele já estava morta. A equipe médica constatou que o óbito teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade.
Os profissionais também identificaram traumatismo craniano, hematomas, inchaços e outras lesões pelo corpo da capitã, o que levou ao acionamento da Polícia Militar e ao início das investigações.
Perícia apreendeu objetos e celular do militar
Durante os trabalhos no apartamento onde o casal morava, os peritos encontraram um cabo de madeira quebrado descartado na lixeira do prédio. O objeto foi apreendido porque pode ter sido utilizado para provocar as lesões na vítima.
Os investigadores também verificaram que as roupas de cama haviam sido retiradas e colocadas para lavar antes da chegada da polícia. As peças foram encontradas ainda dentro da máquina de lavar, enquanto o celular do sargento foi recolhido para análise pericial.
Além disso, a mãe da capitã afirmou em depoimento que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle psicológico e manipulação emocional.
Defesa pede cautela
Em nota, a defesa do sargento informou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento.
Os advogados declararam confiar na apuração conduzida pelas autoridades e disseram que irão se manifestar no momento oportuno, respeitando o devido processo legal e o direito de defesa.