Corpo achado no Rio Paranapanema após 4 dias de buscas em Iepê

Homem de 46 anos é encontrado após buscas intensas em lagoa próxima ao Rio Paranapanema, em Iepê (SP).
Redação NC News
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O corpo de um homem de 46 anos, desaparecido após se afogar no Rio Paranapanema, é encontrado nesta terça-feira, 21, em Iepê, interior de São Paulo. A localização encerra quatro dias de buscas e reacende o alerta para os riscos de natação em áreas naturais sem estrutura de segurança.

Buscas no rio terminam em lagoa às margens da SP-421

O resgate mobiliza Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil desde o sábado, 18, quando o homem submerge e desaparece em um braço do Rio Paranapanema. O ponto é conhecido na região como “represa”, usado por moradores para lazer, pesca e banho em dias de calor.

Após quatro dias de varredura em água e margens, o desfecho não vem das equipes de resgate, mas de um morador da área rural de Iepê. Na tarde desta terça-feira, ele vê um corpo submerso e boiando em uma lagoa próxima à Rodovia Prefeito Jorge Bassil Dower (SP-421) e aciona a Polícia Militar.

Policiais confirmam que o local fica em uma área ligada ao Rio Paranapanema, em um trecho afastado da zona urbana. A Polícia Civil é chamada para o atendimento da ocorrência e conduz os procedimentos de praxe.

“A Polícia Civil foi acionada até o local e foi constatada a morte da vítima”, informa a corporação. O corpo é encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), responsável pela necropsia e pela confirmação oficial das causas do óbito.

Banho em “represa” termina no leito principal do rio

O relato do Corpo de Bombeiros ajuda a reconstituir os últimos momentos da vítima. Segundo a corporação, o homem entra em um braço do Rio Paranapanema, uma espécie de enseada mais calma, que os moradores chamam de “represa”.

“O homem, de 46 anos, teria adentrado em um braço do Rio Paranapanema, conhecido popularmente como ‘represa’, e nadou além de seus limites, alcançando o leito principal do Rio Paranapanema, onde submergiu, não sendo mais visualizado”, diz a nota dos bombeiros.

A passagem da área mais rasa para o leito principal costuma marcar uma mudança brusca de condições. O rio ganha profundidade, correnteza e desníveis no fundo, o que surpreende banhistas acostumados a remansos mais tranquilos. Nessas transições, um passo em falso basta para a pessoa perder o contato com o chão e entrar em pânico.

Equipes de resgate passam quatro dias percorrendo o trecho com barcos, mergulhadores e apoio em terra. Correnteza, visibilidade reduzida e galhadas submersas dificultam o trabalho e atrasam a localização do corpo, que acaba arrastado até uma lagoa conectada ao curso do rio.

Risco permanente em áreas de lazer improvisadas

O caso expõe de forma cruenta os riscos de transformar trechos de rios em balneários improvisados, sem demarcação de áreas seguras, sem guarda-vidas e sem estrutura mínima. Em Iepê e municípios vizinhos, o Rio Paranapanema é parte da rotina de lazer, pesca e pequenas atividades turísticas.

Moradores conhecem o curso d’água de perto, consultam mapa, sabem onde o rio faz curvas e quais braços formam lagoas e remansos. Mesmo assim, a familiaridade não elimina o perigo. A profundidade varia em poucos metros, buracos se abrem no leito, bancos de areia mudam com o tempo e correntes ocultas podem puxar o banhista para trechos mais fundos.

As buscas que terminam nesta terça-feira colocam em evidência outra ponta do problema: o impacto sobre o sistema de resgate e segurança pública. Bombeiros, policiais militares e civis são deslocados por quatro dias inteiros para uma única ocorrência, em uma região extensa e com poucos efetivos disponíveis.

Ao mesmo tempo, a tragédia pesa sobre a comunidade. Famílias que usam o rio como refúgio em fins de semana se veem, de repente, confrontadas com o corpo levado pela água. O medo de novos acidentes cresce, e as cobranças por sinalização, fiscalização ambiental e presença de equipes treinadas tendem a se intensificar.

Pressão por sinalização e campanhas de prevenção

As autoridades locais são pressionadas a agir em várias frentes. A área às margens da Rodovia Prefeito Jorge Bassil Dower, com acesso facilitado e paisagem de represa, funciona na prática como ponto de lazer, mas não conta com infraestruturas típicas de locais preparados para banho.

O caso reforça a necessidade de placas de alerta sobre profundidade, correnteza e pontos de risco, além de restrições em áreas mais perigosas. Em paralelo, órgãos de segurança e meio ambiente avaliam campanhas específicas de conscientização, especialmente em períodos de calor, quando cresce o número de pessoas em busca de água doce para se refrescar.

A discussão extrapola Iepê. O Rio Paranapanema corta parte do interior paulista e faz divisa com o Paraná em vários trechos, passando por diferentes cidades e usos econômicos. Em cada município, a combinação de lazer, pesca, agricultura e geração de energia cria seus próprios pontos de risco, muitas vezes pouco mapeados para o público em geral.

Em médio prazo, o episódio tende a alimentar debates sobre políticas públicas de segurança em rios usados para recreação. Prefeituras, polícias, Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais podem ser pressionados a produzir diagnósticos mais precisos, com identificação de áreas críticas, regras claras para banho e fiscalização mais frequente.

Investigações da Polícia Civil vão detalhar as circunstâncias do afogamento, mas, para quem vive às margens do rio, uma conclusão prática já se impõe. Em trechos naturais sem estrutura e sem guarda-vidas, cada mergulho precisa ser calculado com rigor, sob pena de transformar um fim de semana de lazer em mais um caso de busca e resgate às pressas.

Enquanto o laudo do IML não é divulgado, a comunidade de Iepê tenta retomar a rotina com uma pergunta incômoda. Até onde o poder público e os próprios frequentadores estão dispostos a mudar hábitos para impedir que o Rio Paranapanema, mapa de memórias afetivas de tantas famílias, se torne também um roteiro de tragédias recorrentes.

O Rio Paranapanema passa pela região de Ourinhos, mas o resgate deste caso específico ocorreu no município de Iepê, em área rural próxima à SP-421.

 

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